O parecer da PGR, assinado por Paulo Gonet, foi enviado ao STF nesta quarta‑feira (18/04/2026) e reforça a tese do Flamengo para ser reconhecido como campeão brasileiro de 1987 ao lado do Sport. O pedido visa anular a resolução da CBF de 2011 que reconheceu apenas o Sport, reabrindo uma disputa judicial que dura quase quatro décadas.

O pano de fundo do Campeonato de 1987

Em 1987 a CBF enfrentava grave crise financeira, o que levou o Clube dos 13 a organizar a Copa União, também conhecida como Módulo Verde. O torneio reuniu as principais equipes do país, sendo vencido pelo Flamengo, que conquistou 23 pontos em 22 jogos.

Os dois módulos: Verde e Amarelo

Paralelamente, a CBF manteve o Módulo Amarelo, composto por clubes de menor expressão, cujo campeão foi o Sport. O regulamento previa um quadrangular entre os dois primeiros de cada módulo, mas Flamengo e Internacional recusaram‑se a participar, gerando impasse.

Decisões da CBF e a resolução de 2011

A CBF, em fevereiro de 2011, editou a Resolução nº 02/2011 reconhecendo Flamengo e Sport como co‑campeões de 1987. Quatro meses depois, após pressão da Justiça Federal de Pernambuco, a entidade revogou a decisão e declarou exclusivamente o Sport como campeão.

A jurisprudência do STF

O Supremo Tribunal Federal, em sua Primeira Turma, julgou em abril de 2017 que a CBF não poderia reconhecer outro clube como campeão, anulando a resolução de 2011. Em maio de 2024, a Segunda Turma reafirmou a decisão, rejeitando novamente o pedido do Flamengo.

Parecer da PGR em 2026

Paulo Gonet argumenta que a decisão de 2017 errou ao entender que a CBF ficaria impedida de conceder título compartilhado. O parecer propõe afastar a nulidade da resolução, mantendo o reconhecimento ao Sport, mas permitindo que o Flamengo também seja declarado campeão.

Implicações estatísticas e a Taça das Bolinhas

Com o reconhecimento de 1987, o Flamengo alcançaria nove títulos nacionais, ultrapassando o São Paulo na corrida pela Taça das Bolinhas. O troféu, destinado ao primeiro clube a conquistar cinco Brasileiros, seria atribuído ao rubro‑negro, reforçando sua posição histórica.

Impacto no mercado e nos direitos de transmissão

Um título adicional eleva o valor de negociação de patrocínios, merchandising e direitos de TV, estimado em cerca de R$ 12 milhões para o clube. Investidores veem a disputa como fator de risco, mas também como oportunidade de alavancar a marca Flamengo.

Visão de especialistas e analistas

Consultores de direito esportivo apontam que a decisão da PGR pode abrir precedente para revisões de outros campeonatos controversos. Já técnicos enfatizam que o reconhecimento não altera a tática histórica do time de 1987, mas reforça a identidade vencedora.

Comparativo de reconhecimentos

EntidadeReconhecimento 1987Ano da Decisão
CBF (Resolução 02/2011)Co‑campeões (Flamengo & Sport)2011
Justiça Federal de PESport único2011
STF – Primeira TurmaAnulação da CBF2017
STF – Segunda TurmaSport único (rejeição Flamengo)2024
PGR (Parecer)Possível título compartilhado2026

Possíveis cenários futuros

Se o STF acolher o parecer da PGR, o Flamengo será inserido oficialmente na lista de campeões, exigindo ajustes nas estatísticas oficiais da CBF. Caso contrário, a disputa permanecerá no âmbito judicial, mantendo o status quo.

A Visão do Especialista

Do ponto de vista tático‑estatístico, a inclusão do título de 1987 eleva o Flamengo ao topo da tabela histórica de títulos nacionais, impactando rankings de ELO e coeficientes de desempenho. No entanto, o maior desafio será a consolidação jurídica: a decisão final do STF determinará se o reconhecimento será simbólico ou se trará repercussões financeiras concretas, como a redistribuição de receitas de transmissão e a elegibilidade para a Taça das Bolinhas. O clube deve preparar estratégias de comunicação para capitalizar o possível reconhecimento e mitigar riscos de instabilidade institucional.

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