Negociações salariais entre Margot Robbie, Ryan Gosling e a Warner Bros. Discovery ameaçam a sequência de "Barbie", o blockbuster que já ultrapassou US$ 1,4 bilhão. O impasse, reportado pelo The New York Times, coloca em risco a continuação da franquia antes do prazo de dezembro, quando os direitos retornam à Mattel.

O sucesso que desencadeou o impasse

"Barbie" (2023) tornou‑se a maior bilheteria da história da Warner, arrecadando mais de US$ 1,4 bilhão e colecionando oito indicações ao Oscar, incluindo Melhor Filme. Esse desempenho estrondoso elevou as expectativas de lucro para a sequência.

Contratos "one‑off": uma estratégia arriscada

Para garantir a participação de Greta Gerwig como diretora, a Warner adotou contratos únicos, sem cláusulas de continuação, para Robbie, Gosling e Gerwig. Essa exceção incomum foi usada como moeda de troca para atrair talentos de alto calibre.

Ryan Gosling e a demanda por US$ 20 milhões

O ator, indicado ao Oscar por Ken, busca elevar seu cachê para US$ 20 milhões, além de participação nos lucros. Gosling vê a sequência como oportunidade de consolidar sua carreira ao lado de um fenômeno cultural.

Margot Robbie: cautela e exigência de valorização

Robbie, que recebeu US$ 15 milhões pelo primeiro filme, pretende um aumento proporcional ao sucesso da franquia. Ela tem sido cuidadosa, ressaltando que "Barbie" não foi concebida como trilogia.

A postura de David Zaslav e a Warner

O CEO da Warner Bros. Discovery, David Zaslav, resiste a conceder participação nos lucros, preferindo manter a estrutura de pagamento fixa. Segundo a empresa, nunca retrocedeu em acordos previamente firmados.

Prazo crítico: dezembro de 2026

Se não houver acordo até o fim de 2026, os direitos de produção retornam à Mattel, que pode reiniciar o projeto com novo elenco e direção. Essa data limite pressiona ambas as partes a encontrar um consenso.

Propostas apresentadas pela Warner

Nos últimos três anos, a Warner fez cerca de seis ofertas ao elenco, a mais alta já registrada. A tabela abaixo resume os valores propostos e as contrapartidas oferecidas.

Proposta Valor (US$ milhões) Participação nos Lucros Status
Oferta 1 (2024) 12 5 % Recusada
Oferta 2 (2025) 15 7 % Recusada
Oferta 3 (2025‑Q3) 18 10 % Recusada
Oferta 4 (2026‑Jan) 20 12 % Em negociação
Oferta 5 (2026‑Jun) 22 15 % Em análise
Oferta 6 (2026‑Set) 24 18 % Proposta final

Impacto no mercado cinematográfico

Especialistas apontam paralelos com a renegociação entre Sony e Marvel pelos direitos de "Homem‑Aranha", que resultou em uma das franquias mais lucrativas da década. Um acordo similar poderia gerar receitas bilionárias para a Warner e a Mattel.

Tendência de participação nos lucros

Nos últimos anos, atores e diretores de alto nível têm exigido "profit participation" como parte de seus contratos. Essa prática redefine a remuneração tradicional de Hollywood, privilegiando quem agrega valor de marca.

Agenda dos protagonistas

  • Margot Robbie: filmando "Onze homens e um segredo" (Warner).
  • Ryan Gosling: confirmado como protagonista de "Ghost Rider" (Marvel) e "Star Wars: Starfighter".
  • Greta Gerwig: iniciará adaptação de "As Crônicas de Nárnia" (Netflix) no próximo ano.

Esses compromissos concorrentes aumentam a pressão para fechar o acordo rapidamente.

Cenários futuros

Se o consenso for alcançado, a sequência pode ser lançada em 2028, mantendo a estratégia de marketing da Mattel. Caso contrário, a Mattel poderá produzir um reboot independente, possivelmente com novos roteiristas e direção. Ambas as opções redefinirão a dinâmica de propriedade intelectual entre estúdios e fabricantes de brinquedos.

A Visão do Especialista

Do ponto de vista da análise de risco, a Warner tem mais a perder do que a ganhar ao ceder participação nos lucros, dado o histórico de retorno sobre investimento de "Barbie". Contudo, a recusa absoluta pode alienar talentos de elite e abrir espaço para concorrentes. Um acordo equilibrado, que combine um aumento de cachê com uma participação moderada, parece ser a solução mais viável para preservar a franquia e garantir novos fluxos de caixa.

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