O desembargador federal Alcides Martins Ribeiro Filho, de 64 anos, foi encontrado morto na tarde de 21 de maio de 2026 na região da Vista Chinesa, no Parque Nacional da Tijuca, no Rio de Janeiro. Ele estava desaparecido há mais de um mês, desde 14 de abril, quando foi visto pela última vez embarcando em um táxi. A polícia informou que não havia sinais aparentes de violência, mas as circunstâncias da morte seguem sob investigação.

Desembargador encontrado morto em parque nacional, corpo em área isolada da Vista Chinesa.
Fonte: oglobo.globo.com | Reprodução

O desaparecimento e as primeiras investigações

O caso começou a ganhar atenção pública quando a família do desembargador registrou o desaparecimento, destacando que ele havia saído de casa em Ipanema para um passeio na Tijuca. O último registro de Alcides foi captado por um taxista, que confirmou tê-lo levado até a Vista Chinesa, um dos mirantes mais famosos da Floresta da Tijuca.

Desde então, a Polícia Civil do Rio de Janeiro, em conjunto com o Gabinete de Segurança Institucional (GSI) do Tribunal Regional Federal da 2ª Região (TRF-2), realizou buscas e investigações para localizar o magistrado. A morte revelou novos desdobramentos sobre sua vida pessoal e profissional.

A trajetória de Alcides Martins Ribeiro Filho

Alcides Martins Ribeiro Filho era um experiente desembargador do TRF-2 e ocupava um cargo de destaque no cenário jurídico do país. No entanto, sua carreira foi marcada por um episódio polêmico em maio de 2025, quando foi afastado de suas funções pelo Conselho Nacional de Justiça (CNJ) sob suspeita de agressões contra sua ex-mulher. O caso, que ainda tramita em segredo de justiça, incluiu denúncias de violência doméstica e medidas protetivas contra o magistrado.

Desde o afastamento, Alcides enfrentava restrições legais que o impediam de se aproximar de sua filha caçula, o que, segundo familiares, teria impactado profundamente sua saúde mental. O irmão do magistrado chegou a sugerir que o desaparecimento poderia ser uma tentativa de fugir da pressão psicológica causada pelos problemas pessoais e profissionais.

O cenário do Parque Nacional da Tijuca

O Parque Nacional da Tijuca, onde o corpo foi encontrado, é conhecido por sua extensa área verde e por ser um dos maiores parques urbanos do mundo. A Vista Chinesa é um ponto turístico famoso, atraindo visitantes pela vista panorâmica da cidade do Rio de Janeiro. No entanto, a região também apresenta desafios de segurança, com registros ocasionais de ocorrências criminais.

Segundo o Corpo de Bombeiros, o local onde o corpo do desembargador foi encontrado é de difícil acesso, o que pode complicar as investigações sobre as circunstâncias de sua morte. A ausência de sinais de violência levantou questões sobre possíveis causas naturais ou outros fatores que ainda serão apurados.

Repercussão no TRF-2 e na comunidade jurídica

A morte de Alcides Martins Ribeiro Filho gerou comoção no TRF-2, onde ele era bem conhecido por sua atuação. O presidente do tribunal, Luiz Paulo da Silva Araújo Filho, emitiu uma nota oficial lamentando a perda e expressando solidariedade à família do magistrado.

Nos bastidores, o caso foi tratado com grande preocupação, e reuniões frequentes foram realizadas entre o GSI do TRF-2 e as autoridades policiais para acompanhar o progresso das buscas. A morte do desembargador também trouxe à tona debates sobre saúde mental no judiciário e os impactos da pressão profissional e pessoal na vida de magistrados.

Contexto jurídico: um caso polêmico

A investigação sobre Alcides não é apenas sobre seu desaparecimento ou morte; também está inserida em um contexto jurídico delicado. O magistrado foi denunciado pelo Ministério Público Federal (MPF) por crimes relacionados à violência doméstica contra sua ex-mulher. A Defensoria Pública do Estado do Rio de Janeiro atuou como assistente qualificada no caso, reafirmando seu compromisso com a proteção de mulheres em situações de violência.

A denúncia e o processo judicial em curso suscitaram discussões sobre a postura de figuras públicas envolvidas em casos de violência doméstica e o impacto disso na credibilidade das instituições que representam.

As investigações em curso

O caso está sendo investigado pela Delegacia de Homicídios da Capital (DHC) e pela Delegacia de Descoberta de Paradeiros (DDPA). O corpo foi encaminhado ao Instituto Médico-Legal (IML) para exames que possam determinar a causa da morte. As autoridades ainda aguardam os resultados da perícia para confirmar oficialmente a identidade do magistrado.

Especialistas alertam para a necessidade de uma investigação minuciosa, considerando o histórico recente do desembargador e as circunstâncias ambíguas do caso. A ausência de sinais de violência no corpo não elimina a possibilidade de outras causas suspeitas, como envenenamento ou outras condições médicas.

A visão do especialista

O caso do desembargador Alcides Martins Ribeiro Filho levanta uma série de questões sobre a saúde mental de profissionais sob intensa pressão pública, além de ressaltar a importância de se investigar profundamente casos que envolvem figuras públicas. É essencial que a apuração seja realizada com rigor técnico e transparência, para garantir que todas as circunstâncias sejam devidamente esclarecidas.

Como jornalista investigativo, é preciso destacar que este caso reflete um problema mais amplo no Brasil: o impacto da violência doméstica em diferentes esferas da sociedade e o papel das instituições em lidar com relatos de abuso sem prejuízo à imparcialidade. O desfecho da investigação poderá trazer respostas não apenas sobre a morte de Alcides, mas também sobre as tensões que o envolviam.

Enquanto isso, o país aguarda os resultados da perícia e os próximos passos das autoridades. Este caso, que mobilizou amplo interesse público e institucional, deve servir como um ponto de reflexão sobre o equilíbrio entre a vida pessoal e profissional, além dos desafios enfrentados por figuras públicas em situações de fragilidade emocional.

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