Três mulheres foram detidas na última sexta‑feira (22) em Serrinha, na região sisaleira, sob acusação de lavagem de dinheiro e organização criminosa. A ação faz parte da Operação Asfixia, coordenada pela Polícia Civil da Bahia.

Operação Asfixia: o marco da repressão

A Operação Asfixia, iniciada em maio de 2026, visa desarticular redes de tráfico de drogas que utilizam o Pix para ocultar recursos ilícitos. A operação contou com o apoio do Gatti/Sisal e da 15ª Coorpin/Serrinha.

Perfil das detidas

As suspeitas, de 24, 31 e 39 anos, integravam o núcleo financeiro da quadrilha. Cada uma desempenhava funções específicas, desde a recepção de drogas até a conversão dos lucros em ativos legais.

Estrutura hierárquica da organização

Investigações revelaram um modelo de comando dividido em liderança, braço operacional, apoio logístico e núcleo financeiro. Essa divisão permitia maior resiliência frente a investidas policiais.

Esquema de lavagem de dinheiro

O grupo utilizava transferências bancárias fracionadas via Pix, distribuindo pequenos valores para dificultar o rastreamento. Em média, 15 a 20 transações diárias eram realizadas, totalizando cerca de R$ 250 mil mensais.

Sequestro judicial do veículo

Um carro avaliado em R$ 35 mil foi apreendido como parte das medidas cautelares. O bem foi adquirido com recursos provenientes do tráfico e servia como "cobertura" para movimentações financeiras.

IdadeCargo na quadrilhaAcusação
24Operadora de PixLavagem de dinheiro
31Coordenadora logísticaOrganização criminosa
39Gestora de ativosLavagem de dinheiro

Outras prisões relacionadas

Além das três mulheres, mandados foram cumpridos em Barreiras, Feira de Santana e outra em Serrinha. Os alvos eram supostos líderes da mesma rede criminosa.

Participação das unidades policiais

A 1ª Delegacia Territorial de Serrinha liderou a investigação, contando com o Grupo de Apoio Técnico e Tático à Investigação (Gatti) e o Núcleo de Inteligência da 15ª Coorpin. A cooperação interinstitucional foi decisiva para o sucesso da operação.

Contexto histórico da região sisaleira

Nos últimos dez anos, a região sisaleira tem sido um corredor estratégico para o tráfico de cocaína e maconha. Operações anteriores, como a "Sombra Verde" (2021), já sinalizavam a necessidade de intervenções mais robustas.

Repercussão econômica e no mercado

A descoberta de um esquema de lavagem envolvendo o Pix gerou preocupação entre bancos e fintechs. A Associação Baiana de Bancos já sinalizou a revisão de protocolos de monitoramento de transações de baixo valor.

Análise de especialistas

Criminologistas apontam que a fragmentação de pagamentos via Pix representa uma nova fronteira na criminalidade financeira. Segundo a Dra. Marina Lopes, professora da UFBA, "a tecnologia, quando mal utilizada, amplia o alcance das organizações ilícitas".

Implicações jurídicas

As acusações de organização criminosa e lavagem de dinheiro trazem penas que podem chegar a 12 anos de reclusão, conforme a Lei 12.850/2013. O sequestro judicial do veículo reforça a estratégia de confisco de bens ilícitos.

A Visão do Especialista

Para o advogado criminalista Dr. Carlos Menezes, a Operação Asfixia marca um ponto de inflexão no combate ao uso de plataformas digitais para crimes financeiros. Ele ressalta que a integração entre inteligência policial e tecnologia bancária será crucial nos próximos anos, sobretudo diante da popularização de pagamentos instantâneos.

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