O reajuste médio dos planos de saúde coletivos em 2026 desacelerou pela primeira vez em cinco anos, atingindo 9,9%. Apesar de ser o menor índice registrado desde 2021, o aumento ainda é mais que o dobro da inflação oficial acumulada no período, que foi de 3,81%, segundo dados divulgados recentemente pela Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS). Este reajuste, aplicado nos dois primeiros meses do ano, afeta diretamente 1,2 milhão de beneficiários apenas no estado em análise, sendo que a maior parte corresponde a planos coletivos empresariais.

O que são planos de saúde coletivos?

Os planos de saúde coletivos são contratos firmados entre operadoras de saúde e pessoas jurídicas, como empresas, associações, sindicatos ou entidades de classe. Eles são divididos em duas categorias principais: planos coletivos empresariais, oferecidos por empresas a seus funcionários, e planos coletivos por adesão, contratados por grupos de afinidade, como sindicatos ou associações.

Uma característica que diferencia esses planos dos individuais é a forma de reajuste. Nos planos individuais, a ANS define um índice máximo de reajuste anual. Já nos planos coletivos, esse percentual é negociado diretamente entre a operadora e a pessoa jurídica contratante, com base em cláusulas contratuais.

Entenda os fatores que influenciam o reajuste

Os reajustes dos planos coletivos são calculados com base em uma série de fatores, incluindo:

  • Sinistralidade: Refere-se à frequência e ao custo de utilização dos serviços de saúde pelos beneficiários do plano.
  • Inflação médica: O aumento geral dos custos de serviços e insumos na área da saúde, como consultas, internações e medicamentos.
  • Indicadores econômicos: O Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) e outros índices econômicos podem ser utilizados como referência para os cálculos.

Segundo especialistas, um dos maiores desafios é a falta de transparência nos cálculos apresentados pelas operadoras, o que pode levar a aumentos considerados abusivos pelos consumidores.

Por que os reajustes de planos coletivos são mais altos?

De acordo com o advogado Breno Cuzzuol, os planos coletivos tendem a sofrer reajustes mais elevados porque não estão sujeitos ao teto de aumento imposto pela ANS, como ocorre nos planos individuais. Isso deixa os contratantes mais vulneráveis, já que os percentuais de aumento podem alcançar até 20% em alguns casos.

"Se a operadora entender, com base nos cálculos dela, que precisa aplicar um aumento significativo para manter o equilíbrio do contrato, esse percentual poderá ser aplicado. Porém, os consumidores têm o direito de exigir a memória de cálculo e buscar revisão judicial se considerarem o aumento abusivo", explica Cuzzuol.

O impacto no mercado e no consumidor

Embora o reajuste de 9,9% em 2026 seja menor que os registrados em anos anteriores, ele ainda representa um peso significativo no orçamento das empresas e dos beneficiários. Em comparação, o índice de reajuste dos planos individuais, limitado pela ANS, foi de 6,06% neste ano.

Esse descompasso tem levado muitos consumidores a questionar os critérios de reajuste e, em alguns casos, a recorrer à justiça. Além disso, o aumento constante nos custos dos planos coletivos pode levar empresas e associações a reduzirem ou até suspenderem este benefício para seus colaboradores e associados.

Planos coletivos e "falsos coletivos"

Um ponto de alerta para os consumidores é a prática conhecida como "falso coletivo". Nessa modalidade, planos são comercializados como coletivos empresariais ou por adesão, mas abrangem apenas o titular e seus familiares. Essa prática pode ser considerada abusiva, e a especialista em Direito do Consumidor Samira Dummond orienta que os consumidores procurem o Judiciário para contestar reajustes excessivos nessas condições.

Regras da ANS para maior transparência

Embora os planos coletivos tenham maior liberdade para definir reajustes, a ANS estabelece algumas regras que devem ser seguidas pelas operadoras:

  • Comunicação prévia do índice aplicado, com no mínimo 30 dias de antecedência.
  • Disponibilização da metodologia utilizada para cálculo do reajuste.
  • Indicação clara do percentual de aumento no boleto ou fatura enviada ao contratante.

Essas medidas visam aumentar a transparência e permitir que as empresas e associações possam avaliar a necessidade e a proporcionalidade dos reajustes aplicados.

Comparativo dos reajustes nos últimos anos

Os reajustes médios dos planos coletivos ao longo dos últimos 10 anos demonstram uma tendência de alta, com alguns anos registrando aumentos superiores a 14%. Confira os dados:

Ano Reajuste Médio (%)
2016 15,74
2017 14,24
2018 11,96
2019 10,55
2020 7,71
2021 6,43
2022 11,48
2023 14,13
2024 13,18
2025 10,76
2026 9,90

A Visão do Especialista

A desaceleração do reajuste médio dos planos coletivos em 2026 é um sinal positivo, mas insuficiente para aliviar o impacto no orçamento das empresas e consumidores. O índice de 9,9% ainda está muito acima da inflação e aponta para um desafio estrutural no setor de saúde suplementar no Brasil.

É fundamental que os consumidores estejam atentos aos reajustes aplicados, solicitando a memória de cálculo e avaliem a possibilidade de contestar aumentos considerados abusivos na Justiça. Além disso, uma maior regulação dos planos coletivos, à semelhança do que ocorre com os planos individuais, poderia ajudar a equilibrar os interesses de operadoras e beneficiários no longo prazo.

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