Egana Djabbárova rompe o silêncio ao denunciar o patriarcado e a xenofobia em seu livro premiado, "As mãos das mulheres da minha família não eram destinadas à escrita". O lançamento em Belo Horizonte, no dia 27 de maio, reúne leitores, críticos e ativistas para discutir a resistência feminina narrada por uma autora exilada que atravessa fronteiras culturais e políticas.

Mulher protesta contra patriarcado e xenofobia em manifestação pública.
Fonte: www.em.com.br | Reprodução

Contexto histórico da opressão de gênero

Desde a Antiguidade, o corpo feminino tem sido instrumentalizado como símbolo de submissão. Na Rússia czarista, nas comunidades azerbaijanas e nas sociedades pós‑soviéticas, as mulheres eram confinadas ao lar, enquanto o espaço público era reservado aos homens. Essa tradição persiste em diferentes graus nas sociedades contemporâneas, alimentando discursos patriarcais que ainda marginalizam vozes femininas.

A trajetória de Egana Djabbárova

Nasceu em Ecaterimburgo, 1992, em família de origem azerbaijana, e viu sua identidade ser rejeitada por ambos os lados. Ao se posicionar contra a guerra na Ucrânia e defender direitos LGBTQIAPN+, foi forçada a abandonar a Rússia, encontrando refúgio em Hamburgo, onde vive em um campo de refugiados.

O livro como grito de resistência

"As mãos das mulheres… não eram destinadas à escrita" é um libelo que mistura memória familiar e análise sociopolítica. Cada um dos 11 capítulos recebe o nome de uma parte do corpo, revelando como o patriarcado controla não só a voz, mas também o toque, o olhar e o movimento das mulheres.

Estrutura corporal e simbólica

A escolha de partes como sobrancelhas, olhos e garganta cria um mapa de vulnerabilidade e poder. A autora utiliza a distonia muscular progressiva da protagonista como metáfora da paralisia imposta pelas normas de gênero.

Repercussão no mercado editorial

O livro foi eleito "Livro do Ano" no Hamburger Literaturpreis 2025, consolidando sua relevância internacional. No Brasil, a edição em português, traduzida por Maria Vragova, já é apontada como forte candidata ao prêmio de Melhor Livro de Autor(a) Estrangeiro(a) de 2026.

AnoPrêmioCategoria
2025Hamburger LiteraturpreisLivro do Ano
2026Prêmio Literário MineiroMelhor Livro Estrangeiro
2026Premiação da Academia Mineira de LetrasReconhecimento de Impacto Social

Eventos de divulgação em Belo Horizonte

  • 27/05 – Lançamento na Quixote Livraria, Savassi.
  • 25/05 – Mesa‑redonda na Academia Mineira de Letras.
  • 28/05 – Workshop de escrita feminista com a tradutora Maria Vragova.

Análise de especialistas

Segundo a professora de Estudos de Gênero, Ana Lúcia Ribeiro, a obra "reconfigura o discurso patriarcal ao colocar o corpo como campo de batalha simbólico". Ela destaca que a narrativa não recorre ao ativismo simplista, mas oferece uma leitura complexa das intersecções entre etnia, migração e gênero.

Impacto sociocultural

O relato de Egana evidencia como a xenofobia se entrelaça ao machismo, reforçando a exclusão de mulheres migrantes. Em comunidades azerbaijanas, a lealdade ao Estado russo ainda determina quem pode falar, ler ou escrever.

Desafios da escrita no exílio

Viver em um campo de refugiados na Alemanha expõe a autora a barreiras linguísticas e burocráticas que limitam a produção cultural. Mesmo assim, sua obra rompe fronteiras ao ser traduzida para cinco idiomas em menos de um ano.

Relevância para o público brasileiro

O Brasil, embora avançado em direitos das mulheres, ainda convive com violência doméstica e discursos xenófobos. A história de Egana serve de espelho para reflexões sobre políticas de acolhimento e igualdade de gênero.

A Visão do Especialista

Para o crítico literário Carlos Menezes, "o próximo passo é transformar esse grito em ação concreta nas políticas públicas de cultura e migração". Ele recomenda que instituições de ensino incluam a obra nos currículos de literatura comparada e que organizações de direitos humanos utilizem o livro como ferramenta de sensibilização.

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