Petrobras elevou o preço médio de venda do querosene de aviação (QAV) em 18%, acrescentando R$ 1,00 por litro ao valor praticado no mês anterior. O reajuste entrou em vigor ontem (02/05/2026) e já está sendo repassado às distribuidoras.
Contexto histórico e geopolítico
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Desde o início do conflito entre Estados Unidos, Israel e Irã, a Petrobras já aplicou dois aumentos significativos no QAV. Em abril, o combustível subiu 54% e, no último mês, o preço do barril de Brent ultrapassou US$ 110, pressionando os custos internos.

O peso do QAV nas companhias aéreas
A Abear estima que o QAV representa quase 50% dos custos operacionais das companhias, e o novo ajuste duplica esse gasto. O aumento de 100% no principal item de custo pode reduzir a margem de lucro já apertada após a pandemia.
Impacto direto no bolso do passageiro

Os reajustes acumulados podem elevar o preço das passagens em até 10%, refletindo no índice de preços ao consumidor (IPCA). Se integralmente repassado, o aumento de 0,1% a 0,2% no IPCA pode ser sentido nas tarifas aéreas nas férias de julho.
Estratégia de parcelamento da Petrobras
A estatal permitirá parcelar parte do reajuste em seis vezes, com a primeira parcela prevista para julho de 2026. Essa medida visa suavizar o choque imediato, mas o custo total será distribuído ao longo do próximo ano.
Análise de custo‑benefício para o consumidor
Embora o parcelamento dilua o impacto, o aumento de R$ 1,00 por litro eleva o custo total de um voo doméstico médio em cerca de R$ 30 a R$ 50. Para viagens de negócios, esse acréscimo pode representar perdas significativas nas contas corporativas.
Comparativo de preços internacionais e defasagem interna
| Item | Preço antes | Preço depois | Variação |
|---|---|---|---|
| QAV (R$/L) | 4,50 | 5,50 | +22,2% |
| Barrel Brent (US$) | 110 | 108,17 | -1,7% |
| Defasagem diesel (%) | 48% abaixo da paridade | ||
| Defasagem gasolina (%) | 69% abaixo da paridade | ||
Mesmo com a queda de 2% no Brent, a defasagem entre preços internos e internacionais permanece alta, limitando a capacidade de absorção de custos.
Opiniões de especialistas
Juliana Inhasz (Insper) alerta que os dois últimos reajustes já representam um aumento de 80% no custo do combustível. Ela destaca que esse peso já está presente no grupo transportes do IPCA, ampliando a pressão inflacionária.
Repercussões na política monetária
O aumento do QAV complica a tarefa do Banco Central, que recentemente reduziu a Selic para 14,50% ao ano. Economistas como Fábio Romão preveem que a inflação pode subir para 5% em 2026, exigindo novos cortes na taxa básica.
Risco de redução de oferta e conectividade
Com margens apertadas, as companhias aéreas podem cortar rotas menos lucrativas, afetando destinos regionais. A redução de voos pode elevar ainda mais o preço das passagens nas rotas restantes.
Medidas governamentais e limitações
O governo já zerou PIS/Cofins sobre o QAV até 31/05 e liberou crédito de R$ 9 bi via BNDES, mas a ajuda setorial ainda é insuficiente. A concentração do mercado aéreo impede que os benefícios sejam repassados integralmente ao consumidor.
A Visão do Especialista
O cenário indica que o aumento de 18% no querosene de aviação será absorvido parcialmente pelos passageiros, mas a pressão sobre a inflação e a Selic tende a se intensificar. A curto prazo, o parcelamento proposto pela Petrobras pode aliviar o choque no caixa das companhias, porém, a médio e longo prazo, a combinação de custos de combustível, defasagem de preços e instabilidade geopolítica exigirá ajustes de tarifas e possíveis revisões de políticas fiscais para evitar um efeito cascata no bolso do brasileiro.

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