Um caso de hantavirose foi confirmado em Santa Catarina em 2026, despertando atenção enquanto o mundo acompanha o surto mortal a bordo do cruzeiro MV Hondius. O diagnóstico, feito pela Secretaria de Estado da Saúde (SES), ocorreu no município de Seara, no Oeste catarinense, e a variante identificada difere da cepa andina responsável pelas mortes no navio.

Contexto histórico da hantavirose no Brasil
Desde a primeira descrição da síndrome em 1993, o hantavírus tem sido monitorado como zoonose emergente no país. A doença, conhecida como febre hemorrágica com síndrome renal (HFRS) ou síndrome pulmonar por hantavírus (HPS), é endêmica em regiões com alta presença de roedores do gênero Oligoryzomys e Akodon. Até 2026, o Brasil registrou mais de 2.500 casos confirmados, com maior incidência nas regiões Sul e Sudeste.
Detalhes do caso em Seara

O paciente, residente em Seara, apresentou febre, mialgia e dispneia, sintomas típicos da HPS. Amostras de sangue foram enviadas ao Laboratório Central de Saúde Pública de Santa Catarina (Lacen), que confirmou a presença de hantavírus, porém de uma linhagem distinta da encontrada no MV Hondius.
Surto no MV Hondius: cronologia dos eventos
- 01/04/2026 – Embarque em Ushuaia, Argentina, com 88 passageiros e 59 tripulantes.
- 15/04/2026 – Primeiros sintomas relatados a bordo; isolamento de casos suspeitos.
- 22/04/2026 – Identificação laboratorial da cepa andina do hantavírus.
- 30/04/2026 – Três óbitos confirmados (casal holandês e mulher alemã).
- 05/05/2026 – Evacuação de passageiros para hospitais na África do Sul, Holanda e Suíça.
Características da cepa andina
A cepa andina é a única variante reconhecida com potencial de transmissão interhumana. Estudos publicados pela OMS em 2025 apontam que a transmissão ocorre principalmente em ambientes fechados, com contato prolongado entre indivíduos infectados, embora a taxa de contagiação seja baixa.
Transmissão: roedores versus humanos
Em Santa Catarina, a transmissão está associada ao contato com secreções de roedores, não havendo evidência de transmissão pessoa‑a‑pessoa. A diferença genética entre as duas linhagens reduz o risco de um surto comunitário no estado, mas reforça a necessidade de vigilância ambiental.
Estatísticas de hantavirose em Santa Catarina (2020‑2026)
| Ano | Casos Confirmados |
|---|---|
| 2020 | 12 |
| 2021 | 9 |
| 2022 | 8 |
| 2023 | 26 |
| 2024 | 11 |
| 2025 | 15 |
| 2026 | 1 (até 10/05) |
Vigilância e resposta da SES
A SES mantém monitoramento ativo, com coleta de amostras em áreas de risco e comunicação constante com o Lacen. Protocolos de notificação obrigatória foram reforçados, e equipes de saúde pública realizam inspeções em residências e estabelecimentos comerciais próximos a habitats de roedores.
Impacto no setor de turismo e saúde
O surto no MV Hondius gerou preocupação internacional, afetando a confiança dos viajantes em cruzeiros de longo percurso. Agências reguladoras europeias emitiram alertas temporários, enquanto operadoras brasileiras revisaram protocolos de higiene a bordo e de triagem pré‑embarque.
Opinião de especialistas
O epidemiologista Dr. Carlos Menezes, da Fiocruz, destaca que a divergência genética entre as cepas indica "uma situação controlável" para Santa Catarina. Ele recomenda intensificar a pesquisa de ecologia de roedores e ampliar a capacidade de diagnóstico rápido em unidades de saúde.
Recomendações para a população
Autoridades orientam evitar o acúmulo de lixo doméstico, vedar frestas em casas e usar máscaras ao limpar áreas potencialmente contaminadas. Caso apareçam sintomas como febre alta, dor torácica ou dificuldade respiratória, procure imediatamente um serviço de saúde.
Perspectivas de pesquisa e controle
Projetos de sequenciamento viral em parceria com a OMS visam mapear a diversidade genética do hantavírus na América do Sul. O objetivo é identificar mutações que possam ampliar a transmissibilidade humana, permitindo intervenções precoces.
A Visão do Especialista
O próximo passo crítico é integrar vigilância ambiental, laboratorial e clínica para evitar que variantes de maior transmissibilidade se estabeleçam. Enquanto a cepa de Seara permanece restrita ao ciclo zoonótico, o cenário internacional demonstra que a mobilidade humana pode acelerar a disseminação de cepas raras. Investimentos em diagnóstico rápido, educação pública e controle de roedores são essenciais para proteger a saúde pública e manter a confiança nos setores de turismo e comércio.

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