Nelson Wilians, renomado advogado de direito tributário, foi alvo da Operação Distrato nesta quarta‑feira (15), acusada de integrar um esquema que teria sonegado R$ 3,8 bilhões em ICMS nos estados de São Paulo e Paraná.

O que é o ICMS e por que ele importa

O Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços (ICMS) representa a principal fonte de receita dos governos estaduais brasileiros. Incide sobre a venda de produtos, serviços de transporte e comunicações, sendo essencial para financiar saúde, educação e segurança pública.

Perfil de Nelson Wilians

Filho de pequenos agricultores de Cianorte (PR), Nelson Wilians graduou‑se em Direito pela ITE de Bauru e fundou o NWADV, um dos maiores escritórios de advocacia empresarial da América Latina. Ele também foi capa da Forbes, acumula mais de 1,4 milhão de seguidores no Instagram e se destaca como empreendedor jurídico.

Operação Distrato: cronologia dos fatos

  • 15/07/2026 – Cumprimento de 38 mandados de busca e apreensão em SP, Campinas, Jundiaí, Ribeirão Preto, Londrina e Cambé.
  • Investigação conduzida pela 1ª Vara de Crimes Tributários, Organização Criminosa e Lavagem de Bens e Valores da Capital.
  • Alvos principais: Nelson Wilians, sua esposa Anne Wilians e a advogada Mayra de Paula.

Como funcionava o esquema de créditos falsos

Segundo o Comitê Interinstitucional de Recuperação de Ativos (CIRA/SP), o grupo criava empresas de fachada que emitiam documentos fiscais simulando créditos de ICMS. Esses créditos eram vendidos a contribuintes, que os utilizavam para reduzir indevidamente o imposto devido ao Estado.

O papel do escritório NWADV

O NWADV foi apontado como facilitador jurídico, elaborando pareceres e contratos que legitimavam a circulação artificial dos créditos. Em nota, o escritório alegou que a gestão das operações era exclusiva do De Paula Advogados & Consultoria Jurídica, sem vínculo societário com o NWADV.

Conexões com outros atores

Mayra de Paula, advogada de Londrina, foi identificada como sócia de Wilians nas fraudes, enquanto os grupos Alpha e Dmc também foram alvos da mesma operação. Essa rede demonstra a extensão do planejamento tributário ilícito no país.

Antecedentes: a operação contra fraudes no INSS (2025)

Em setembro de 2025, Wilians já havia sido investigado pela PF por supostas fraudes no INSS, com apreensão de carros de luxo, esculturas eróticas e armas. Na ocasião, a polícia sinalizou a possibilidade de cassação de seu registro como colecionador de armas.

Patrimônio apreendido na Operação Distrato

ItemDescriçãoValor estimado
VeículosFerrari, Porsche, Rolls‑Royce com teto estreladoR$ 11 milhões
ArmasMais de 10 armas, incluindo fuzilR$ 2 milhões
Obras de arteEsculturas de Auguste Rodin, quadros de Di CavalcantiR$ 4 milhões

Repercussão no mercado jurídico e empresarial

O caso abalou a confiança de investidores e empresas que utilizam escritórios de advocacia para planejamento tributário. Consultorias especializadas passaram a rever seus protocolos de compliance e a adotar auditorias mais rigorosas.

Especialistas em direito tributário comentam

Professores da USP e da FGV alertam que o esquema evidencia lacunas na fiscalização do ICMS e a necessidade de maior integração entre as secretarias de fazenda estaduais. Eles recomendam a criação de um cadastro único de créditos tributários para evitar fraudes semelhantes.

Impacto nas finanças estaduais

Com R$ 3,8 bilhões supostamente desviados, o Estado de São Paulo perde recursos críticos para saúde e educação. A recuperação desses valores pelo CIRA pode representar um alívio significativo nas contas públicas.

Próximos passos judiciais

Wilians e os demais investigados responderão a processos por organização criminosa, lavagem de dinheiro e crime contra a ordem tributária. A expectativa é que o Ministério Público solicite a prisão preventiva e a indisponibilidade de bens.

A Visão do Especialista

O desfecho da Operação Distrato pode redefinir o panorama do planejamento tributário no Brasil, impondo limites mais claros à atuação de escritórios de advocacia em transações fiscais. Advogados e empresas deverão reforçar suas práticas de due diligence para evitar envolvimento em esquemas que, além de ilegais, comprometem a credibilidade institucional.

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