O primeiro gengibre oficialmente registrado no Brasil nasceu em Santa Leopoldina, no Espírito Santo. A cultivar "Imigrante", desenvolvida pelo capixaba Alexandre Lemke Belz, já está disponível para produtores de todo o país.
Contexto histórico do gengibre no território nacional
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O gengibre chegou ao Brasil com os colonizadores portugueses, mas só ganhou relevância nas últimas décadas. Até 2020, a maior parte da produção era de variedades importadas, sem registro nacional, o que limitava acesso a linhas de crédito e certificação.
Quem é Alexandre Lemke Belz?
Produtor rural há 15 anos, Alexandre converteu o gengibre na principal fonte de renda da família. Sua fazenda, o Sítio Hort Belz, tornou‑se laboratório vivo de melhoramento genético, combinando tradição familiar e ciência de ponta.
Especificações técnicas da cultivar "Imigrante"
Resistência a pragas como nematoides e a doenças foliares foi aumentada em 40 %. O programa de seleção utilizou marcadores moleculares (SSR) para garantir a homozigose dos genes de resistência, reduzindo a necessidade de defensivos químicos.
O processo de registro no Registro Nacional de Cultivares (RNC)
O MAPA exige documentação detalhada: descrição morfológica, análise genética e testes de estabilidade. A cultivar "Imigrante" cumpriu todos os requisitos, tornando‑se a primeira variedade de gengibre a receber o selo oficial brasileiro.
Parceria estratégica com o IFES e o Projeto Fortac
Um investimento de R$ 500 mil financiou ensaios de campo, laboratório de DNA e validação agronômica. A pesquisadora Ana Paula Candido Gabriel Berilli coordenou os testes, garantindo conformidade com as normas do Ministério da Agricultura.
Desempenho de campo: produtividade e resistência
A produção atingiu 145 toneladas por hectare, mais do que o dobro da média estadual (≈ 60 t/ha). O manejo orgânico manteve a qualidade do rizoma, com teor de gingerol acima de 3,2 %.
| Indicador | Imigrante | Média Estadual |
|---|---|---|
| Produtividade (t/ha) | 145 | 60 |
| Resistência a nematoides | Alta | Baixa |
| Teor de gingerol (%) | 3,2 | 2,5 |
| Investimento R$ (mil) | 500 | — |
Viveiro certificado: a primeira fonte de mudas certificadas
O viveiro do Sítio Hort Belz segue normas ISO 9001 para rastreabilidade. Cada muda recebe QR code que informa origem genética, data de plantio e histórico de tratamentos.
Logística de exportação e penetração internacional
Em 2024, o primeiro contêiner de 19 toneladas chegou aos EUA e à Holanda. A certificação fitossanitária e o selo orgânico abriram portas em mercados que exigem rastreabilidade total.
Impacto econômico regional
O projeto gerou 12 novos empregos diretos e 30 indiretos na cadeia de valor. A renda familiar de Alexandre ultrapassou R$ 2 milhões anuais, impulsionando a economia da zona serrana capixaba.
Repercussão no mercado nacional de especiarias
Especialistas apontam que a "Imigrante" pode redefinir o padrão de qualidade do gengibre brasileiro. A expectativa é que outras regiões adotem o modelo de registro, ampliando a competitividade frente a produtores da China e da Índia.
- Data de registro: 22/07/2026
- Exportação inicial: 19 t para EUA e Holanda
- Investimento em P&D: R$ 500 mil
- Produtividade: 145 t/ha (orgânico)
A Visão do Especialista
O próximo passo será a digitalização da cadeia de suprimentos, integrando blockchain ao QR code das mudas. Essa camada de transparência pode garantir preços premium no varejo e abrir novos nichos, como suplementos nutracêuticos. Para o produtor, a chave será escalar a produção mantendo a certificação orgânica e a resistência genética, evitando a saturação do mercado internacional.
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