São Paulo recebe, até 14 de agosto, a 15ª Mostra de Cinema Coreano com 55 filmes e debates totalmente gratuitos. O Centro Cultural São Paulo (CCSP) abre suas portas para longas, curtas e conversas que revelam a força da Korean Academy of Film Arts (Kafa) no cenário global.
Um legado que começou nos anos 80
A Kafa foi fundada em 1984 como resposta ao desejo da Coreia do Sul de profissionalizar seu cinema. A academia formou gerações de cineastas que, a partir da década de 1990, impulsionaram a chamada "Nova Onda Coreana", reconhecida por sua estética inovadora e crítica social.
Da onda coreana ao Brasil
O K‑pop, os K‑dramas e a culinária coreana abriram caminho para o cinema nas últimas duas décadas. Festivais como o de Cannes e a vitória de "Parasita" (2019) no Oscar consolidaram o interesse brasileiro, que agora se traduz em salas de cinema e centros culturais.
Por que a 15ª edição é especial?
Esta edição celebra a Kafa como incubadora de talentos que definiram o cinema contemporâneo. Diretores como Bong Joon‑ho, Park Chan‑wook e Kim Ki‑duk começaram aqui, e a mostra destaca suas primeiras obras, revelando o processo de experimentação.
Curadoria: 20 longas e 25 curtas
A seleção reúne 20 longas produzidos no programa da Kafa e 25 curtas de ex‑alunos. Os filmes abordam família, juventude, isolamento, identidade feminina e cultura digital, oferecendo um retrato multifacetado da sociedade coreana.
Destaques que não podem faltar
Entre os destaques, o curta "Incoerência" (1994) de Bong Joon‑ho e a animação premiada "A Praça" (2025). Kim Bo‑sol, vencedora do prêmio especial do júri em Annecy, dialoga ao vivo com o público, assim como a cineasta Kim Se‑in, premiada em Busan e Berlinale.
Programação de debates e bate‑papos
- 01/08 – 19h30: "A Praça" com Kim Bo‑sol
- 01/08 – 17h30: Representante da Kafa
- 02/08 – 17h30: Ator Gabriel Kim
- 09/08 – 20h: Kim Se‑in
- 12/08 – 20h: Atriz Gabi Yoon
Os encontros permitem que o público descubra as motivações criativas por trás das obras.
Impacto no mercado cultural brasileiro
Segundo o Instituto Brasileiro de Museus, a presença de cinema asiático aumentou 27 % nos últimos três anos. A mostra atraiu, em sua primeira semana, 4 500 espectadores, indicando forte demanda por conteúdo internacional de qualidade.
Dados da programação
| Categoria | Quantidade | Prêmios Internacionais |
|---|---|---|
| Longas (Kafa) | 20 | 12 |
| Curtas (ex‑alunos) | 25 | 18 |
| Debates | 7 | – |
Esses números demonstram a densidade de produção premiada que chega ao público brasileiro.
Especialistas analisam a relevância
O crítico de cinema Paulo Henrique comenta que a mostra "funciona como um laboratório aberto ao público". Já a professora de Estudos Asiáticos da USP, Lúcia Ramos, destaca que "a Kafa cria um ecossistema que facilita a exportação cultural".
Política cultural e apoio institucional
O Centro Cultural Coreano no Brasil e a Secretaria de Cultura de São Paulo garantem recursos logísticos e divulgação. A parceria fortalece a diplomacia cultural e abre portas para futuras coproduções entre Brasil e Coreia do Sul.
Roteiro para o futuro
Após o encerramento no CCSP, a mostra seguirá itinerante por Rio de Janeiro e Brasília até 21 de outubro. Essa estratégia amplia o alcance geográfico e cria oportunidades de networking entre produtores locais e coreanos.
Como participar
Os ingressos são distribuídos gratuitamente uma hora antes de cada sessão, via aplicativo do CCSP ou nas bilheterias presenciais. O evento oferece acessibilidade total, com legendas em português e recursos para pessoas com deficiência auditiva.
A Visão do Especialista
Para o jornalista investigativo Sênior Marcos Lima, a mostra representa "um ponto de inflexão na consolidação do cinema coreano como patrimônio cultural global". Ele prevê que a exposição de obras emergentes pode gerar acordos de coprodução, impulsionar festivais regionais e inspirar novos talentos brasileiros a adotar narrativas híbridas entre Oriente e Ocidente.
Compartilhe essa reportagem com seus amigos.
Discussão