Os protestos na Bolívia têm causado impactos significativos na vida de brasileiros que se encontram no país, enfrentando dificuldades para deixar o território em meio a bloqueios de estradas e instabilidade política. A situação, que começou a se intensificar no início de maio de 2026, tem gerado um cenário de incertezas, especialmente para turistas e trabalhadores que dependem de mobilidade para continuar seus trajetos.

Contexto: O que está acontecendo na Bolívia?
Desde o início de maio, a Bolívia vive uma onda de protestos contra o governo do presidente Rodrigo Paz, que assumiu o poder há seis meses. As manifestações, inicialmente motivadas por reivindicações específicas como mudanças na política agrária e melhorias na qualidade do combustível, evoluíram para pedidos de renúncia do presidente.
Os atos têm sido marcados por confrontos entre manifestantes e forças de segurança, especialmente em La Paz, a capital do país. Além dos conflitos, os bloqueios de estradas têm causado escassez de alimentos, combustível e medicamentos, agravando a situação para a população local e para turistas.

Brasileiros impactados: Relatos dramáticos
Brasileiros como Gabriel Medeiros, de 26 anos, e Fabiane Gerotti Mendes, de 36 anos, vivenciam de perto os desafios impostos pelos protestos. Gabriel, designer de Bauru (SP), tinha planejado uma estadia de apenas três dias em La Paz, mas já acumula 18 dias na cidade devido aos bloqueios. "O dinheiro está acabando", afirmou ele, enquanto aguarda uma solução para continuar sua viagem rumo ao Peru.
Fabiane, por outro lado, enfrentou bloqueios em estradas enquanto viajava de carro pelo interior da Bolívia. Em Potosí e Aiquile, encontrou barreiras feitas com pedras e árvores, além de escassez de combustível, o que a levou a encurtar sua viagem por medo de ficar presa no país.
Ações das autoridades brasileiras
O Ministério das Relações Exteriores do Brasil informou que tem prestado assistência consular aos cidadãos brasileiros impactados pelos protestos. Em comunicado oficial emitido em 11 de maio e reforçado recentemente, o Itamaraty recomendou que brasileiros evitem viagens não essenciais aos departamentos de La Paz e Oruro, regiões fortemente afetadas pelos protestos.
A embaixada brasileira na Bolívia tem orientado os cidadãos a buscar alternativas, como voos pelo aeroporto de El Alto, que tem funcionado intermitentemente. No entanto, o aumento dos preços das passagens aéreas tem dificultado essa opção para muitos.
Cronologia dos bloqueios e protestos
- Início de maio: Protestos começam em diversas regiões da Bolívia com demandas específicas.
- 4 de maio: Gabriel Medeiros enfrenta bloqueios próximos a Cochabamba, com interrupções de até 9 horas.
- 11 de maio: Itamaraty emite comunicado recomendando evitar viagens aos departamentos de La Paz e Oruro.
- 22 de maio: Manifestantes fecham temporariamente o acesso ao aeroporto de El Alto.
- 23 de maio: Intensificação dos protestos em La Paz, com confrontos entre manifestantes e forças policiais.
Impacto na economia e no turismo
Os protestos têm gerado impactos significativos na economia boliviana, que depende fortemente do turismo. Destinos populares, como o Salar de Uyuni e Copacabana, têm registrado quedas no número de visitantes devido aos bloqueios e à insegurança. Restaurantes em La Paz já enfrentam escassez de ingredientes, e os preços de alimentos têm aumentado gradativamente.
A situação também afeta o comércio e o transporte. Caminhões de carga têm dificuldade para cruzar fronteiras, resultando em desabastecimento de produtos básicos nas cidades.
O papel das forças de segurança
As forças de segurança bolivianas têm atuado com intensidade para conter os protestos, utilizando bombas de gás lacrimogêneo e dispersando marchas. A resposta policial tem gerado críticas de organizações de direitos humanos, que apontam para possíveis excessos e repressões.
Entre os grupos mobilizados estão camponeses, mineiros e afiliados à Central Operária Boliviana (COB), que se posicionam contra o governo de Rodrigo Paz e exigem sua renúncia.
Comparativo: Protestos na Bolívia e em outros países da região
| País | Causa dos Protestos | Impacto |
|---|---|---|
| Bolívia | Política agrária, qualidade do combustível, renúncia do presidente | Bloqueios de estrada, escassez de bens, queda no turismo |
| Chile | Reformas econômicas e desigualdade social | Protestos em massa, reformas na constituição |
| Colômbia | Reforma tributária e desigualdade social | Confrontos violentos, suspensão de reformas |
Medidas para quem está na Bolívia
Para brasileiros que ainda estão na Bolívia, recomenda-se:
- Consultar diariamente as atualizações sobre bloqueios nas estradas e funcionamento do aeroporto de El Alto.
- Buscar assistência consular junto à embaixada brasileira em La Paz.
- Evitar deslocamentos para áreas de maior conflito, como La Paz e Oruro.
- Monitorar os preços de voos e considerar alternativas para sair do país.
A Visão do Especialista
Analistas apontam que a crise na Bolívia é reflexo de tensões acumuladas ao longo de anos, agravadas pela instabilidade política e econômica. Segundo Luciana Jáuregui, a mobilização tem caráter desestabilizador e pode intensificar-se nas próximas semanas.
Para os brasileiros que estão na Bolívia, os próximos passos devem incluir planejamento financeiro e busca por soluções diplomáticas. É crucial estar atento às atualizações do Itamaraty e evitar áreas de conflito.

Compartilhe essa reportagem com seus amigos para informar sobre os desdobramentos e os desafios que turistas e trabalhadores enfrentam na Bolívia.
Discussão