"A Odisseia", novo épico dirigido por Christopher Nolan, trouxe uma questão polêmica aos cinemas brasileiros: a impossibilidade de assistir ao filme na proporção idealizada pelo diretor. Apesar de ser gravado inteiramente em formato IMAX 70mm, o Brasil carece da tecnologia necessária para exibir o longa em seu formato original. Mas afinal, o que isso significa para o público e por que a diferença de formato tem gerado tantas discussões?

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Fonte: redir.folha.com.br | Reprodução

O formato IMAX: uma experiência única

Christopher Nolan é conhecido por sua obsessão com qualidade cinematográfica e pela busca de experiências imersivas. Com "A Odisseia", ele elevou essa filosofia ao máximo, gravando o filme inteiramente em câmeras IMAX analógicas, capazes de capturar imagens em proporção 1.43:1. Esse formato verticalizado oferece maior riqueza de detalhes e uma imersão visual que se estende do chão ao teto da sala de cinema.

No entanto, apenas 41 cinemas no mundo possuem projetores capazes de exibir esse formato original. A maioria está concentrada nos Estados Unidos e Canadá, deixando os fãs brasileiros limitados a uma versão adaptada em telas digitais IMAX com proporção 1.90:1.

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Como o formato IMAX funciona no Brasil?

Atualmente, o Brasil conta com 12 salas de cinema IMAX digitais. Essas salas oferecem uma experiência visual superior às telas convencionais, mas com limitações. A proporção 1.90:1 utilizada aqui corta parte da imagem, especialmente nas áreas superior e inferior. Para comparação, as salas tradicionais exibem filmes em proporção 2.39:1, perdendo ainda mais conteúdo visual.

Embora a qualidade de som e imagem nas salas IMAX brasileiras seja amplificada, a ausência de projetores de película 70mm significa que os espectadores locais não podem vivenciar o longa como Nolan o idealizou.

Repercussão nas redes sociais

Os fãs não ficaram em silêncio sobre o assunto. Nas redes sociais, postagens destacam as diferenças entre os formatos de tela e lamentam a falta de tecnologia ideal no Brasil. Muitos usuários têm compartilhado imagens comparativas, mostrando o impacto visual da proporção 1.43:1 versus 1.90:1.

No Twitter, a hashtag #AOdisseiaIMAX tem acumulado comentários, com alguns usuários sugerindo que as distribuidoras deveriam investir na importação de tecnologias mais avançadas para o país.

Impacto no mercado cinematográfico

A ausência de projetores analógicos IMAX 70mm no Brasil evidencia um desafio maior: a defasagem tecnológica dos cinemas nacionais em relação aos padrões internacionais. Filmes como "Dunkirk" e "Oppenheimer", também dirigidos por Nolan, enfrentaram problemas semelhantes, com adaptações para telas digitais.

Isso levanta questões sobre o investimento em infraestrutura cinematográfica no Brasil, especialmente considerando o crescente número de cineastas que optam por gravar em formatos IMAX.

Por que a proporção importa?

A proporção de tela afeta diretamente a experiência do espectador. No formato original 1.43:1, a imersão visual é maximizada, com detalhes que simplesmente não cabem em proporções menores. Já na proporção 1.90:1, utilizada no Brasil, parte da composição visual é sacrificada, embora ainda seja superior ao widescreen tradicional.

Formato Proporção Disponibilidade
IMAX 70mm 1.43:1 41 salas no mundo
IMAX Digital 1.90:1 12 salas no Brasil
Widescreen 2.39:1 Salas tradicionais

Onde assistir "A Odisseia" em IMAX no Brasil?

Para quem deseja aproveitar ao máximo a experiência IMAX, São Paulo oferece três opções de salas com tecnologia digital:

  • Cinépolis JK Iguatemi: Equipado com tecnologia laser, essa sala tem um telão de 19,5m x 10,5m e ingressos a partir de R$ 78.
  • Cinesystem Pompéia: Com uma tela de 21m x 14m, esta sala oferece ingressos por R$ 58 e visuais mais retangulares.
  • UCI Anália Franco: Com ingressos mais acessíveis (R$ 50), é a única sala que oferece sessões dubladas.

Essas salas têm ingressos disputados, com sessões que variam entre matinês e horários noturnos, incluindo exibições de madrugada.

A Visão do Especialista

A limitação tecnológica no Brasil não apenas restringe a experiência de "A Odisseia", mas também reflete um gargalo maior na indústria cinematográfica nacional. Enquanto países como Estados Unidos e Canadá lideram em inovação e infraestrutura, o Brasil ainda luta para acompanhar essas mudanças.

O futuro, entretanto, pode trazer esperança. Com o crescente interesse em formatos IMAX, é possível que investimentos em projetores analógicos 70mm sejam considerados, especialmente diante da demanda de cineastas como Nolan. Até lá, o público brasileiro terá que se contentar com adaptações digitais, que, embora não sejam ideais, ainda representam uma evolução em termos de qualidade visual e sonora.

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