Vladimir Putin conversou por telefone com o presidente do Irã, Ebrahim Raisi, e propôs mediar um acordo de paz entre Washington e Teerã. A ligação ocorreu no domingo, 12 de abril de 2026, e foi confirmada pela assessoria do Kremlin.
A proposta russa surge em meio a uma escalada de tensões militares no Golfo Pérsico. Desde o início de 2026, os Estados Unidos têm realizado operações de pressão naval contra alvos iranianos, enquanto o Irã responde com lançamentos de mísseis balísticos.
Fontes oficiais, como o portal Metropoles, divulgaram a conversa e ressaltaram a intenção de Moscou de atuar como intermediário neutro. O Kremlin descreveu a iniciativa como "um esforço diplomático para evitar uma conflagração regional".
Qual o histórico das negociações entre Rússia, Irã e Estados Unidos?
A Rússia já atuou como mediadora em conflitos no Oriente Médio nas duas últimas décadas. Moscou participou de diálogos de cessar-fogo na Síria (2015) e na Ucrânia (2022), ganhando experiência em mediações multilaterais.
Nos últimos meses, o Irã e os EUA mantiveram canais de comunicação indiretos. A seguir, a cronologia dos principais eventos:
- 01/02/2026 – Primeiro contato oficial entre Washington e Teerã via diplomatas suíços.
- 15/03/2026 – Sanções econômicas dos EUA contra o setor energético iraniano.
- 28/03/2026 – Exercícios militares da Marinha americana no Estreito de Ormuz.
- 12/04/2026 – Telefonema entre Putin e Raisi propondo mediação.
Essa sequência evidencia um clima de impasse que incentiva a busca por um terceiro facilitador. A Rússia, ao propor-se como mediadora, tenta reforçar sua influência geopolítica.
Quais são os termos propostos por Putin?
Segundo a declaração do Kremlin, Putin sugeriu a criação de uma comissão trilateral. A comissão reuniria representantes dos EUA, Irã e Rússia para discutir a retirada de sanções e a desmilitarização da zona marítima.
O plano inclui a realização de uma conferência de paz em Moscou, com a presença de observadores da ONU. A proposta também menciona a possibilidade de um acordo de cessar-fogo temporário, condicionado ao cumprimento de verificações conjuntas.
Raisi, ao receber a oferta, afirmou que o Irã está "aberto a iniciativas que garantam soberania e segurança nacional". No entanto, não houve confirmação de que o presidente iraniano tenha aceito formalmente a mediação.
Repercussão internacional
Washington respondeu com cautela, destacando que qualquer negociação deve respeitar o direito internacional. O Departamento de Estado pediu esclarecimentos sobre o papel da Rússia no processo.
Na União Europeia, líderes expressaram interesse em apoiar esforços de desescalada, mas alertaram contra a legitimação de intervenções russas. O Conselho Europeu pediu que Moscou compartilhe detalhes operacionais da proposta.
A Organização das Nações Unidas ainda não emitiu um comunicado oficial, mas o secretário‑geral sinalizou disposição para facilitar diálogos. A ONU costuma atuar como mediadora em conflitos envolvendo potências nucleares.
O que acontece agora?
Nos próximos dias, representantes russos deverão enviar um plano de ação detalhado a Washington e Teerã. Caso haja aceitação, a primeira reunião da comissão trilateral está prevista para junho de 2026.
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