Na coletiva concedida após a vitória do Palmeiras por 1 a 0 sobre o Sporting Cristal, válida pela fase de grupos da Copa Libertadores, o técnico Abel Ferreira trouxe à tona uma questão que ecoa entre torcedores, jornalistas e profissionais do futebol: quem realmente está jogando bem e de forma consistente no Brasil? A fala do treinador não só refletiu a frustração com o calendário apertado, mas também reacendeu o debate sobre o nível de desempenho das principais equipes do país.

O impacto do calendário no desempenho coletivo
Abel Ferreira foi enfático ao apontar o calendário brasileiro como um dos principais vilões da inconsistência das equipes. Com jogos a cada dois ou três dias, o tempo para treinos e ajustes táticos é praticamente inexistente. Isso prejudica a evolução coletiva e a implementação de ideias de jogo mais complexas por parte dos treinadores.
Como exemplo, o próprio Palmeiras encarou uma maratona de partidas em curto espaço de tempo, enfrentando problemas físicos no elenco e decisões polêmicas em relação ao descanso entre os jogos. Abel destacou que o pedido de antecipação de partidas contra o Red Bull Bragantino e pela Copa do Brasil foi negado, o que aumenta o desgaste dos jogadores.

Consistência ou momento: o dilema na avaliação
A declaração de Abel Ferreira também toca em um ponto crucial: é possível medir o desempenho de uma equipe apenas pelo momento? Para o treinador, é necessário observar a consistência ao longo do tempo. Desde sua chegada ao Palmeiras, ele conduziu a equipe a 13 finais, consolidando um padrão competitivo e regular, o que o técnico considera um indicativo de sucesso.
Por outro lado, rivais como Flamengo e Atlético-MG, que possuem elencos estrelados, têm demonstrado oscilações preocupantes, especialmente em torneios de pontos corridos, como o Brasileirão. A rotatividade de técnicos também compromete a implementação de uma identidade tática sólida.
O panorama atual das principais equipes brasileiras
Para entender quem está jogando bem e com consistência, é necessário analisar o desempenho das equipes mais tradicionais do futebol brasileiro:
- Palmeiras: Apesar das críticas, o time de Abel Ferreira segue como uma das equipes mais regulares do país, com um modelo de jogo bem definido, forte transição ofensiva e solidez defensiva.
- Flamengo: Após mudanças no comando técnico, o time busca reencontrar o equilíbrio. A oscilação defensiva tem sido uma preocupação constante, mas o ataque continua a ser um dos mais letais do país.
- Atlético-MG: O Galo, campeão brasileiro em 2021, ainda tenta se reestruturar após a saída de peças importantes, mas enfrenta dificuldades na criação de jogadas e na regularidade.
- São Paulo: O Tricolor apresenta sinais de evolução com Dorival Júnior, mas ainda oscila em jogos decisivos, especialmente fora de casa.
- Grêmio: Sob o comando de Renato Gaúcho, a equipe retornou à Série A com boas atuações, mas ainda precisa de tempo para alcançar a consistência desejada.
Dificuldades táticas e estatísticas em campo
Do ponto de vista tático, o futebol brasileiro tem enfrentado desafios para estabelecer um padrão de jogo moderno e competitivo. Técnicos estrangeiros, como Abel Ferreira e Jorge Sampaoli, trouxeram inovações, mas os limites do calendário e a mentalidade imediatista dificultam a consolidação de sistemas táticos mais elaborados.
De acordo com dados do Footstats, em 2026, apenas 4 equipes da Série A possuem um índice superior a 55% de posse de bola nos jogos, indicando que o futebol de transição rápida ainda predomina. Além disso, a média de finalizações certas por partida das equipes mais bem colocadas no Brasileirão não ultrapassa 6,3, o que revela dificuldades na efetividade ofensiva.
Lesões e o impacto no desempenho coletivo
Outro ponto destacado por Abel foi o aumento no número de lesões, diretamente ligado à sobrecarga de jogos. Dados recentes indicam que, entre janeiro e maio de 2026, houve um aumento de 18% nos casos de lesões musculares em clubes da Série A, comparado ao mesmo período de 2025. Isso não apenas prejudica o desempenho em campo, mas também limita as opções dos treinadores e compromete a continuidade de projetos coletivos.
Quem está jogando bem? Uma análise além das críticas
A resposta para a pergunta de Abel Ferreira sobre quem está jogando bem no Brasil não é simples. Em um cenário marcado por limitações estruturais, como o calendário e a falta de continuidade de trabalho, equipes como o Palmeiras conseguem se destacar pela consistência e competitividade.
No entanto, é importante reconhecer que o futebol brasileiro vive um momento de transição. Enquanto alguns clubes apostam em projetos de longo prazo, outros ainda se veem presos a resultados imediatos, o que impede a construção de um futebol mais vistoso e eficiente.
A visão do especialista
Como analista esportivo, é evidente que o futebol brasileiro enfrenta desafios estruturais que vão além do campo. O calendário apertado, a pressão por resultados e a falta de planejamento de longo prazo comprometem o desempenho das equipes. Em meio a isso, clubes como o Palmeiras, que apostam em consistência e planejamento, tendem a colher melhores resultados.
Para que mais equipes "joguem bem" de forma consistente, será necessário repensar o calendário, priorizar a saúde dos atletas e valorizar projetos sólidos. Até lá, a excelência será uma exceção e não a regra. Fica o desafio para que clubes e gestores do futebol nacional tomem medidas concretas para mudar esse panorama.

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