A pressão das sanções impostas pelos Estados Unidos está levando diversas empresas estrangeiras a reverem suas operações em Cuba. O prazo final para que companhias rompam seus laços comerciais com o conglomerado econômico-militar Gaesa, alvo das sanções, expira nesta sexta-feira, 5 de junho de 2026. Este cenário marca um momento crítico para a economia da ilha, já fragilizada por décadas de embargo econômico.
Entenda o que é o Gaesa e sua importância para Cuba
O Grupo de Administração Empresarial S.A. (Gaesa) é uma organização vinculada às Forças Armadas de Cuba, criada nos anos 1990 para contornar o embargo econômico dos EUA. Segundo o Departamento de Estado americano, o Gaesa controla cerca de 70% da economia cubana, abrangendo setores estratégicos como turismo, transporte e mineração.
Estima-se que o conglomerado tenha ativos avaliados em 18 bilhões de dólares, sendo uma peça-chave para a geração de divisas no país. Contudo, sua relação próxima com o governo cubano e as forças militares tornou-o alvo direto das sanções dos EUA.
As sanções dos EUA: contexto e cronologia
Em 1º de maio de 2026, o então presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, assinou uma ordem executiva que endureceu as sanções contra Cuba. A medida foi justificada pelo governo americano como uma resposta à suposta ameaça que Cuba representaria à segurança nacional.
- Janeiro de 2026: Início do bloqueio petrolífero contra Cuba, impactando diretamente o abastecimento energético da ilha.
- Maio de 2026: Ordem executiva ampliando sanções ao Gaesa e estabelecendo prazo até 5 de junho para que empresas estrangeiras ajustem suas operações.
Além de restringir o comércio, as sanções dificultam o acesso ao sistema financeiro internacional, limitam transações e podem até levar ao congelamento de ativos de empresas associadas ao Gaesa.
Empresas estrangeiras começam a deixar Cuba
Grandes redes hoteleiras internacionais, que há décadas mantêm operações em Cuba, começaram a anunciar sua retirada ou redução de atividades na ilha. Entre os casos mais recentes estão:
- Meliá: A rede espanhola encerrou suas operações em 15 hotéis administrados em parceria com o Gaesa.
- Iberostar: Outra gigante espanhola, que suspendeu a administração de 12 hotéis ligados ao conglomerado militar.
- Blue Diamond: A canadense anunciou o encerramento total de suas operações em Cuba.
Além dessas, o grupo asiático Archipelago International e a mineradora canadense Sherritt estão revisando suas posições na ilha, com esta última já tendo encerrado suas atividades de extração de níquel e cobalto.
Impactos econômicos devastadores
A saída de empresas estrangeiras representa um golpe severo para a economia cubana. O consultor econômico cubano Daniel Torralbas classificou 2026 como "o pior ano da história econômica de Cuba nos últimos 70 anos".
Os setores afetados pelas sanções incluem turismo, uma das principais fontes de receita da ilha, além de mineração e comércio internacional. A redução de investimentos estrangeiros deve intensificar a escassez de recursos e agravar a crise econômica.
Reação do governo cubano
Em resposta às sanções, o governo cubano defendeu o papel do Gaesa como essencial para a sobrevivência econômica da ilha diante do embargo dos EUA, vigente desde 1962. Autoridades de Havana descrevem as sanções como parte de uma política hostil e alegam que elas têm como objetivo desestabilizar o país.
Milhares de cubanos têm realizado protestos contra as medidas dos Estados Unidos, enquanto líderes cubanos insistem no fortalecimento do modelo econômico socialista como estratégia para resistir à pressão internacional.
Repercussão internacional
As sanções americanas contra Cuba vêm sendo criticadas por diversos países e organizações internacionais, que apontam para seus impactos humanitários. A União Europeia, por exemplo, já expressou preocupação, enquanto países aliados de Cuba, como Rússia e China, oferecem suporte diplomático e econômico à ilha.
No entanto, a influência dos EUA no sistema financeiro global dificulta que empresas e governos estrangeiros mantenham relações comerciais com o país sem sofrer represálias.
A Visão do Especialista
O endurecimento das sanções americanas contra Cuba e o êxodo de empresas estrangeiras marcam um momento crucial na história econômica da ilha. Para especialistas, a dependência de Cuba em relação ao Gaesa e a centralização de sua economia aumentam os riscos de recessão prolongada.
A curto prazo, espera-se uma queda acentuada no turismo e na produção de bens exportáveis, agravando ainda mais a crise econômica. A médio e longo prazo, a sobrevivência econômica da ilha pode depender de sua capacidade de diversificação produtiva e de parcerias com países que não estejam sujeitos à influência americana.
Os próximos meses serão decisivos para determinar se Cuba conseguirá contornar os desafios impostos pelas sanções ou se enfrentará uma deterioração ainda mais profunda em sua economia. Compartilhe essa reportagem com seus amigos e acompanhe as atualizações sobre este importante tema.
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