Em maio de 2026, Mato Grosso e mais quatro estados registraram as maiores quedas nos preços do etanol hidratado no Brasil, trazendo alívio imediato ao bolso dos consumidores. O recuo médio nacional foi de 5,6%, chegando a R$ 4,488 por litro, segundo o Monitor de Preços de Combustíveis da Veloe.
Cenário histórico do etanol no Brasil
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Desde 2023, o etanol tem vivido ciclos de alta e baixa ligados à produção de cana-de-açúcar e à volatilidade do petróleo. As fortes elevações observadas no início de 2026 foram impulsionadas pela escassez de oferta e pelos reajustes de impostos, culminando em preços recordes nas bombas.

Quedas concentradas em MT e quatro estados
O levantamento da Veloe, com apoio da Fipe, apontou que os cinco estados com maior retração foram Distrito Federal (-10,0%), São Paulo (-7,2%), Minas Gerais (-6,0%), Paraná (-5,1%) e Mato Grosso (-4,9%). Esses números refletem a combinação de fatores regionais e safras abundantes.
| Estado | Queda (%) | Preço Médio (R$/L) |
|---|---|---|
| Distrito Federal | -10,0% | 4,528 |
| São Paulo | -7,2% | 4,200 |
| Minas Gerais | -6,0% | 4,522 |
| Paraná | -5,1% | 4,534 |
| Mato Grosso | -4,9% | 4,418 |
Por que Mato Grosso lidera a queda?
A safra 2026/27 de cana-de-açúcar avançou mais rapidamente no Centro‑Sul, ampliando a oferta de etanol nas refinarias. Mato Grosso, como grande produtor de cana, viu seu estoque de matéria‑prima crescer, reduzindo custos logísticos e pressionando os preços para baixo.
Impacto direto no bolso do brasileiro
Abastecer um tanque de 55 litros com etanol passou a representar, em média, 4,2 % da renda domiciliar, contra 5,5 % da gasolina. Essa diferença é ainda mais marcante nas capitais, onde o etanol representa cerca de 3,7 % da renda familiar.
Comparativo com outros combustíveis
Enquanto o etanol recuou 5,6%, o diesel comum e o diesel S‑10 caíram 3,3% e as gasolinas recuaram 1,0%. O GNV foi a exceção, registrando alta de 0,3%, evidenciando a diversificação de preços no mercado interno.
Repercussões no mercado de distribuição
Distribuidoras ajustaram margens de lucro e renegociaram contratos de repasse, aproveitando a queda para melhorar a competitividade. O volume de vendas de etanol aumentou 2,8 % em maio, sinalizando maior aceitação pelos consumidores.
Reação da indústria automotiva
Montadoras de veículos flex têm sinalizado que a redução do preço do etanol pode acelerar a migração de gasolina para o biocombustível. Estudos internos apontam que a demanda por motores flex pode crescer 4 % ao ano nos próximos dois anos.
Opiniões de especialistas
André Turquetto, CEO da Veloe, destaca que "maio trouxe um movimento importante de acomodação dos preços, impulsionado pelo avanço da safra". Já a economista Carla Nunes, da FGV, alerta que "a volatilidade do petróleo ainda pode reverberar nos preços do etanol, sobretudo se houver desvalorização cambial".
Oportunidades de investimento
Investidores podem considerar ações de usinas de etanol e de logística de cana, que agora operam com maior margem de contribuição. Fundos de energia renovável também têm atraído capitais, refletindo a tendência de diversificação da matriz energética.
Riscos e incertezas
A instabilidade geopolítica no Oriente Médio e a possível revisão da política de incentivos fiscais ao biocombustível representam riscos latentes. Qualquer aumento inesperado nos preços do petróleo pode reduzir a competitividade do etanol novamente.
Estratégias para o consumidor
Para maximizar a economia, recomenda‑se abastecer com etanol nas regiões onde o preço está abaixo de R$ 4,30 por litro e monitorar promoções semanais. Além disso, manter o motor calibrado garante melhor eficiência energética.
A Visão do Especialista
Com base nos dados, a tendência de queda do etanol deve se consolidar até o final da safra 2026/27, beneficiando principalmente os estados do Centro‑Sul. Contudo, a estabilidade dos preços dependerá da capacidade do governo de manter incentivos fiscais e da evolução da demanda por veículos flex.
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