Lula e Xi Jinping conversaram por telefone, no domingo, 26 de julho de 2026, sobre a criação de uma zona de livre comércio e a aceleração das negociações do acordo Mercosul‑China. A ligação, confirmada pela Secretaria de Comunicação Social (Secom), durou mais de uma hora e abordou temas estratégicos como inteligência artificial, mineração de minerais críticos e segurança alimentar.
Contexto histórico da relação Brasil‑China
Desde a década de 2000, o comércio bilateral tem crescido a taxas médias de 12% ao ano. O marco de 2019, com a assinatura do Acordo de Cooperação Econômica, abriu caminho para a agenda de livre comércio que agora ganha novo impulso sob a presidência de Lula.
Principais pontos da conversa telefônica
Os líderes coincidiam quanto à necessidade de "flexibilidades" nas regras do futuro acordo. Entre as prioridades destacadas estão a facilitação de vistos, a expansão do Ano Cultural Brasil‑China 2026 e a cooperação em IA e satélites.
Setores estratégicos em foco
- Inteligência artificial: projetos conjuntos de pesquisa e desenvolvimento.
- Minerais críticos: beneficiamento de lítio, cobalto e terras raras.
- Fertilizantes: transferência de tecnologia para aumento da produção agrícola.
Impacto no comércio bilateral
Em 2025, o fluxo de exportações brasileiras para a China atingiu US$ 34,2 bilhões, enquanto as importações chinesas somaram US$ 42,7 bilhões. Esses números reforçam a relevância de um acordo que reduza tarifas e simplifique procedimentos aduaneiros.
| Ano | Exportações Brasil → China (US$ bi) | Importações China → Brasil (US$ bi) |
|---|---|---|
| 2023 | 31,8 | 38,5 |
| 2024 | 33,0 | 40,2 |
| 2025 | 34,2 | 42,7 |
Repercussão nos mercados financeiros
Analistas da B3 elevaram a expectativa de valorização das ações de commodities brasileiras em até 5%. O prospecto de redução tarifária pode impulsionar a demanda por soja, minério de ferro e petróleo.
Relações diplomáticas e multilateralismo
O "Grupo de Amigos da Paz", iniciativa conjunta na ONU, foi citado como ferramenta para mediar conflitos como a guerra na Ucrânia. Lula e Xi reforçaram o compromisso com o multilateralismo frente à ineficácia percebida do Conselho de Segurança.
Segurança alimentar e energética
Ambos os presidentes alertaram sobre as restrições à navegação nos estreitos de Ormuz e Bab el‑Mandeb. Tais bloqueios afetam o preço global do petróleo e a disponibilidade de fertilizantes, temas críticos para a agenda agrícola brasileira.
Cronologia dos avanços recentes
- Maio de 2026: isenção de vistos para curtas estadias entre Brasil e China.
- Junho de 2026: assinatura do protocolo preliminar de cooperação em IA.
- 26/07/2026: ligação telefônica entre Lula e Xi sobre zona de livre comércio.
Desafios para a conclusão do acordo
Entre os obstáculos citados estão as exigências de proteção de setores sensíveis e a necessidade de harmonização regulatória. A China busca maior acesso a produtos agropecuários, enquanto o Brasil quer salvaguardar a indústria de aço.
A Visão do Especialista
Especialistas em comércio internacional apontam que a assinatura formal do acordo pode ocorrer ainda em 2027, dependendo da aprovação nas legislaturas de ambos os blocos. O sucesso dependerá da capacidade de conciliar demandas setoriais com a agenda de liberalização, bem como da estabilidade geopolítica nas rotas marítimas estratégicas.
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