Em 28 de maio de 2026, a Polícia Federal (PF) e a Controladoria‑Geral da União (CGU) iniciaram a nova fase da Operação Sem Desconto, mirando três entidades ligadas a fraudes de descontos indevidos no INSS. Foram cumpridos 31 mandados de busca e apreensão, oito ordens de monitoramento eletrônico e outras medidas em Pernambuco, São Paulo, Paraíba e no Distrito Federal.
Operação Sem Desconto: evolução e histórico
A operação, que já atravessou duas fases, nasceu em 2023 como resposta ao aumento de denúncias de descontos ilegais em benefícios previdenciários. Desde então, a PF tem desvendado esquemas que desviam recursos de aposentados e pensionistas, revelando vulnerabilidades sistêmicas no cruzamento de dados entre o INSS e entidades privadas.
Entidades sob foco: quem são os alvos?
Amar/Masterprev, Abapen e Unibap foram apontadas como protagonistas de um complexo de fraudes que utiliza documentos falsos e contratos simulados. Cada uma delas atua em segmentos distintos – planos de previdência complementar, associações de pensionistas e cooperativas de crédito – mas compartilham a prática de repassar descontos ao INSS sem autorização dos beneficiários.
Mandados e ações judiciais
O Supremo Tribunal Federal (STF) autorizou medidas cautelares que permitem o bloqueio de ativos e a apreensão de documentos críticos. As decisões reforçam a necessidade de preservação de provas digitais e físicas para sustentar processos criminais contra os dirigentes.
| Estado | Mandados de Busca | Monitoramento Eletrônico |
|---|---|---|
| Pernambuco | 9 | 2 |
| São Paulo | 12 | 3 |
| Paraíba | 5 | 1 |
| Distrito Federal | 5 | 2 |
Impacto no mercado de previdência
Investidores e participantes de planos de previdência estão apreensivos diante da possibilidade de perdas financeiras e de confiança institucional. A suspeita de conluio entre gestores de fundos e empresas de serviços auxiliares pode desencadear reavaliações de rating e migrações de carteira.
Reação das entidades investigadas
Amar/Masterprev negou qualquer irregularidade, alegando que os descontos são fruto de acordos legítimos com sindicatos. A Abapen, por sua vez, afirmou que está cooperando com as autoridades, enquanto a Unibap solicitou a suspensão das buscas, argumentando violação de sigilo bancário.
Especialistas analisam o caso
Segundo o professor de direito previdenciário da USP, Dr. Marcelo Lira, a operação evidencia lacunas na fiscalização conjunta entre a Receita Federal e o INSS. Ele recomenda a criação de um banco de dados unificado que cruze informações de contribuições, benefícios e contratos de terceiros.
Dados de fraudes anteriores
Entre 2020 e 2025, mais de R$ 1,2 bilhão foi desviado em esquemas semelhantes, segundo relatório da CGU. O número de denúncias cresceu 38 % no último ano, refletindo maior conscientização dos beneficiários e maior capacidade de rastreamento digital.
- 2023 – Primeira fase da Operação Sem Desconto: 18 mandados, foco em Amar.
- 2024 – Segunda fase: 24 mandados, inclusão de cooperativas de crédito.
- 2025 – Ampliação para fraudes em benefícios de auxílio‑doença.
- 2026 – Atual fase: 31 mandados, alvo em três entidades principais.
Consequências para aposentados e pensionistas
Beneficiários que tiveram descontos indevidos podem solicitar a restituição integral, mas o processo judicial pode levar até dois anos. Enquanto isso, órgãos de defesa do consumidor intensificam campanhas de orientação sobre como identificar cobranças suspeitas.
Monitoramento eletrônico e futuro das investigações
Os oito dispositivos de rastreamento eletrônico instalados permitem a coleta de dados em tempo real sobre movimentações financeiras das empresas investigadas. Essa tecnologia deve servir de base para futuras fases da operação, ampliando o alcance para outras regiões do país.
A Visão do Especialista
Para o consultor de compliance, André Silva, a Operação Sem Desconto marca um ponto de inflexão na luta contra a corrupção previdenciária. Ele alerta que, sem reformas legislativas que fortaleçam a integração de bases de dados e aumentem as penas, os criminosos adaptarão seus métodos, exigindo vigilância contínua das autoridades.
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