A Rodovia Luiz de Queiroz (SP-304) registrou 341 acidentes entre março de 2025 e abril de 2026, conforme dados divulgados pelo Departamento de Estradas de Rodagem (DER) e pela concessionária Eixo SP. Durante o período, foram confirmadas 12 mortes e 166 vítimas, das quais 128 sofreram ferimentos leves e 26 ficaram em estado grave.

O cenário na SP-304: números alarmantes

De acordo com o levantamento, o DER contabilizou 306 acidentes no trecho sob sua responsabilidade, enquanto a concessionária Eixo SP registrou 35 ocorrências no trecho de Piracicaba, onde obras estão em andamento desde março de 2025. Os números refletem a complexidade e os desafios enfrentados pelos motoristas na rodovia.

Entre os acidentes registrados, chama atenção o fato de 173 não resultarem em vítimas. Por outro lado, 125 incidentes envolveram feridos e oito apresentaram vítimas fatais, sendo que alguns desses casos contabilizaram mais de uma morte.

Colisões traseiras: o tipo de acidente mais comum

Segundo o levantamento, as colisões traseiras lideraram as ocorrências na SP-304, somando 94 acidentes ao longo do período analisado. Esse tipo de acidente é atribuído, em grande parte, ao excesso de velocidade e à falta de distância segura entre os veículos. Outros tipos de acidentes registrados incluem quedas (36), choques (33), colisões laterais (30) e capotamentos (25).

Outros tipos de acidentes

  • Engavetamentos: 19 casos
  • Tombamentos: 19 casos
  • Atropelamentos de animais: 7 casos
  • Colisões transversais: 5 casos
  • Atropelamentos de pedestres: 4 casos
  • Colisões frontais: 3 casos

Impacto das características da rodovia

O especialista Dr. Creso de Franco Peixoto, professor da FECFAU da Unicamp, explica que as características da SP-304, como trechos retos e curvas abertas, além de subidas e descidas constantes, influenciam o comportamento dos motoristas. Esses fatores, aliados ao excesso de velocidade e à proximidade entre veículos, estão diretamente ligados ao alto índice de colisões traseiras.

Motociclistas: foco de preocupação

A participação de motocicletas nos acidentes graves também é motivo de alerta. Segundo o especialista, muitos motociclistas subestimam a fragilidade do veículo e adotam comportamentos de risco, como movimentos laterais entre veículos e excesso de velocidade. Esse comportamento tem contribuído significativamente para quedas e, em muitos casos, fatalidades.

Infraestrutura e radares: medidas preventivas

No segundo semestre de 2025, novos radares foram instalados na SP-304, como parte do Edital nº 145/2023, que prevê a implantação de 649 equipamentos em rodovias estaduais. Na SP-304, os radares passaram a fiscalizar velocidades de até 80 km/h, medida que visa conter os acidentes.

Apesar da redução no limite de velocidade, o professor Creso Peixoto alerta que essa medida, isoladamente, não resolve o problema. "Baixar de 100 para 80 km/h ajuda, mas não elimina o risco das colisões traseiras," afirmou.

Travessias e atropelamentos

Outro ponto crítico é o número de atropelamentos registrados na rodovia. Segundo especialistas, é essencial monitorar os pontos de travessia de pedestres e investir em passarelas ou passagens inferiores nos trechos de maior fluxo. "A vida humana não tem preço, e medidas preventivas são indispensáveis para evitar acidentes graves," concluiu Peixoto.

A redução nos números: uma luz no fim do túnel

Apesar dos números alarmantes, o DER identificou uma redução de 6% no total de sinistros e de 2,1% no número de vítimas em comparação ao período anterior. Essa queda pode ser atribuída às medidas de segurança implementadas, como a instalação de radares e campanhas de conscientização.

A Visão do Especialista

Os dados da SP-304 revelam um cenário preocupante, mas também apontam para um caminho de melhorias. Investimentos em infraestrutura, como a instalação de radares e a construção de passarelas, são passos importantes, mas insuficientes sem a conscientização dos motoristas. O comportamento ao volante, especialmente entre motociclistas, precisa ser repensado para evitar tragédias.

Além disso, é necessário intensificar a fiscalização e promover campanhas educativas que reforcem a importância da distância segura entre veículos e da redução de velocidade. A SP-304, como muitas outras rodovias brasileiras, reflete um problema estrutural que só será resolvido com a combinação de esforços entre órgãos responsáveis e condutores.

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