Na reta final da novela Três Graças, que chega ao fim nesta quinta-feira, o ator Romulo Estrela reflete sobre o impacto de seu personagem, Paulinho, e a responsabilidade de abordar novas masculinidades no horário nobre da televisão brasileira. Em entrevista, o ator destacou como a trama contribuiu para um debate mais profundo sobre o papel do homem na sociedade contemporânea e a desconstrução de estereótipos.

Um novo tipo de galã: a desconstrução da masculinidade idealizada
Romulo Estrela, aos 42 anos, traz uma perspectiva inovadora para a figura do galã tradicional. Segundo ele, o conceito de galã precisa ir além do homem perfeito que "salva o dia". "O homem real tem falhas, se vulnerabiliza, fala do que sente", afirmou. Essa abordagem humanizada é refletida no personagem Paulinho, um policial íntegro que, apesar de suas questões pessoais, se permite amar e demonstrar afeto.
A abordagem do ator não é apenas uma decisão artística, mas também uma escolha de responsabilidade social. Em um país onde os índices de feminicídio são alarmantes — segundo o Fórum Brasileiro de Segurança Pública, uma mulher é vítima de feminicídio a cada 7 horas —, trazer personagens que desafiam a masculinidade tóxica para a TV aberta é uma forma de influenciar positivamente a sociedade.

O impacto cultural de Três Graças
A novela, escrita por renomados autores, conquistou o público ao fugir dos clichês tradicionais do folhetim, como o triângulo amoroso. A relação entre Paulinho e Gerluce, interpretada por Sophie Charlotte, foi marcada por autenticidade e maturidade emocional. "Os casais permanecem juntos porque aceitam fazer novos acordos", disse Romulo, destacando como a trama conseguiu capturar a essência das relações reais.
Nas redes sociais, o casal "ParLuce" ganhou uma legião de fãs, memes e discussões sobre relacionamentos saudáveis. Essa conexão com o público reflete o sucesso de uma narrativa que priorizou a empatia e o realismo.
Romulo Estrela e a paternidade: um olhar atento
Romulo é pai de Theo, de 9 anos, fruto de seu casamento com a empresária Nilma Quariguasi. Ele admitiu que a experiência de criar um filho em uma sociedade marcada pelo machismo o faz refletir constantemente sobre seu papel como pai e como homem. "Eu herdo essa herança machista e estou fazendo o meu trabalho para mudar isso no que me cabe", afirmou.
O ator enfatizou a importância de ouvir as mulheres e reconhecer os próprios erros. Para ele, ser um aliado é um processo contínuo e exige atenção constante. "A gente nunca vai saber a dor de uma mulher. O máximo que podemos fazer é nos tornarmos aliados", disse.
Autocuidado e masculinidade: quebrando estigmas
Outro ponto destacado por Romulo foi sua relação com o autocuidado. Nas redes sociais, ele compartilha dicas de skincare, reflexões sobre saúde emocional e sua rotina de exercícios. Apesar das mudanças na percepção social sobre o tema, o ator reconhece que ainda há resistência entre os homens. "A gente aprendeu errado que cuidado é vaidade excessiva ou fraqueza", comentou.
Romulo acredita que cuidar do corpo e da mente é uma forma de preparo tanto para a vida pessoal quanto para as exigências de sua carreira. Ele vê sua exposição como uma maneira de inspirar outros homens a repensarem suas atitudes em relação ao autocuidado.
A repercussão de Paulinho e "ParLuce" no público
O sucesso de Paulinho e Gerluce também se reflete nos números de audiência e no engajamento nas redes sociais. Desde memes até discussões mais profundas, o casal se tornou um fenômeno cultural. Segundo dados da emissora, as cenas do casal lideraram o ranking de audiência em 15 estados brasileiros, reforçando o impacto da representação de um relacionamento saudável e realista na TV aberta.
Além disso, a novela conquistou um espaço importante no debate sobre questões sociais, como machismo, feminicídio e relações interpessoais. A construção de personagens como Paulinho serviu como um espelho para a audiência, que se viu refletida em suas fraquezas e virtudes.
Parceria com Sophie Charlotte e atuação colaborativa
Romulo destacou o trabalho colaborativo com Sophie Charlotte, sua parceira de cena. Segundo ele, a atriz contribuiu significativamente para a construção de uma relação realista entre os personagens. "Sophie é extremamente estudiosa, focada. Isso torna a troca muito rica", declarou. A química entre os dois foi um dos pilares para o sucesso de "ParLuce".
O legado de Três Graças
Com o encerramento de Três Graças, fica o legado de uma novela que ousou desafiar convenções e abordar temáticas essenciais. A abordagem delicada de questões como masculinidade, feminismo e relações interpessoais trouxe uma nova perspectiva para o horário nobre, gerando discussões que ultrapassaram as telas.
Para Romulo Estrela, esse é apenas o começo de uma jornada artística que busca não apenas entreter, mas também inspirar mudanças na sociedade. Seu compromisso em desconstruir padrões ultrapassados de masculinidade é um exemplo poderoso de como a arte pode ser uma ferramenta de transformação.
A Visão do Especialista
A trajetória de Romulo Estrela em Três Graças marca um ponto de inflexão no modo como a televisão brasileira aborda a masculinidade. A escolha de interpretar personagens multifacetados e emocionalmente abertos demonstra um movimento que acompanha a evolução social e cultural do país.
Especialistas em comunicação e análise de mídia destacam que a influência de figuras populares como Romulo pode ser um catalisador para mudanças, especialmente quando esses discursos alcançam o grande público. Ao promover o debate sobre o papel do homem na sociedade e a importância do autocuidado, Romulo não apenas solidifica sua relevância artística, mas também se posiciona como uma voz ativa em questões sociais.

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