Durante a 78ª Reunião Anual da Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência (SBPC), realizada em Niterói (RJ), o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) declarou que não é "louco" de entrar em conflito com os Estados Unidos e China. A fala ocorreu enquanto Lula discutia o papel do Brasil no desenvolvimento científico, com foco em inteligência artificial e minerais críticos.

O contexto da declaração de Lula
O presidente enfatizou que o Brasil precisa investir em pesquisa para competir globalmente na área de tecnologia avançada. Segundo ele, a disputa pela liderança em inteligência artificial está concentrada entre os Estados Unidos e China, e o Brasil precisa encontrar uma maneira de se posicionar nesse cenário.
Lula também destacou a importância de "minerais críticos e terras raras", recursos essenciais para tecnologias como veículos elétricos e equipamentos de defesa. Ele questionou: "Como a gente vai explorar esses tais de minerais críticos e terras raras?"

Geopolítica e soberania mineral
A discussão sobre minerais críticos é central na geopolítica atual, dado seu papel estratégico na transição energética e na fabricação de tecnologias avançadas. Em 2026, o governo americano convidou o Brasil para uma aliança sobre o controle desses recursos, proposta que foi recusada por Lula, alegando que tal acordo comprometia a autonomia nacional.
Em paralelo, iniciativas como o projeto de lei da Política Nacional de Minerais Críticos e Estratégicos (PNMCE) estão em pauta no Congresso Nacional. A proposta visa incentivar o desenvolvimento da indústria de processamento desses recursos, com um fundo garantidor de R$ 5 bilhões.
Brasil entre EUA e China: uma posição estratégica
Lula reforçou que o Brasil não tem "aviões, tanques ou bombas" como essas potências, mas que pode agir como um mediador estratégico. A neutralidade do Brasil em conflitos geopolíticos é vista como uma oportunidade para fortalecer sua posição diplomática e econômica.
Essa abordagem reflete o histórico de política externa brasileira, que tradicionalmente preza pela não intervenção e busca consolidar parcerias diversificadas.
Inteligência artificial e desafios para o Brasil
O presidente destacou que, sem investimento em pesquisa, o país não conseguirá avançar em áreas como inteligência artificial. Ele defendeu que os jovens sejam incentivados a estudar áreas estratégicas, como tecnologia e ciência, para que o Brasil possa competir globalmente.
A preocupação com IA também se estendeu ao âmbito político. Lula apoiou as restrições do TSE ao uso da tecnologia em campanhas eleitorais, para evitar manipulação indevida.
Impactos econômicos e tecnológicos
Especialistas apontam que o desenvolvimento de inteligência artificial e o processamento de minerais críticos podem transformar a economia brasileira. Esses setores possuem alto potencial de geração de empregos e impacto na balança comercial.
No entanto, o Brasil enfrenta desafios como a falta de infraestrutura tecnológica e de incentivos robustos à pesquisa, o que limita sua capacidade de competir com potências estabelecidas.
Repercussões internacionais
A fala de Lula gerou repercussões na comunidade internacional. Enquanto alguns países viram a recusa ao convite dos EUA como uma afirmação de soberania, outros interpretaram como uma oportunidade perdida para maior integração com economias avançadas.
A China, principal parceira comercial do Brasil, também observa atentamente os movimentos brasileiros em áreas estratégicas como minerais críticos e tecnologia.
Minerais críticos: números e importância
Os minerais críticos são fundamentais para a fabricação de tecnologias como baterias de veículos elétricos e turbinas eólicas. De acordo com o Serviço Geológico dos Estados Unidos, cerca de 80% do refino global de terras raras é feito na China.
| Recurso | Uso | Produção Global (%) |
|---|---|---|
| Terras Raras | Veículos elétricos, eletrônicos | 80% |
| Lítio | Baterias | 60% |
| Cobalto | Equipamentos médicos | 70% |
A visão do especialista
Para especialistas em geopolítica e economia, a postura de Lula reflete a busca por um equilíbrio estratégico no cenário internacional. O Brasil precisa consolidar sua posição como mediador e inovador, sem perder sua soberania sobre recursos estratégicos.
Os próximos passos incluem a aprovação da PNMCE no Senado, além de investimentos concretos em pesquisa e educação. Para competir globalmente, o país precisa superar barreiras estruturais e priorizar áreas essenciais para o desenvolvimento tecnológico.

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