A cúpula do PL e os partidos do Centrão vêm tentando minimizar a recente queda do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) nas pesquisas de intenção de voto divulgadas pelo Datafolha, que apontaram uma vantagem de quatro pontos percentuais para o atual presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) em um possível segundo turno. Apesar da aparente confiança, cresce, nos bastidores, o temor de que novos desdobramentos do caso "Dark Horse" possam comprometer ainda mais a viabilidade da candidatura de Flávio à presidência em 2026.

Políticos brasileiros se reúnem em torno de dados estatísticos em um ambiente de notícia jornalística.
Fonte: oglobo.globo.com | Reprodução

Os números por trás da pesquisa Datafolha

De acordo com o levantamento do Datafolha divulgado em 24 de maio de 2026, Lula aparece com 47% das intenções de voto, enquanto Flávio Bolsonaro registra 43%. Esse resultado representa uma queda de dois pontos percentuais em relação à pesquisa anterior, na qual ambos estavam tecnicamente empatados com 45% cada. Embora a diferença ainda esteja dentro da margem de erro, o recuo do senador foi suficiente para acender o alerta entre lideranças do PL e do Centrão.

Segundo aliados de Flávio, o impacto das recentes denúncias era esperado, mas há quem considere que a crise pode se aprofundar caso novas informações comprometam ainda mais a imagem do senador. A principal preocupação está relacionada à possibilidade de divulgação de materiais mais comprometedores sobre a relação de Flávio com o banqueiro Daniel Vorcaro, personagem central do escândalo "Dark Horse".

O escândalo "Dark Horse" e suas consequências

O caso "Dark Horse" veio à tona com a divulgação de áudios e mensagens que sugerem cobranças de dinheiro por parte de Flávio Bolsonaro ao banqueiro Daniel Vorcaro, do Banco Master. Os recursos supostamente seriam destinados à produção de um filme sobre a trajetória política do ex-presidente Jair Bolsonaro, pai de Flávio. A revelação gerou grande repercussão na mídia e entre os eleitores, enfraquecendo a confiança de setores políticos que anteriormente apoiavam o senador.

O caso também provocou tensões dentro do próprio Centrão. Partidos como o Progressistas (PP) e o União Brasil, que compõem a federação União-PP, demonstraram desconforto com o manejo da crise por parte de Flávio. A proximidade de figuras como Ciro Nogueira e Antonio Rueda com o banco Master também trouxe à tona questionamentos adicionais, criando um ambiente de instabilidade entre as lideranças.

A resposta do PL e a sombra de Michelle Bolsonaro

Apesar do clima de incerteza, a cúpula do PL insiste que a candidatura de Flávio Bolsonaro ainda é viável. Para Valdemar Costa Neto, presidente do partido, a queda nas pesquisas é vista como "recuperável", desde que novas informações comprometedoras não venham à tona. No entanto, o nome de Michelle Bolsonaro continua sendo ventilado como uma possível alternativa, caso o cenário se deteriore ainda mais.

Michelle é considerada uma figura carismática e com forte apelo popular, sobretudo entre o eleitorado evangélico. Contudo, sua atuação política ainda está limitada ao Distrito Federal, onde deve disputar uma vaga ao Senado. Interlocutores do PL temem que uma projeção nacional de Michelle possa acabar ofuscando Flávio e dividir o eleitorado bolsonarista, o que poderia enfraquecer o grupo político como um todo.

O impacto estratégico na campanha de 2026

O impacto do caso "Dark Horse" obrigou a campanha de Flávio Bolsonaro a revisar completamente sua estratégia para as eleições de 2026. Segundo fontes próximas ao senador, o momento é de cautela, com foco na reestruturação do planejamento político e na recuperação da imagem perante o eleitorado e os aliados. A campanha, que já previa um início difícil, agora enfrenta o desafio adicional de lidar com a dúvida sobre a capacidade de Flávio atrair apoio e votos suficientes para uma possível vitória.

Especialistas políticos avaliam que a queda nas pesquisas é um reflexo do desgaste causado pelo caso e pela cobertura midiática intensa, mas destacam que o cenário ainda pode mudar. "Estamos em uma fase de pré-campanha, onde a exposição nos debates e na mídia de massa terá um papel crucial para moldar as intenções de voto", afirmou o cientista político Rodrigo Soares, da Universidade de Brasília (UnB).

Visão do mercado e o papel do Centrão

Enquanto o PL e Flávio tentam conter os danos, o Centrão adota uma postura de cautela. A federação União Brasil-PP, que anteriormente considerava indicar um vice para a chapa de Flávio, agora hesita em consolidar seu apoio. A movimentação política nos bastidores do bloco indica que o apoio ao senador pode ser revisto, principalmente se novos desdobramentos comprometedores vierem à tona.

No mercado financeiro, o caso "Dark Horse" também gerou ruídos. Investidores demonstraram preocupação com a instabilidade política e a falta de clareza sobre os rumos da candidatura de Flávio, o que poderia impactar a previsibilidade do cenário econômico brasileiro nos próximos anos. "O mercado não tolera incertezas, e o que estamos vendo é um cenário de fragmentação política", comentou a economista Mariana Costa, do Instituto de Pesquisas Econômicas e Sociais.

A Visão do Especialista

A queda de Flávio Bolsonaro nas pesquisas, embora seja considerada recuperável por seus aliados, evidencia o impacto que escândalos podem ter na construção de uma candidatura presidencial. O caso "Dark Horse" não apenas abalou a imagem do senador, mas também expôs fissuras dentro do grupo político que o apoia, sobretudo no Centrão.

Para reverter a tendência, será crucial que a campanha de Flávio invista em uma estratégia de reconstrução de confiança, tanto com o eleitorado quanto com os aliados políticos. Caso contrário, o PL pode se ver diante de uma encruzilhada: insistir na candidatura do senador e correr o risco de um desempenho abaixo do esperado ou apostar em um novo nome, como Michelle Bolsonaro, para manter a competitividade no pleito de 2026.

O desenrolar das investigações envolvendo o caso "Dark Horse" será determinante para o futuro da candidatura de Flávio. Se novos fatos comprometedores surgirem, o impacto nas intenções de voto poderá ser irreversível, e a narrativa de resiliência construída até aqui perderá força. Por isso, o próximo semestre será decisivo para o senador, que precisará demonstrar habilidade política e capacidade de articulação para superar a crise e manter seu nome na disputa.

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