Nos últimos anos, a inteligência artificial (IA) tem sido amplamente adotada por empresas de todos os portes, prometendo revolucionar processos e aumentar a produtividade. Contudo, um novo relatório do Goldman Sachs aponta que o uso de IA agêntica pode elevar o consumo de tokens em até 24 vezes nos próximos anos, levando grandes companhias como Uber e Microsoft a repensarem seus gastos com essa tecnologia. Mas por que esse movimento está acontecendo agora? Vamos explorar os detalhes e as implicações dessa revisão estratégica.

Recomendação Viralink
Interruptor Smart Wifi Inteligente Touch Nova Digital 3 botões Lite BR 4x2

Interruptor Smart Wifi Inteligente Touch Nova Digital 3 b...

Domine sua iluminação com apenas um toque, sem mais perdas de tempo ou dinheiro.

R$ 78,00 Pegar Oferta

Entenda o impacto no mercado

A escalada dos custos com IA agêntica já começa a impactar os orçamentos de gigantes da tecnologia. Um exemplo emblemático é o caso da Uber, onde mais de 80% dos engenheiros utilizam IA agêntica e mais de 60% do código é gerado automaticamente por essas ferramentas. Apesar do aumento na produção de código, o CTO Praveen Neppalli Naga revelou que o orçamento anual da empresa para 2026 foi esgotado em abril, sem que os investimentos se traduzissem em melhorias significativas para os usuários.

O COO da Uber, Andrew Macdonald, admitiu em entrevista ao Business Insider que era difícil medir o impacto prático da maior produção de código. Isso levanta questões sobre o verdadeiro retorno sobre o investimento (ROI) na adoção de IA em escala.

Microsoft e a mudança para ferramentas próprias

A Microsoft, outra gigante do setor, também entrou na onda de revisão de gastos. Em maio de 2026, a empresa começou a revogar o acesso de seus desenvolvedores ao Claude Code, planejando migrar completamente para sua solução interna, o Copilot CLI, até o fim de junho. Apesar de alegar que o objetivo é consolidar as ferramentas internas, o movimento coincide com o final do ano fiscal, levantando suspeitas de que questões financeiras tenham sido determinantes.

A empresa também anunciou mudanças no modelo de cobrança do Copilot no GitHub, migrando para uma base de tokens devido ao aumento expressivo nos custos operacionais. O caso da Microsoft e da Uber evidencia um padrão emergente: os gastos com IA agêntica estão superando os benefícios na prática.

O que torna a IA agêntica tão cara?

O aumento nos custos está diretamente ligado ao funcionamento dos agentes de IA. Diferentemente de chatbots convencionais, que respondem a comandos simples, os agentes de IA são projetados para realizar tarefas autônomas complexas, exigindo poder computacional significativamente maior. Segundo o relatório do Goldman Sachs, esses agentes podem consumir até mil vezes mais tokens por interação, ampliando o impacto financeiro.

Um exemplo impressionante foi dado por Peter Steinberger, fundador do OpenClaw e funcionário da OpenAI, que revelou ter gasto US$ 1,3 milhão em tokens em apenas um mês para rodar ferramentas agênticas em sua equipe de três pessoas. Esses números ilustram o potencial de crescimento exponencial dos gastos com IA quando não há controle rigoroso.

Discurso corporativo versus realidade

Apesar do alto consumo de recursos, muitos líderes empresariais ainda veem isso como positivo, associando o investimento elevado à eficiência. Jensen Huang, CEO da Nvidia, declarou que ficaria preocupado se um engenheiro ganhando US$ 500 mil por ano não consumisse pelo menos US$ 250 mil em tokens no mesmo período. Essa perspectiva reflete uma visão otimista sobre a adoção da IA, mas ignora os impactos financeiros e operacionais que podem ser insustentáveis a longo prazo.

Outros líderes do setor, como os CEOs do Airbnb e da Chime, também divulgaram que grandes porcentagens de seus códigos – 60% e 84%, respectivamente – já são gerados por IA. Contudo, assim como no caso da Uber, os altos custos não estão necessariamente acompanhados por um aumento proporcional em valor agregado.

Hardware mais eficiente: uma solução ainda distante

Uma das esperanças para conter os custos crescentes da IA agêntica está na próxima geração de chips de inferência. A Nvidia, por exemplo, deve lançar a plataforma Vera Rubin em 2025, prometendo um desempenho por watt até 10 vezes superior ao dos modelos atuais. No entanto, grandes empresas como Google, Oracle e Microsoft decidiram estender o uso de seus hardwares atuais por mais seis anos, atrasando a adoção em larga escala de novas tecnologias.

Isso cria um descompasso: enquanto a demanda por IA cresce rapidamente, as soluções para otimizar seus custos ainda estão anos de desenvolvimento e implementação à frente. No curto prazo, o impacto financeiro pode ser significativo, forçando as empresas a adotar medidas paliativas, como reorganização de equipes e cortes de pessoal.

Repercussões para o mercado de tecnologia

A busca por eficiência operacional já está impactando o mercado de trabalho. Empresas como Meta, mesmo com lucros recordes, anunciaram demissões em massa como forma de otimizar seus gastos. A tendência de revisão de estratégias de IA sugere que o mercado está ajustando suas expectativas em relação ao custo-benefício dessa tecnologia.

Especialistas apontam que, enquanto a IA agêntica ainda está em uma fase inicial de maturação, os custos elevados e a dificuldade de mensurar seu impacto real podem levar empresas a adotar modelos mais conservadores de investimento. Isso inclui priorizar ferramentas internas ou tecnologias híbridas, que oferecem maior controle sobre os gastos.

A Visão do Especialista

O movimento das grandes empresas para revisar seus gastos com IA agêntica é um reflexo direto dos desafios enfrentados por essa tecnologia em sua fase inicial. Embora o potencial de inovação seja claro, o custo elevado e a dificuldade de mensurar benefícios concretos estão forçando líderes a adotar uma abordagem mais cautelosa.

No curto prazo, o mercado verá uma consolidação das ferramentas internas e uma busca por maior eficiência operacional. A médio e longo prazo, tecnologias como os novos chips de inferência da Nvidia podem aliviar a pressão financeira, mas exigirão adaptações significativas nas infraestruturas corporativas.

Para os líderes empresariais, o desafio está em equilibrar o entusiasmo pela inovação com a necessidade de resultados tangíveis e sustentáveis. Compartilhe esta reportagem com seus amigos e ajude a fomentar o debate sobre o futuro da IA no mercado corporativo!