O prefeito de São Paulo, Ricardo Nunes (MDB-SP), determinou o afastamento de Rodrigo Raveli Bolzan, gerente de eventos da São Paulo Turismo (SPTuris), após a revelação de uma suposta ligação com uma organização não governamental (ONG) vinculada a Karina Ferreira da Gama. Karina é responsável pela produtora do filme que retrata a trajetória política do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL). A decisão foi comunicada em 12 de junho de 2026 e ocorre em meio à investigação conduzida pela Controladoria-Geral do Município (CGM).

Os motivos do afastamento

Segundo informações divulgadas, a CGM está apurando a relação entre Bolzan e Karina Ferreira da Gama. O servidor, que integra os quadros da SPTuris desde 2005, era responsável pela fiscalização de oito contratos da agência municipal. A investigação surgiu após uma apuração do site Metrópoles, que apontou que empresas e organizações ligadas à produtora de filmes e ao Instituto Conhecer Brasil (ICB), também comandado por Karina, passaram a atuar em espaços da prefeitura após a nomeação de Bolzan para o cargo.

Em declaração à imprensa, o prefeito destacou que sua decisão visa garantir a transparência do processo investigativo: "Identificando alguma ilegalidade, obviamente ele vai ser demitido. Se não houver ilegalidade, eu não vou carregar nas minhas costas nada que seja de um peso na consciência por cometer injustiça. Também não vou carregar nas minhas costas o peso de ser omisso, então está sendo apurado."

O Instituto Conhecer Brasil e as investigações em curso

O Instituto Conhecer Brasil (ICB), liderado por Karina Ferreira da Gama, está no centro das investigações, que abrangem suspeitas de irregularidades em contratos firmados com a administração pública. Um dos contratos em análise refere-se a um montante de R$ 108 milhões, que teria sido destinado à execução de um projeto de conectividade com instalação de 5 mil pontos de wi-fi gratuito em comunidades de baixa renda em São Paulo.

De acordo com as autoridades, aditivos contratuais elevaram o valor total dos repasses para R$ 157,1 milhões, dos quais R$ 26 milhões teriam sido pagos sem comprovação de serviços efetivamente prestados. Além disso, foi identificado o repasse de R$ 1,3 milhão a uma empresa que tinha entre seus sócios um dirigente do próprio ICB.

Histórico de problemas e outras investigações

O ICB também enfrenta questionamentos acerca de um patrocínio realizado em 2017. Em uma ação judicial movida pelo Serviço Social da Indústria (Sesi), a entidade é acusada de irregularidades na prestação de contas, o que pode resultar na obrigatoriedade de devolver R$ 1,3 milhão. A ação destaca inconsistências como a contratação de uma empresa de Brasília para realizar serviços no estado da Bahia, o que levanta dúvidas sobre a execução do projeto financiado.

Reação da prefeitura de São Paulo

A administração municipal se manifestou após a divulgação das acusações, defendendo que os processos licitatórios seguiram os princípios legais de transparência e economicidade. Em relação ao projeto de conectividade, a prefeitura informou que uma análise jurídica realizada à época não encontrou impedimentos formais para a parceria firmada com o Instituto Conhecer Brasil.

Contudo, a decisão de afastar Bolzan foi tomada como medida preventiva, enquanto a CGM conduz as apurações. A prefeitura também enfatizou seu compromisso com a transparência e a legalidade na gestão dos recursos públicos.

O contexto político e as possíveis repercussões

O caso ganha ainda mais relevância por envolver uma figura ligada ao filme que retrata a trajetória política de Jair Bolsonaro, ex-presidente da República. Lançado recentemente, o longa-metragem tem gerado debates acalorados em diferentes esferas, servindo como pano de fundo para discussões políticas polarizadas no país.

A suposta ligação entre Bolzan e a produtora responsável pelo filme levanta questionamentos sobre possível uso de recursos públicos para beneficiar projetos de cunho político ou ideológico. Além disso, o episódio ocorre em um momento de maior escrutínio sobre contratos públicos e parcerias firmadas pela administração de Ricardo Nunes.

Especialistas analisam o caso

Para analistas políticos, o afastamento de Bolzan demonstra uma tentativa de contenção de danos por parte da prefeitura, especialmente em um ano pré-eleitoral. Transparência e governança pública são elementos cruciais para a confiança da população na gestão pública, destacam especialistas.

Juristas apontam que a investigação da CGM será fundamental para esclarecer a legalidade das parcerias firmadas pela SPTuris, bem como para determinar a eventual responsabilidade de servidores e entidades envolvidas. A recomendação é que o processo seja conduzido com celeridade e imparcialidade, a fim de garantir justiça e evitar danos à imagem das instituições públicas.

A Visão do Especialista

O afastamento de Rodrigo Raveli Bolzan e as investigações em curso colocam em evidência a importância de mecanismos de controle e transparência na administração pública. Este caso poderá servir como um marco para futuras discussões sobre a relação entre organizações privadas, políticas públicas e a gestão de recursos públicos no Brasil.

Independentemente do desfecho, o episódio deve reforçar o papel das instituições de controle, como a Controladoria-Geral do Município, na fiscalização de contratos e parcerias. Além disso, o caso pode intensificar o debate sobre a necessidade de maior rigor nas auditorias e na seleção de parceiros para projetos públicos, especialmente em áreas sensíveis como conectividade e inclusão digital.

Com as investigações ainda em andamento, os próximos desdobramentos serão cruciais para determinar as responsabilidades e possíveis consequências legais. O caso também deve continuar a reverberar no cenário político, especialmente em um momento de crescente polarização.

Compartilhe essa reportagem com seus amigos para amplificar o debate sobre a importância da transparência na gestão pública e os impactos desse caso no cenário político e social do Brasil.