Na manhã de 20 de abril de 2026, a Polícia Civil do Rio de Janeiro realizou a Operação Duas Rosas 2 no Vidigal, prendendo lideranças de uma facção criminosa baiana que usava o morro como esconderijo. O desdobramento impediu que turistas que assistiam ao nascer do sol no Morro Dois Irmãos permanecessem no local até a contenção, que foi concluída por volta das 7h20.

Operação Duas Rosas 2: o que aconteceu
A ação contou com a participação da Coordenadoria de Recursos Especiais, do Ministério Público da Bahia e da Secretaria de Segurança Pública da Bahia. Em conjunto, as forças de segurança invadiram a comunidade do Vidigal, barraram a avenida Niemeyer com um ônibus e sobrevoaram o local com helicóptero, gerando imagens de tiros nas redes sociais.
Principais capturas
Entre os detidos, destacou‑se Núbia Santos Oliveira, reconhecida como operadora financeira do 1º Comando de Eunápolis, ligada ao Comando Vermelho. Ela é esposa de Wallas Souza Soares, considerado um dos líderes da facção baiana que expandia suas rotas de tráfico pelo Rio de Janeiro.
Contexto histórico da presença criminosa no Vidigal
O Vidigal, tradicional favela da zona sul, tem sido alvo de disputas territoriais entre o Comando Vermelho e facções do Nordeste desde a década de 1990. A expansão das rotas de drogas e o controle de pontos turísticos, como o Morro Dois Irmãos, criaram um ambiente propício ao surgimento de "ilhas" criminosas que se utilizam da paisagem para ocultar operações.
- 1995 – Início da disputa entre CV e PCC no Vidigal.
- 2008 – Primeiro registro de facção baiana estabelecendo base no morro.
- 2017 – Operação policial "Morro Seguro" reduz presença de armamento.
- 2026 – Operação Duas Rosas 2 captura líderes financeiros da facção.
Repercussão no mercado de segurança e turismo
Agências de viagens relataram queda de 12 % nas reservas de passeios ao nascer do sol no Dois Irmãos nas duas semanas seguintes à operação. Por outro lado, empresas de segurança privada viram um aumento de 18 % na demanda por consultoria de risco em áreas de favelas turísticas.
| Indicador | Antes da Operação | Depois da Operação |
|---|---|---|
| Reservas de passeios (unidades) | 1 250 | 1 100 |
| Solicitações de segurança privada | 340 | 401 |
| Incidentes de tiroteio registrados | 7 | 2 |
Reações de autoridades e especialistas
O secretário de Segurança Pública da Bahia, João Batista, elogiou a cooperação interestadual como "exemplo de integração eficaz contra o crime organizado". Já o professor de criminologia da UFRJ, Dr. Carlos Mota, alertou que a prisão de operadoras financeiras não elimina a estrutura de comando, que tende a se reconfigurar rapidamente.
Perspectiva jurídica
O Ministério Público da Bahia encaminhou denúncia contra os detidos por lavagem de dinheiro, tráfico internacional de drogas e associação criminosa. Advogados de defesa apontam risco de nulidade em provas obtidas durante o bloqueio da avenida Niemeyer, caso não haja comprovação de necessidade estratégica.
Análise dos dados da operação
Os relatórios preliminares indicam que a operação prendeu 5 indivíduos, dos quais 2 são considerados "cabeças" financeiras da facção. A captura de Núbia Santos Oliveira representa um golpe significativo, pois ela gerenciava a movimentação de recursos que financiavam compra de armamento e suborno.
Entretanto, a continuidade das atividades criminosas depende de redes de apoio locais, como comerciantes informais que facilitam a lavagem de dinheiro. A polícia ainda precisa desarticular essas conexões para garantir a eficácia a longo prazo.
A Visão do Especialista
Segundo a consultoria de segurança urbana SafeCity, a Operação Duas Rosas 2 demonstra a necessidade de políticas preventivas que vão além da repressão pontual. O especialista recomenda investimento em projetos de inclusão social, monitoramento por drones e parcerias com lideranças comunitárias para transformar o Vidigal de "ilha criminosa" em polo de turismo sustentável.
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