Em meio à Operação Compliance Zero da Polícia Federal, o senador Jaques Wagner tentou vender um terreno de 51 mil m² em Camaçari por R$ 15,8 milhões e um apartamento de luxo em Salvador por R$ 10 milhões, totalizando R$ 25,8 milhões em negociações bloqueadas pelo STF.

Contexto da Operação Compliance Zero

A PF, na 9ª fase da operação, investigou supostos recebimentos ilícitos do Banco Master, culminando em mandados de busca e apreensão contra Wagner em 18/06/2026. O caso ganhou repercussão nacional, colocando em xeque a integridade de figuras-chave do governo Lula.

O terreno de 51 mil m² em Camaçari

Comprado em 2000 por R$ 28 mil, o imóvel foi avaliado em cerca de R$ 12 milhões por corretores locais, porém a negociação anunciada chegou a R$ 15,8 milhões. A diferença levantou suspeitas de sobrevalorização para fins de repasse patrimonial.

A negociação com o Grupo City

O comprador seria o Grupo City, controlador da SAF do Esporte Clube Bahia, que planeja desenvolver um loteamento de alto padrão na região. Documentos apresentados pelo senador alegam permuta de lotes e pagamento antecipado de R$ 2 milhões, com DARF de ganho de capital já quitado.

O apartamento no Corredor da Vitória

Marcelo Passos, prefeito de Conceição do Coité, adquiriu o apartamento por R$ 10 milhões, alegando pagamento integral em depósitos bancários antes da divulgação pública da operação. O político afirma ser "terceiro de boa‑fé" e busca a liberação da escritura.

Bloqueio judicial e ordem de indisponibilidade

Imediatamente após a tentativa de registro, o cartório de Camaçari recebeu ordem do ministro André Mendonça, bloqueando a transferência de ambos os imóveis. A medida visa preservar o patrimônio enquanto se apura eventual lavagem de dinheiro.

Repercussão no mercado imobiliário baiano

Especialistas apontam que o caso pode gerar aversão ao risco em negociações de alto valor na região metropolitana de Salvador.

ImóvelValor acordadoValor de mercadoValor já recebido
Terreno CamaçariR$ 15,8 miR$ 12 miR$ 12 mi
Apartamento SalvadorR$ 10 miR$ 9,5 miR$ 0

Reações políticas e jurídicas

O bloqueio forçou a saída de Wagner do cargo de líder do governo Lula no Senado, embora ele mantenha a pré‑candidatura à reeleição em 2026. O advogado Pablo Domingues nega irregularidades, limitando‑se a questões de campanha.

Cronologia dos fatos

  • 18/06/2026 – PF cumpre mandados de busca e apreensão contra Wagner (Operação Compliance Zero).
  • 19/06/2026 – Defesa protocola escritura do terreno no 1.º Ofício de Registro de Imóveis de Camaçari.
  • 19/06/2026 – Ministro André Mendonça emite ordem de indisponibilidade de bens.
  • 23/06/2026 – Marcelo Passos apresenta petição ao STF solicitando liberação do apartamento.
  • 30/06/2026 – Nota do senador ao BN confirma negociação iniciada em 2024 com o City Football Group.

Análise de especialistas

Segundo a professora de direito tributário da UFBA, Drª. Lúcia Pereira, a sobrevalorização de ativos pode ser estratégia de "lavagem de dinheiro" em fase preliminar de investigação. Já o economista do mercado imobiliário, Carlos Meireles, alerta que o bloqueio pode reduzir a liquidez de empreendimentos de grande porte na Bahia.

A Visão do Especialista

O analista político André Torres conclui que o caso Wagner‑City‑Passos evidencia vulnerabilidades nos mecanismos de controle de patrimônio de agentes públicos. Ele recomenda maior transparência nas transações imobiliárias e a criação de um cadastro nacional de bens de alta relevância para evitar manobras semelhantes.

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