Joaquín Torres García (1874-1949) é um nome central na história da arte moderna da América Latina e mundial. Pioneiro do "Universalismo Construtivo", o artista uruguaio desafiou convenções e conectou tradições artísticas pré-colombianas às vanguardas europeias. Agora, sua obra e legado ganham destaque com a exposição "Joaquín Torres García: 150 anos", em cartaz no Centro Cultural Banco do Brasil de Belo Horizonte (CCBB-BH) até 12 de outubro de 2026. Trata-se da maior mostra já dedicada ao mestre no Brasil, com mais de 400 peças que incluem pinturas, desenhos, manuscritos e objetos históricos, além de obras de 100 artistas influenciados por ele.

Mostrando em BH o legado do uruguaio Torres García em uma cena histórica.
Fonte: www.em.com.br | Reprodução

A trajetória de Joaquín Torres García

Joaquín Torres García nasceu em Montevidéu, Uruguai, em 1874, mas passou grande parte de sua vida na Europa, especialmente na Espanha e na França. Foi em Paris, na década de 1920, que ele fundou o movimento Cercle et Carré, que promovia a arte geométrica e o construtivismo como oposição ao surrealismo dominante da época.

Ao retornar ao Uruguai em 1934, Torres García trouxe consigo uma bagagem artística que fundia as vanguardas europeias com símbolos e tradições da América Latina. Ele buscava criar uma identidade artística única para o continente, desafiando a hegemonia cultural dos países centrais. Este esforço culminou no conceito de Universalismo Construtivo, que unia o abstrato e o figurativo em uma síntese visual inovadora.

Mostrando em BH o legado do uruguaio Torres García em uma cena histórica.
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A relevância do Universalismo Construtivo

O Universalismo Construtivo, criado por Torres García, é uma filosofia artística que transcende fronteiras culturais e temporais. Ele acreditava que a arte deveria ser universal, mas enraizada na história e cultura da América Latina. Essa abordagem foi uma resposta direta às limitações do cubismo e à tendência do modernismo europeu de marginalizar as culturas não-ocidentais.

Ao longo de sua carreira, Torres García dialogou com nomes importantes do movimento modernista, como Piet Mondrian. Ele também estudou profundamente a arte africana e pré-colombiana, incorporando esses elementos em sua estética geométrica e simbólica.

O impacto da mostra em Belo Horizonte

A exposição no CCBB-BH é mais do que uma retrospectiva; é uma imersão no universo criativo e filosófico de Torres García. Segundo o curador Saulo di Tarso, a mostra não apenas revisita a importância do artista, mas também redesenha a relação do Brasil com a arte sul-americana. "A exposição dos 150 anos de Torres García é um virar de página, uma afirmação de mudança", afirma Di Tarso.

Um dos destaques da mostra é a inclusão de obras de artistas brasileiros e internacionais influenciados por Torres García, como Hélio Oiticica, Lygia Pape e Cildo Meireles. Ao incorporar a produção de autores locais em cada cidade onde a exposição passa, o curador busca criar um diálogo contemporâneo com o legado do mestre uruguaio.

O incêndio no MAM-Rio e o impacto no Brasil

Uma tragédia marcou a relação do Brasil com Torres García: o incêndio de 1978 no Museu de Arte Moderna do Rio de Janeiro (MAM-Rio), que destruiu várias de suas obras que estavam em circulação no país. Esse evento prejudicou a confiança dos museus internacionais no Brasil e limitou a circulação de grandes exposições no país por décadas.

Foi apenas em 2002, com a retrospectiva de Rembrandt organizada pelo CCBB, que o Brasil começou a recuperar sua posição no circuito global de arte. A exposição atual de Torres García no CCBB-BH simboliza um novo momento para a museologia brasileira, consolidando o país como um espaço relevante para a arte internacional.

O legado de Torres García na arte contemporânea

O impacto de Torres García é evidente na obra de diversos artistas contemporâneos, tanto na América Latina quanto no mundo. Sua fusão entre tradição e modernidade continua a inspirar novas gerações. Artistas como Rosana Paulino, Jaime Lauriano e até nomes da música, como BaianaSystem, encontram no Universalismo Construtivo um ponto de partida para explorar questões de identidade e memória cultural.

Além disso, sua influência transcende a arte visual, chegando à música, literatura e até ao design. O diálogo entre o passado e o presente é uma das marcas mais fortes de seu legado.

Uma nova valorização da arte latino-americana

A exposição também reflete um movimento mais amplo de valorização da arte latino-americana no cenário global. Segundo Di Tarso, as ditaduras militares do século 20 contribuíram para marginalizar a cultura da região, criando um "apagamento" que durou décadas. No entanto, nos últimos anos, artistas, curadores e instituições têm trabalhado para reverter essa narrativa.

Exposições como "Joaquín Torres García: 150 anos" são passos essenciais nesse processo, não apenas resgatando a importância histórica de artistas como Torres García, mas também reafirmando a relevância da América Latina como um polo de produção cultural de impacto mundial.

A Visão do Especialista

A mostra dedicada a Joaquín Torres García no CCBB-BH não é apenas um evento artístico; é um marco na revalorização da arte latino-americana e na reafirmação da importância cultural da região no cenário global. Além de celebrar os 150 anos do nascimento do artista, a exposição provoca reflexões profundas sobre o impacto e a relevância da arte em tempos de transformação social e política.

Torres García não foi apenas um artista; foi um pensador e um visionário que antecipou debates sobre identidade e globalização cultural. Ao propor o Universalismo Construtivo, ele ofereceu uma alternativa ao eurocentrismo artístico, fomentando o orgulho das raízes culturais latino-americanas. Esta é, portanto, uma oportunidade única para o público brasileiro redescobrir um dos maiores nomes da arte mundial e para refletir sobre o papel da América Latina no cenário cultural global.

Não perca a chance de vivenciar essa experiência única. Visite a exposição no CCBB-BH e mergulhe na riqueza do legado de Joaquín Torres García.

Mostrando em BH o legado do uruguaio Torres García em uma cena histórica.
Fonte: www.em.com.br | Reprodução

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