Re.green emitiu, nesta quarta‑feira (13), os primeiros créditos de carbono provenientes da restauração nativa da Mata Atlântica. Os certificados, validados pela Verra, correspondem à regeneração de 1.623 hectares nos municípios de Eunápolis e Potiraguá, no sul da Bahia, e já foram incorporados a um contrato com a Microsoft.
Um marco para a empresa de reflorestamento
Fundada há cinco anos, a Re.green saiu de um plano de negócios para o campo. Inicialmente financiada por investidores de impacto, a companhia adquiriu sua primeira terra, implementou a captação de recursos e, agora, celebra a primeira emissão de créditos, consolidando sua estratégia de geração de valor ambiental.
Detalhes da restauração nativa
Entre 2022 e 2025, foram plantadas mais de 2,3 milhões de mudas de espécies autóctonas. Entre elas, pau‑brasil (Paubrasilia echinata), jatobá (Hymenaea courbaril) e jequitibá‑rosa (Cariniana legalis), escolhidas por sua capacidade de sequestrar carbono e promover a biodiversidade.
Espécies-chave
- Pau‑brasil
- Jatobá
- Jequitibá‑rosa
- Peroba‑rosa
- Embaúba
Como funciona um crédito de carbono
Um crédito equivale a uma tonelada de CO₂ removida da atmosfera. A comercialização desses títulos permite que empresas como a Microsoft compensem suas emissões, atendendo a metas de neutralidade climática estabelecidas em acordos internacionais.
Certificação Verra e validação científica
A Verra, padrão internacional reconhecido, validou 36,8 mil títulos emitidos. O processo inclui auditorias de campo, monitoramento por satélite e cálculo de sequestro baseado em metodologias peer‑reviewed, garantindo a integridade ambiental dos créditos.
Impacto no mercado de carbono brasileiro
O lançamento abre caminho para que mais projetos de restauração atlântica ingressem no mercado. Estima‑se que o volume de créditos de carbono brasileiros alcance US$ 3,2 bilhões até 2030, impulsionado por demandas corporativas e regulatórias.
Repercussão na Mata Atlântica
O bioma, considerado o mais ameaçado do país, registra queda de 40 % na taxa de desmatamento em 2025. Dados do Atlas dos Remanescentes Florestais mostram redução de 14,3 mil para 8.668 hectares de supressão, sinalizando efeitos positivos de políticas de restauração.
Benefícios ecossistêmicos além do carbono
Além do sequestro, a regeneração melhora a recarga de aquíferos e restaura corredores de fauna. Estudos regionais apontam aumento de 15 % na disponibilidade de água para comunidades locais e retorno de espécies endêmicas como o mico‑leão‑preto.
Contexto histórico da restauração na Mata Atlântica
Desde a década de 1990, programas como o PRONAF e o Fundo Nacional do Meio Ambiente incentivam a recuperação de áreas degradadas. Contudo, a maioria dos projetos focava em plantios exóticos; a iniciativa da Re.green representa uma mudança rumo à restauração ecológica baseada em espécies nativas.
Repercussão internacional e demanda corporativa
Empresas globais têm buscado créditos de alta qualidade para cumprir compromissos do Acordo de Paris. A parceria com a Microsoft evidencia a crescente confiança de multinacionais no mercado brasileiro, que agora oferece certificação robusta e rastreabilidade.
Perspectivas de especialistas
Mariana Barbosa, diretora jurídica da Re.green, destaca que "a emissão consolida a tese de gerar valor a partir da restauração florestal". O professor Carlos Nobre, climatologista da USP, ressalta que projetos como este são essenciais para alcançar a meta de zero desmatamento até 2030.
Projeções futuras e expansão
A Re.green planeja emitir até 120 mil créditos nos próximos meses, incluindo áreas na Amazônia. A estratégia inclui a aquisição de mais 5.000 hectares de pastagens degradadas, alinhada ao Plano ABC de agricultura regenerativa.
Desafios e cuidados necessários
Apesar do avanço, há risco de greenwashing se o monitoramento não for contínuo. A comunidade científica pede transparência nos inventários de carbono e a inclusão de indicadores sociais, como geração de empregos locais.
| Indicador | Valor |
|---|---|
| Área restaurada | 1.623 ha |
| Créditos emitidos | 36.800 tCO₂e |
| Espécies nativas plantadas | 5 principais |
| Período de implantação | 2022‑2025 |
| Contrato corporativo | Microsoft |
A Visão do Especialista
O sucesso da Re.green demonstra que a restauração nativa pode ser economicamente viável e ambientalmente robusta. Para avançar, será crucial ampliar a base de dados de monitoramento, integrar comunidades locais e garantir que os créditos reflitam tanto o sequestro de carbono quanto a recuperação da biodiversidade. O próximo passo será a consolidação de um mercado de créditos que premie a qualidade ecológica, evitando práticas de "compensação superficial".
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