O julgamento do ex-vereador Jairo Souza Santos Júnior, conhecido como Dr. Jairinho, e de Monique Medeiros Costa e Silva, mãe de Henry Borel, ganhou novos contornos com as recentes declarações de Leniel Borel. O pai de Henry revelou que apresentará ao júri informações sobre um suposto caso inédito envolvendo Jairinho, acusado de queimar uma menina, um episódio que ele afirma não ter sido investigado anteriormente. A declaração foi dada no 2º Tribunal do Júri da Capital, no Centro do Rio, antes da retomada do julgamento desta segunda-feira, 26 de maio de 2026.

Leniel Borel, pai de Henry, em tribunal, apresentando caso de menina queimada.
Fonte: oglobo.globo.com | Reprodução

O Caso Henry Borel: Relembre os Fatos

Henry Borel Medeiros, de apenas 4 anos, morreu em 8 de março de 2021. O laudo de necropsia apontou hemorragia interna e laceração hepática devido a uma ação contundente, além de 23 lesões pelo corpo. O menino foi encontrado em estado grave no apartamento em que vivia com sua mãe, Monique, e o então namorado dela, Jairinho, no condomínio Majestic, na Barra da Tijuca. Ele foi levado ao hospital, mas já chegou sem vida.

A suspeita de homicídio gerou repercussão nacional, destacando-se pela brutalidade e pela comoção em torno de uma criança vítima de violência doméstica. Jairinho e Monique foram presos preventivamente em abril de 2021, acusados de homicídio triplamente qualificado por motivo torpe, emprego de tortura e impossibilidade de defesa da vítima.

Leniel Borel, pai de Henry, em tribunal, apresentando caso de menina queimada.
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As Acusações Contra Jairinho

Além da morte de Henry, o caso trouxe à tona denúncias de outras supostas práticas violentas de Jairinho, inclusive contra crianças. Segundo relatos de ex-companheiras, ele teria agredido filhos de relacionamentos anteriores. Essas alegações, somadas ao contexto do julgamento, reforçam a imagem de Jairinho como uma figura envolta em polêmicas e acusações de comportamento abusivo.

Leniel Borel agora afirma que apresentará informações sobre outro caso inédito envolvendo Jairinho, no qual o ex-vereador teria queimado uma menina, e que, segundo ele, não foi devidamente investigado. "Eu aguardei cinco anos para estar aqui. Segurei essa estratégia porque não poderia falar antes", declarou o pai de Henry.

Demora no Processo e a Busca por Justiça

Leniel expressou frustração com a demora no andamento do caso. Desde a morte de seu filho, cinco anos se passaram até que o julgamento fosse retomado. Ele atribui esse atraso aos sucessivos recursos interpostos pelas defesas dos réus. "Por que cinco anos para fazer justiça por uma criança?", questionou Leniel, durante o depoimento à imprensa.

Ele também destacou a importância de expor os detalhes do perfil de Jairinho e Monique ao júri. "A esse júri vamos mostrar a verdade. Vamos mostrar quem são Jairo e Monique", afirmou ele, visivelmente emocionado.

O Histórico de Jairinho

Jairinho iniciou sua carreira política em 2004, aos 27 anos, como o vereador mais votado do Partido Social Cristão (PSC) no Rio de Janeiro, seguindo os passos do pai, o deputado Coronel Jairo. Apesar de se formar em Medicina pela Unigranrio no mesmo ano, Jairinho optou por seguir carreira política, tornando-se uma figura influente na Câmara Municipal do Rio de Janeiro, onde chegou a ser líder do então prefeito Marcelo Crivella.

O histórico de Jairinho, no entanto, não é isento de controvérsias. Ele foi acusado de coagir testemunhas, como no caso de um alto executivo da área de saúde. Este teria sido abordado por Jairinho para evitar que o corpo de Henry fosse submetido à perícia no Instituto Médico-Legal (IML), onde as agressões foram confirmadas.

O Impacto das Novas Denúncias no Júri

A declaração de Leniel Borel sobre o suposto caso de uma menina que teria sido queimada por Jairinho pode influenciar significativamente o julgamento. Ainda que detalhes sobre o episódio não tenham sido divulgados, a alegação sobre um histórico de violência contra crianças reforça a narrativa da acusação de que Jairinho possui um comportamento sistemático de agressividade.

Especialistas em Direito Penal apontam que a apresentação de novos fatos durante o julgamento pode ser uma estratégia de impacto, especialmente se tais informações forem corroboradas por provas ou testemunhos. "Essa abordagem visa reforçar a imagem negativa do réu perante o júri e consolidar a tese acusatória", explicou a advogada criminalista Ana Paula Soares.

Repercussões e o Clamor Popular

O caso Henry Borel transcendeu os limites do tribunal e se tornou um marco na luta contra a violência infantil no Brasil. Manifestações populares têm sido recorrentes desde a morte do menino, com movimentos exigindo mais celeridade e rigor em casos de violência contra crianças.

No dia do julgamento, manifestantes se reuniram em frente ao Tribunal de Justiça do Rio com cartazes e palavras de ordem. O clamor social reflete a indignação com a lentidão do sistema jurídico e a brutalidade do crime.

A Visão do Especialista

O julgamento de Jairinho e Monique Medeiros não é apenas sobre a morte trágica de Henry Borel, mas também sobre a responsabilidade do sistema de justiça em proteger as crianças e garantir que crimes dessa magnitude não fiquem impunes. A revelação de Leniel Borel sobre outro suposto caso envolvendo Jairinho adiciona uma nova camada de complexidade e gravidade à análise do perfil do réu.

De acordo com especialistas, esse julgamento será um divisor de águas na forma como o Brasil lida com casos de violência contra crianças. A demora de cinco anos para a realização do júri expõe falhas no sistema jurídico, que precisa ser mais célere em casos que envolvam vítimas vulneráveis.

Conforme o julgamento avança, o país observa atentamente, esperando não apenas por justiça para Henry, mas também por um precedente que possa garantir maior proteção às crianças no futuro. O desfecho deste caso pode impactar diretamente a confiança da população na capacidade das instituições de proteger os mais vulneráveis.

Leniel Borel, pai de Henry, em tribunal, apresentando caso de menina queimada.
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