A reestruturação recente da SPX Capital, uma das principais gestoras de recursos do Brasil, trouxe à tona diversas mudanças estratégicas e de liderança. Rogério Xavier, fundador e principal acionista da empresa, busca esclarecer rumores sobre conflitos internos e justificar os ajustes realizados após anos de performance abaixo do esperado. Em suas palavras: "Nós somos traders, não freiras", destacando o ambiente competitivo e os desafios enfrentados pela gestora nos últimos anos.
Contexto: O declínio de uma gigante do mercado multimercado
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Fundada em 2010, a SPX rapidamente se consolidou como uma das gestoras mais respeitadas no cenário financeiro brasileiro, com um pico de mais de R$ 80 bilhões sob gestão. No entanto, nos últimos anos, a gestora enfrentou dificuldades significativas. O principal fundo da casa, o Nimitz, registrou um desempenho decepcionante, incluindo a pior perda mensal de sua história, 5,5%, em março de 2026. O patrimônio da gestora caiu para cerca de R$ 49 bilhões, refletindo a saída de clientes insatisfeitos.

A crise na SPX está longe de ser um caso isolado. Segundo especialistas, o setor de fundos multimercado no Brasil enfrenta desafios macroeconômicos intensos. A elevação da taxa Selic para 14,5% tornou os investimentos em renda fixa mais atrativos, deslocando recursos que antes buscavam retornos superiores nos multimercados.
O que mudou na SPX Capital?
Uma das principais mudanças foi a redistribuição das responsabilidades de gestão. Rogério Xavier, que anteriormente liderava grande parte da operação, agora administra uma fração menor dos fundos. Bruno Pandolfi, sócio-fundador, assumiu a área que concentra a maior fatia dos ativos sob gestão. Essa decisão foi tomada após debates internos e reconhecimentos de erros estratégicos por parte de Xavier.
Além disso, a gestora decidiu reduzir sua presença internacional, encerrando operações em Londres e Nova York. No entanto, a SPX mantém planos de expansão no Oriente Médio, com a abertura de um escritório em Abu Dhabi. Xavier se mudou para Cascais, Portugal, onde pretende focar em identificar oportunidades de risco-retorno mais atrativas, evitando a pulverização de investimentos em posições menores e menos lucrativas.
Impactos no mercado e na indústria de fundos multimercado
A reestruturação da SPX reflete uma tendência mais ampla no mercado de fundos multimercado no Brasil. Os altos juros e o retorno de aplicações em renda fixa atreladas à Selic têm tirado o apelo desses fundos, que enfrentam crescente dificuldade em superar benchmarks como o CDI. O Nimitz, por exemplo, apresentou apenas 0,8% de retorno até maio de 2026, ficando novamente aquém do CDI.
Segundo Samuel Ponsoni, fundador da Outliers Advisory, os fundos multimercado vivem um momento desafiador, marcado por resgates e questionamentos sobre suas estratégias e modelos de gestão. A própria SPX, que outrora liderava com retornos de 12% ao ano entre 2015 e 2022, agora busca maneiras de reganhar a confiança dos investidores, especialmente no exterior.
Críticas ao modelo de gestão descentralizado
Um dos principais pontos levantados por investidores estrangeiros foi a estrutura dispersa de tomada de decisões da SPX. Xavier reconheceu que a falta de um comando centralizado pode ter contribuído para os resultados inconsistentes. "Em uma organização com várias pessoas decidindo, ninguém decide", afirmou. A centralização na figura de Pandolfi busca resolver essa fragilidade.
O custo das mudanças
A redução das operações internacionais e a saída de sócios importantes, como Marcelo Castro e Marcella Libardoni, não vieram sem custos. O fechamento de escritórios em Londres e Nova York, que outrora simbolizavam a ambição global da SPX, pode representar uma perda de oportunidades em mercados estratégicos. No entanto, o foco em Abu Dhabi sugere uma tentativa de compensar essa retração com a entrada em um mercado com potencial de altos retornos.
| Ano | Patrimônio sob Gestão (R$ bilhões) | Retorno do Fundo Nimitz | Taxa Selic (%) |
|---|---|---|---|
| 2022 | 80 | 12% | 8% |
| 2023 | 70 | -1,5% | 13,75% |
| 2026 (até maio) | 49 | 0,8% | 14,5% |
Oportunidades para investidores
Apesar das dificuldades, a reestruturação da SPX pode abrir novas oportunidades. A concentração da gestão em uma única liderança promete maior agilidade e assertividade nas decisões de investimento. Além disso, a busca por mercados alternativos, como o Oriente Médio, pode oferecer retornos atrativos em um cenário de juros globais elevados.
Para os investidores, o momento é oportuno para analisar como a gestora se sairá nessa nova fase. A experiência de Xavier em identificar grandes oportunidades e o histórico de sucesso da SPX ainda sustentam a reputação da empresa. Contudo, o foco deve estar em avaliações criteriosas de risco e retorno, especialmente em um ambiente onde a renda fixa oferece maior segurança e previsibilidade.
A Visão do Especialista
Do ponto de vista econômico, a reestruturação da SPX é um reflexo claro das dificuldades enfrentadas pelos fundos multimercado em um cenário de juros elevados e clientes mais avessos ao risco. A decisão de centralizar a gestão e focar em mercados específicos pode ser uma estratégia acertada para reconquistar confiança, mas ainda depende de resultados consistentes.
Para o investidor, o momento exige cautela. Antes de alocar recursos, é essencial observar como a SPX se posicionará perante a concorrência e se as mudanças trarão o retorno esperado. A frase de Xavier, "estamos aqui para trabalhar para o investidor", será colocada à prova. Afinal, o mercado financeiro recompensa resultados, e não promessas.
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