Mato Grosso pode se tornar uma referência global em energia limpa. Essa é a visão do presidente da Câmara de Comércio Italiana de São Paulo (ITALCAM), Graziano Messano, que destacou o papel estratégico do estado na transição energética global, com foco especial na produção de biocombustíveis e no desenvolvimento de uma matriz energética sustentável. A declaração foi feita durante uma reunião com o governador Otaviano Pivetta e representantes da ITALCAM, marcando a instalação da Câmara em Mato Grosso.

Por que Mato Grosso é estratégico para a energia limpa?

Com uma economia baseada no agronegócio, Mato Grosso se destaca não apenas como o maior produtor de grãos do Brasil, mas também como um estado que possui grande potencial para o desenvolvimento de biocombustíveis. O etanol de milho, por exemplo, tem ganhado cada vez mais espaço na matriz energética local, consolidando o estado como um dos principais produtores nacionais.

Além disso, o uso de fontes renováveis, como a solar e a biomassa, já é uma realidade no estado. Conforme destacado por Graziano Messano, "o que está sendo desenvolvido em Mato Grosso pode servir como modelo para a Europa, que ainda enfrenta desafios no avanço de soluções sustentáveis". Essa visão alinha-se às exigências globais por práticas mais sustentáveis e pela redução da emissão de gases de efeito estufa.

Impacto econômico e relações comerciais com a Itália

A relação comercial entre Mato Grosso e a Itália vem se fortalecendo ao longo dos anos, com superávit significativo para o estado brasileiro. Em 2025, as exportações para a Itália ultrapassaram os US$ 360 milhões, com destaque para soja (US$ 130 milhões), carne bovina (US$ 106 milhões) e milho (US$ 68 milhões).

A instalação da ITALCAM em Mato Grosso não apenas consolida esses números, mas também abre espaço para uma maior cooperação em áreas estratégicas, como inovação, sustentabilidade e economia verde. Durante a cerimônia de inauguração, foi assinado um memorando de entendimento entre a Federação das Indústrias do Estado de Mato Grosso (Fiemt) e a Câmara Italiana, visando fortalecer negócios internacionais e atrair investimentos.

O papel da agroindústria e da base florestal

A agroindústria é um pilar do desenvolvimento econômico de Mato Grosso e uma das principais apostas para a agregação de valor aos produtos locais. Atualmente, uma parte significativa da produção de soja e milho ainda é exportada in natura, o que limita o potencial de retorno financeiro para o estado. Com maior industrialização, Mato Grosso pode expandir sua competitividade no mercado internacional, especialmente no fornecimento de produtos processados e de maior valor agregado.

A base florestal do estado também representa uma oportunidade promissora. A demanda crescente por produtos certificados e sustentáveis na Europa está alinhada com os esforços de Mato Grosso para adotar práticas de manejo florestal responsável e rastreabilidade, atendendo aos padrões da União Europeia.

Biocombustíveis: a nova fronteira energética de Mato Grosso

O avanço na produção de biocombustíveis, especialmente o etanol de milho, é um dos maiores trunfos de Mato Grosso para se firmar como referência em energia limpa. Em 2025, o estado foi responsável por cerca de 30% do etanol de milho produzido no Brasil, de acordo com dados do Ministério da Agricultura.

Além disso, a produção de biodiesel a partir de resíduos de soja e outras matérias-primas agrícolas reforça a transição energética do estado. Essa capacidade de transformar subprodutos agrícolas em energia renovável não apenas reduz o desperdício, mas também diminui a dependência de combustíveis fósseis.

O papel do acordo Mercosul-União Europeia

O avanço do acordo comercial entre o Mercosul e a União Europeia surge como uma oportunidade estratégica para Mato Grosso. A redução de tarifas e a maior previsibilidade regulatória prometem abrir novos mercados para os produtos mato-grossenses, especialmente no setor agroindustrial.

A Itália, como uma das principais economias da Europa, pode se tornar uma parceira ainda mais relevante para Mato Grosso, tanto na importação de produtos agrícolas quanto no fornecimento de máquinas e tecnologias voltadas para a modernização da produção local. A integração entre as duas regiões tem o potencial de beneficiar ambas as economias, promovendo inovação e sustentabilidade.

Desafios e oportunidades para o futuro

Embora Mato Grosso tenha avançado significativamente na diversificação de sua economia, ainda enfrenta desafios estruturais para se consolidar como referência em energia limpa. A necessidade de investimentos em infraestrutura, especialmente em logística e armazenamento, é um dos principais gargalos a serem superados.

Outro ponto crítico é a capacitação de mão de obra para atender às demandas de uma economia mais industrializada e sustentável. Nesse sentido, parcerias internacionais, como a estabelecida com a ITALCAM, podem desempenhar um papel fundamental na transferência de tecnologia e no fortalecimento da educação técnica.

A Visão do Especialista

Mato Grosso já é um protagonista no agronegócio brasileiro e, agora, desponta como um potencial líder em energia limpa. Com a combinação de uma matriz energética diversificada e parcerias estratégicas internacionais, o estado tem todas as condições de se tornar um exemplo global de desenvolvimento sustentável.

No entanto, o sucesso dessa transição dependerá de políticas públicas consistentes, investimentos em infraestrutura e esforços contínuos para agregar valor aos produtos locais. Se bem conduzido, Mato Grosso pode não apenas atender à crescente demanda por soluções sustentáveis, mas também se posicionar como exportador de tecnologia e expertise no setor de energia limpa.

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