"Remanente: Voltagem" (2026) encerra a 22ª edição do Fantaspoa, consolidando o festival como um dos principais eventos do cinema fantástico na América Latina. Dirigido por Kapel Furman, o filme foi rodado em Novo Hamburgo, no Rio Grande do Sul, e será exibido em duas sessões neste domingo (26), com debates e acessibilidade. A produção destaca o talento nacional em um gênero que frequentemente enfrenta desafios de financiamento e divulgação.

Cena de Kapel Furman em conversa com jornalista sobre o filme "Remanente: Voltagem" em um cenário de noticiário.
Fonte: gauchazh.clicrbs.com.br | Reprodução

O Fantaspoa: Um palco para o cinema fantástico

Fundado em 2005, o Fantaspoa se transformou em um dos maiores festivais de cinema fantástico do mundo. A edição de 2026 celebra 22 anos de contribuições ao reconhecimento do gênero no Brasil e no exterior. Além de exibir obras de ficção científica, horror e fantasia, o festival promove debates e workshops, criando um espaço de troca entre criadores e espectadores.

Kapel Furman: Mestre do cinema fantástico brasileiro

Cena de Kapel Furman em conversa com jornalista sobre o filme "Remanente: Voltagem" em um cenário de noticiário.
Fonte: gauchazh.clicrbs.com.br | Reprodução

Kapel Furman, paulista de 49 anos, é um dos nomes mais respeitados no cinema fantástico nacional. Com cerca de 80 títulos em seu currículo como artista de efeitos especiais, Furman já foi indicado ao Grande Otelo da Academia Brasileira de Cinema em três ocasiões. Seu trabalho combina expertise técnica com uma visão autoral única, explorando temas filosóficos e científicos.

"Remanente: Voltagem": Uma trama recheada de simbolismos

O filme narra a história de Demian e Victor, paramédicos que encontram um tesouro em um porão e libertam O Engenheiro, uma criatura com poderes eletromagnéticos. Inspirado em crônicas paranormais do início do século XX e no folclore brasileiro, Furman construiu uma narrativa que mistura ficção científica, mitologia e crítica social.

Folclore e ciência: Elementos centrais

O diretor utilizou o conceito de "remanência" da física como metáfora para angústias humanas, enquanto incorporava o folclore do Corpo Seco, também conhecido como Bradador. Essa fusão cria um universo onde o fantástico dialoga com questões contemporâneas, como insegurança econômica e desespero social.

Novo Hamburgo como cenário cinematográfico

"Remanente: Voltagem" foi filmado em Novo Hamburgo, cidade que combina arquitetura histórica e moderna. Furman adaptou as paisagens locais para refletir a atmosfera das crônicas paranormais que inspiraram o filme. O apoio da Secretaria de Cultura da cidade, através de um edital de longas-metragens, foi crucial para a realização do projeto.

O retorno aos efeitos práticos

Kapel Furman optou por usar efeitos práticos e bonecos em vez de CGI, uma escolha que reflete sua busca por autenticidade e resistência ao excesso de tecnologia digital. Essa abordagem resgata a tradição dos clássicos filmes de monstros e reforça a conexão do público com o universo do filme.

Influências e processo criativo

Furman cita Ray Harryhausen e filmes como "A Múmia" e "O Monstro da Lagoa Negra" como inspirações. Seu processo de criação combina elementos visuais, filosóficos e científicos, resultando em criaturas e cenários ricos em significado. O portal dimensional do filme, por exemplo, foi inspirado na arte abstrata de Hilma af Klint.

O impacto no mercado de cinema brasileiro

Filmes como "Remanente: Voltagem" demonstram o potencial do Brasil no gênero fantástico, destacando o aspecto autoral e independente das produções nacionais. Embora enfrentem desafios financeiros, esses filmes frequentemente exibem criatividade e paixão que ressoam com o público.

Conclusão do Fantaspoa: Uma celebração do cinema fantástico

Ser o filme de encerramento do Fantaspoa é um reconhecimento da relevância artística e cultural de "Remanente: Voltagem". O festival não apenas celebra o cinema, mas também fortalece a conexão entre criadores e espectadores, fomentando a diversidade de ideias e narrativas.

A Visão do Especialista

"Remanente: Voltagem" marca um avanço significativo no cinema fantástico brasileiro, ao unir uma narrativa rica em simbolismo com uma estética visual impactante. Ao explorar o folclore nacional e temas contemporâneos, Kapel Furman oferece uma experiência que transcende o entretenimento, provocando reflexões sobre a sociedade e a condição humana.

O filme, além de ser um marco artístico, reafirma o papel do Fantaspoa como vitrine para o cinema independente e como um catalisador para a inovação no Brasil. Com o crescente interesse por narrativas fantásticas, espera-se que produções como esta inspirem novos cineastas e alcancem públicos globais, solidificando a posição do país no cenário internacional.

Cena de Kapel Furman em conversa com jornalista sobre o filme "Remanente: Voltagem" em um cenário de noticiário.
Fonte: gauchazh.clicrbs.com.br | Reprodução

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