A disputa pela presidência do Peru chega ao seu momento decisivo com o 2º turno das eleições marcado para o próximo domingo, 7 de junho de 2026. Keiko Fujimori, candidata de direita pelo partido Fuerza Popular, e Roberto Sánchez, representante da esquerda pelo Juntos por el Perú, encerraram suas campanhas na última quinta-feira, 4 de junho. As pesquisas apontam um cenário de empate técnico, refletindo a polarização e a incerteza que dominam o cenário político do país.

Contexto histórico: Um país marcado pela instabilidade política
O Peru tem enfrentado uma das décadas mais turbulentas de sua história política recente. Desde 2016, nenhum presidente eleito conseguiu concluir seu mandato de cinco anos. O país teve oito presidentes em apenas dez anos, reflexo de um cenário político permeado por escândalos de corrupção, destituições e renúncias. Essa sequência de crises institucionais abalou a confiança da população nas lideranças políticas e nas instituições democráticas.
Keiko Fujimori, filha do ex-presidente Alberto Fujimori, carrega o peso do legado político de seu pai e a controvérsia em torno de sua administração. Por outro lado, Roberto Sánchez busca consolidar uma plataforma de esquerda, prometendo reformas sociais e econômicas para reduzir as desigualdades no país. Essa polarização entre direita e esquerda reflete um embate histórico no Peru, que se intensificou nas últimas décadas.

O impacto do 1º turno e os desafios da organização eleitoral
O primeiro turno das eleições, realizado em 12 e 13 de abril, foi marcado por uma apuração lenta e questionada. Com um total de 36 candidatos concorrendo à presidência, a dispersão de votos foi evidente. Keiko Fujimori liderou com 17,1% dos votos válidos, enquanto Roberto Sánchez garantiu a segunda posição com 12%, superando por uma margem mínima o ultraconservador Rafael López Aliaga, que obteve 11,9%.
O processo eleitoral foi acompanhado de perto por observadores internacionais, como a União Europeia, que descartaram irregularidades generalizadas. Contudo, problemas logísticos em Lima, que afetaram mais de 50 mil eleitores, e a demora na apuração, geraram questionamentos que culminaram com a renúncia de Piero Corvetto, chefe da autoridade eleitoral, em abril.
Empate técnico e a polarização do eleitorado
De acordo com pesquisa Ipsos divulgada em 4 de junho, Keiko Fujimori e Roberto Sánchez estão tecnicamente empatados. No levantamento mais recente, realizado em 3 de junho, Sánchez apareceu ligeiramente à frente com 43,8% das intenções de voto, enquanto Keiko registrou 43,2%. A margem de erro é de 2,1 pontos percentuais, o que mantém a indefinição sobre o resultado.
Outro ponto de destaque é o alto índice de eleitores indecisos ou que pretendem votar em branco ou nulo, que somam 13%. Esse dado é crucial em uma disputa tão acirrada e pode ser determinante para o resultado final.
Segurança pública e corrupção: Temas centrais na campanha
A segurança pública e a corrupção foram os temas mais debatidos na reta final das campanhas. Segundo o Instituto Nacional de Estadística e Informática (INEI), as notificações de extorsão subiram 20% em 2025 em relação ao ano anterior. Além disso, a taxa de homicídios em Lima alcançou 23 por 100 mil habitantes, três vezes maior do que há cinco anos.
Keiko Fujimori defende medidas severas contra o crime organizado e a manutenção de uma política econômica liberal. Já Roberto Sánchez propõe a implementação da chamada "morte civil", que impediria corruptos condenados de exercerem funções públicas de forma definitiva, além de reformas estruturais para combater a desigualdade e melhorar os serviços públicos.
Impactos econômicos e sociais
Apesar da instabilidade política, a economia peruana tem demonstrado resiliência. Relatórios internacionais, como o BTI 2026 Country Report, apontam para uma estabilidade macroeconômica, embora o crescimento econômico seja acompanhado por desigualdades persistentes. O próximo presidente enfrentará o desafio de equilibrar a recuperação econômica com demandas sociais urgentes.
Visão internacional sobre as eleições peruanas
A comunidade internacional observa com atenção o desenrolar das eleições no Peru. O país é um dos maiores produtores de cobre no mundo, e sua estabilidade política é crucial para os mercados globais de commodities. Além disso, a posição geopolítica do Peru na América Latina, em um momento de crescente polarização política na região, adiciona uma camada de complexidade ao processo eleitoral.
A dinâmica do eleitorado e as incertezas do 2º turno
Com cerca de 27 milhões de eleitores obrigados a votar, o Peru vivencia um cenário onde a decisão de uma pequena parcela da população pode determinar o futuro do país. Ambos os candidatos possuem bases eleitorais fiéis, mas a conquista dos indecisos e dos eleitores que optaram por outros candidatos no primeiro turno será decisiva.
A Visão do Especialista
O empate técnico às vésperas do 2º turno reflete não apenas a polarização política do Peru, mas também o desgaste institucional que o país enfrenta. Independentemente de quem vencer, o próximo presidente terá o desafio monumental de restaurar a confiança na democracia peruana, implementar reformas estruturais e lidar com problemas crônicos como a corrupção e a insegurança pública.
A incerteza é o maior adversário no atual cenário político peruano, e o resultado desta eleição poderá redefinir os rumos do país na próxima década. Para o eleitorado, a escolha vai além de nomes: trata-se de decidir entre duas visões de futuro profundamente distintas.

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