O Partido Liberal (PL) protocolou, junto ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE), uma ação para questionar a validade da pesquisa eleitoral realizada pela AtlasIntel, em parceria com a Bloomberg, divulgada em 1º de julho de 2026. A legenda alega inconsistências no registro do levantamento, incluindo ausência de documentação técnica e possíveis falhas metodológicas. O caso foi distribuído para a relatoria do ministro André Mendonça no dia 15 de julho.

O que motivou a ação do PL contra a pesquisa

De acordo com o PL, o registro da pesquisa no sistema PesqEle, sob o número BR-04582/2026, apresenta supostos "vícios de auditabilidade e confiabilidade". Em especial, o partido aponta a ausência de arquivos técnicos obrigatórios que detalhem a abrangência territorial e demográfica, além de falhas no questionário aplicado, como sobreposição de faixas de renda e categorias educacionais.

A legenda também levantou dúvidas sobre a coleta de dados, sugerindo que parte das informações pode ter sido obtida fora do período permitido pela legislação. Com base nessas alegações, o PL solicitou ao TSE uma série de medidas, incluindo:

  • A apresentação integral de documentos de controle e arquivos técnico-demográficos pela AtlasIntel;
  • Que o TSE certifique a suposta omissão de dados no sistema PesqEle;
  • A realização de auditoria técnica ou perícia sobre o algoritmo utilizado pelo instituto;
  • A aplicação de multa e equiparação da pesquisa a um levantamento não registrado.

A resposta da AtlasIntel às acusações

Em comunicado oficial, a AtlasIntel afirmou que todos os arquivos exigidos pela legislação eleitoral foram devidamente submetidos e que o problema se deve a uma falha técnica no sistema do TSE. Segundo a empresa, os dados estão disponíveis na área restrita do portal, mas não aparecem na visualização pública, o que seria um comportamento atípico da plataforma.

A nota também destacou a disposição do instituto em colaborar com a Justiça Eleitoral, afirmando que o fortalecimento dos mecanismos de registro e fiscalização beneficia a sociedade como um todo. O CEO da AtlasIntel, Andrei Roman, se manifestou nas redes sociais, reiterando que a empresa "não mudará sua metodologia nem cederá a pressões políticas, econômicas ou judiciais."

Contexto histórico e desdobramentos recentes

Esta é a segunda vez em dois meses que a AtlasIntel enfrenta questionamentos do PL. No final de maio, o partido já havia solicitado a suspensão de outro levantamento da empresa, que apontava queda na popularidade do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) após a divulgação de denúncias relacionadas ao empresário Daniel Vorcaro.

Na ocasião, uma liminar foi concedida pelo ministro Nunes Marques, suspendendo temporariamente a divulgação da pesquisa. Contudo, a decisão foi criticada pelo Ministério Público Eleitoral (MPE), que recomendou sua revogação. O julgamento desse primeiro caso foi adiado por um pedido de vista da ministra Estela Aranha.

Impactos no cenário político

O mais recente levantamento da AtlasIntel, alvo da nova ação judicial, apresenta o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) liderando a corrida presidencial com 46,3% das intenções de voto no primeiro turno, enquanto Flávio Bolsonaro aparece com 36,6%. Em um eventual segundo turno, Lula ampliaria sua vantagem, alcançando 48,8% contra 42,3% do adversário.

Esses números reforçam a percepção de crescimento da popularidade de Lula, especialmente entre eleitores independentes, enquanto indicam uma possível fragilidade na base de apoio a Flávio Bolsonaro. A iniciativa do PL em contestar a pesquisa é vista por analistas como uma tentativa de desacreditar os resultados desfavoráveis ao senador.

O papel do TSE na regulamentação das pesquisas

A legislação eleitoral brasileira exige que todos os institutos que realizem pesquisas eleitorais registrem previamente dados técnicos no sistema PesqEle, incluindo a metodologia, abrangência territorial e perfis demográficos da amostra. O objetivo é garantir a transparência do processo e permitir auditorias por parte de partidos, candidatos e órgãos fiscalizadores.

Especialistas em direito eleitoral ponderam que o caso envolvendo a AtlasIntel pode levar o TSE a revisar e aprimorar os procedimentos de registro e fiscalização, estabelecendo precedentes para futuras pesquisas. Integrantes da corte já manifestaram interesse em ouvir especialistas antes de tomar uma decisão definitiva sobre o caso.

Próximos passos no julgamento

O relator do caso, ministro André Mendonça, deverá analisar as alegações do PL, bem como os documentos e explicações apresentados pela AtlasIntel. A decisão final caberá ao plenário do TSE, que poderá estabelecer um novo marco regulatório para pesquisas eleitorais em situações semelhantes.

Enquanto isso, o Ministério Público Eleitoral deve emitir parecer técnico sobre o caso, o que pode influenciar significativamente o julgamento. A expectativa é que a decisão do TSE sirva de parâmetro para outras disputas envolvendo pesquisas eleitorais no futuro.

A visão do especialista

O episódio envolvendo o PL e a AtlasIntel reforça a crescente judicialização do processo eleitoral no Brasil, algo que tem se tornado comum nos últimos anos. Especialistas apontam que, independentemente do desfecho, o caso pode contribuir para o fortalecimento das regras que regem as pesquisas eleitorais, aumentando a segurança jurídica para institutos e candidatos.

Por outro lado, há o risco de que disputas como essa sejam utilizadas como estratégia política para deslegitimar resultados desfavoráveis. Nesse contexto, o papel do TSE será crucial para equilibrar os interesses das partes envolvidas e garantir a integridade do processo eleitoral.

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