Em 22 de abril de 2026, a mineradora Serra Verde, localizada em Goiás, exportava integralmente seus 6.500 toneladas anuais de óxidos de terras raras (TREO) para a China antes de ser vendida à empresa norte‑americana USA Rare Earth por US$ 2,8 bilhões.

Contexto histórico da mineração de terras raras no Brasil
O Brasil possui a segunda maior reserva mundial de terras raras, mas historicamente carece de infraestrutura de refino. Desde a década de 1990, projetos de exploração foram incentivados por políticas de atração de investimentos estrangeiros, porém o país permaneceu como fornecedor de matéria‑prima.
Capacidade produtiva da Serra Verde
A Serra Verde era a única operação em larga escala de produção de TREO no território nacional. Seu processo incluía extração de óxidos, beneficiamento primário e preparação para exportação.
| Indicador | Valor |
|---|---|
| Produção anual (TREO) | 6.500 ton |
| Participação nas exportações brasileiras de terras raras | ≈ 85 % |
| Valor da aquisição (USA Rare Earth) | US$ 2,8 bi |
| Reserva brasileira de terras raras (estimada) | ≈ 22 milhões ton |
Rota de exportação para a China
Antes da compra, 100 % da produção da Serra Verde era enviada ao mercado chinês. A China controla mais de 70 % da capacidade global de refino, tornando‑se o principal destino dos insumos brasileiros.
A aquisição pela USA Rare Earth
A operação de US$ 2,8 bilhões contou com apoio da Corporação Financeira de Desenvolvimento Internacional (DFC). O contrato inclui cláusulas de prioridade de fornecimento para os Estados Unidos, indicando um realinhamento estratégico da cadeia de suprimentos.
Impacto geopolítico da mudança de rota
O Brasil passa a integrar a estratégia norte‑americana de redução da dependência chinesa em minerais críticos. A transferência de controle altera o fluxo logístico, potencializando a presença dos EUA em mercados de eletrônicos, veículos elétricos e defesa.
Repercussão no mercado internacional
Analistas de commodities registraram volatilidade nos preços de neodímio e disprósio após o anúncio.
- Queda de 3 % nos contratos futuros de neodímio nas bolsas de Xiamen.
- Elevação de 2 % nos preços spot de disprósio nos mercados de Londres.
- Reforço nas negociações de acordos de fornecimento entre USA Rare Earth e fabricantes de baterias dos EUA.
Desafios para a cadeia de valor no Brasil
A ausência de unidades de refino nacional mantém o país na condição de exportador de matéria‑prima. Investimentos em tecnologia de separação e em parques industriais são apontados como requisitos para agregar valor.
Políticas públicas e incentivos ao refino
O Ministério de Minas e Energia divulgou, em março de 2026, um programa de crédito fiscal de até 30 % para projetos de refino de terras raras. Contudo, a implementação ainda depende de marcos regulatórios e de aprovação de licenças ambientais.
Perspectivas para a indústria norte‑americana
Com o acesso direto ao TREO brasileiro, a USA Rare Earth pretende ampliar sua capacidade de produção de ímãs de alta potência nos EUA. O objetivo é atender à demanda crescente de veículos elétricos e sistemas de energia renovável, reduzindo a vulnerabilidade a sanções comerciais.
A Visão do Especialista
Especialistas em geopolítica de recursos apontam que a mudança de rota reforça a competição entre grandes potências por cadeias de suprimentos resilientes. O Brasil, ao se tornar ponto de convergência entre China e EUA, pode negociar melhores termos comerciais, desde que desenvolva infraestrutura de refino e políticas industriais consistentes.
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