A imagem viral da NASA não representa a forma física da Terra, mas sim o geoide – um modelo científico que ilustra variações mínimas do campo gravitacional global. Publicada em 15 de julho de 2026 pelo Goddard Space Flight Center, a visualização exagera as ondulações em 10 000 vezes para torná‑las perceptíveis ao público.

Imagem da NASA que desmente teorias sobre um objeto misterioso no espaço.
Fonte: www.uol.com.br | Reprodução

O que é o geoide e como ele é definido

O geoide corresponde ao nível teórico do mar que existiria se fosse influenciado apenas pela gravidade e rotação da Terra. Essa superfície imaginária segue as irregularidades do campo gravitacional, refletindo diferenças de densidade interna que criam "colinas" e "vales" gravitacionais de até algumas dezenas de metros.

Como a NASA gerou a visualização viral

Imagem da NASA que desmente teorias sobre um objeto misterioso no espaço.
Fonte: www.uol.com.br | Reprodução

A ilustração foi produzida a partir do modelo GOCO06s, que combina mais de um bilhão de observações coletadas ao longo de 15 anos. O processamento inclui dados de satélites dedicados à medição da gravidade, como GRACE (NASA) e GOCE (ESA), e aplica um fator de amplificação de 10 000 para evidenciar as variações.

Satélites que alimentam o modelo

GRACE e GOCE fornecem medições de alta precisão que permitem mapear o campo gravitacional com resolução de poucos centímetros. Esses satélites monitoram mudanças na massa terrestre, incluindo fluxo de água e movimentação de placas tectônicas.

SatélitePeríodo de OperaçãoPrecisão da Medição
GRACE (NASA)2002‑2017≈ 1 mm s⁻²
GOCE (ESA)2009‑2013≈ 10⁻⁹ s⁻²

Amplitudes reais das ondulações

Sem a amplificação, as variações do geoide variam de +85 m na Islândia a –106 m ao sul da Índia. Em termos relativos ao raio médio da Terra (≈ 6 371 km), essas diferenças correspondem a menos de 0,002 % da extensão total do planeta.

Geoide versus elipsoide: duas representações

Enquanto o geoide segue as irregularidades gravitacionais, o elipsoide é um modelo matemático simplificado, aproximando a Terra como um esferoide oblato. O elipsoide é preferido em cartografia e navegação por sua regularidade, embora ignore as sutilezas que o geoide captura.

Aplicações práticas do geoide

O geoide é fundamental para medições de altitude, correções de GPS e estudos geofísicos. Seu uso garante precisão em diversas áreas:

  • Topografia de alta resolução e levantamento cadastral;
  • Calibração de sistemas de posicionamento global (GNSS);
  • Modelagem de marés e previsões de nível do mar;
  • Determinação da profundidade de terremotos e eventos sísmicos.

Impacto no mercado de geociências

Empresas de geoprocessamento e serviços de mapeamento adotaram o geoide para melhorar a acurácia de seus produtos. A demanda por dados gravitacionais precisos tem impulsionado investimentos em satélites de nova geração, como o GRACE‑FO, que continua a monitorar mudanças climáticas e recursos hídricos.

Repercussão nas redes sociais e na mídia

A imagem foi compartilhada milhões de vezes, gerando interpretações equivocadas de que a Terra teria formato de "batata". Especialistas em comunicação científica alertam que a falta de contextualização pode alimentar teorias da conspiração e reduzir a confiança pública na ciência.

A Visão do Especialista

Do ponto de vista científico, a visualização cumpre seu objetivo ao tornar visíveis fenômenos invisíveis a olho nu. Contudo, a amplificação exagerada exige esclarecimento imediato para evitar desinformação. Futuras campanhas da NASA devem incluir notas explicativas claras, permitindo que o público reconheça a diferença entre representação artística e realidade geofísica.

Imagem da NASA que desmente teorias sobre um objeto misterioso no espaço.
Fonte: www.uol.com.br | Reprodução

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