O Tribunal Regional Eleitoral de Mato Grosso do Sul (TRE-MS) autorizou o Governo do Estado a manter a veiculação de campanhas institucionais durante o período de restrições eleitorais. A decisão, publicada no Diário da Justiça Eletrônico (DJE-MS) no dia 20 de julho de 2026, reconhece a existência de "grave e urgente necessidade pública" nas solicitações apresentadas pelo Executivo estadual.

Quais campanhas estão autorizadas?
De acordo com o TRE-MS, as campanhas aprovadas abordam temas de interesse público e com impacto direto na população. Entre elas, destacam-se:
- "Volta às Aulas": Voltada à orientação sobre segurança no trânsito e prevenção de acidentes em horários de maior circulação de estudantes.
- "Cadastro de Plantio da Soja" e "Vazio Sanitário da Soja": Focadas na proteção da produção agrícola contra doenças e outros problemas fitossanitários.
- "Combate ao Mosquito": Campanha direcionada à prevenção de doenças como dengue e chikungunya, com foco na saúde pública.
- "Festival de Inverno de Bonito": Informações sobre datas, locais e programação gratuita de um dos eventos culturais mais importantes do estado.
O que diz a legislação eleitoral?
Durante o período eleitoral, a Lei nº 9.504/1997, que regula as eleições no Brasil, restringe a publicidade institucional realizada por órgãos públicos. Essa limitação visa evitar que campanhas sejam utilizadas para promoção pessoal de candidatos ou partidos.
No entanto, o artigo 73 da mesma lei permite exceções em casos de "grave e urgente necessidade pública", desde que devidamente justificadas e aprovadas pela Justiça Eleitoral. Esse foi o argumento principal do Governo de Mato Grosso do Sul para solicitar a autorização ao TRE-MS.
A análise do TRE-MS
Após a análise dos pedidos apresentados pelo governo estadual, o TRE-MS entendeu que as campanhas possuem caráter informativo e educativo, sem indícios de promoção eleitoral. A decisão também considerou os pareceres favoráveis emitidos pela Procuradoria Regional Eleitoral (PRE).
O presidente do TRE-MS, desembargador Carlos Eduardo Contar, destacou que as ações publicitárias devem respeitar rigorosamente os princípios de imparcialidade e isenção. Qualquer tentativa de desvirtuar as campanhas poderá resultar em sanções previstas na legislação eleitoral.
Impactos na comunicação institucional
O aval judicial permite que o Governo do Mato Grosso do Sul continue informando a população sobre temas essenciais durante um período sensível, como o eleitoral. Contudo, a autorização impõe limites claros, como a proibição do uso de nomes, imagens ou símbolos que possam associar as campanhas a autoridades ou servidores públicos.
Essa medida busca garantir que as ações de comunicação cumpram exclusivamente sua finalidade pública, evitando qualquer tipo de benefício eleitoral indireto.
Contexto histórico
Decisões semelhantes já foram tomadas em outros estados do Brasil, especialmente em situações de emergência sanitária ou ambiental. Durante a pandemia de COVID-19, por exemplo, diversos tribunais eleitorais autorizaram campanhas de conscientização e vacinação, mesmo em períodos restritos.
Esses precedentes reforçam o entendimento jurídico de que o interesse público deve prevalecer, desde que haja comprovação da necessidade e que os princípios da isonomia eleitoral sejam respeitados.
Repercussão entre setores envolvidos
A decisão do TRE-MS foi bem recebida por setores como educação, agricultura e saúde pública. Entidades educacionais elogiaram a continuidade da campanha "Volta às Aulas", que coincide com o retorno às atividades escolares presenciais após o recesso de julho.
No setor agrícola, a manutenção das campanhas relacionadas ao plantio e vazio sanitário da soja foi vista como essencial para prevenir prejuízos econômicos causados por doenças e pragas. Já na saúde pública, a divulgação de informações sobre o combate ao mosquito transmissor da dengue e chikungunya é considerada crucial para evitar surtos e epidemias.
Desafios à frente
Embora a autorização represente um avanço para a comunicação institucional, ela também impõe desafios. O governo terá que garantir que as campanhas respeitem os limites impostos pelo TRE-MS, sob pena de sanções que podem comprometer a estratégia de comunicação durante o período eleitoral.
Além disso, a fiscalização por parte da Justiça Eleitoral e da sociedade civil será fundamental para assegurar a transparência e a legalidade das ações publicitárias.
Próximos passos e monitoramento
Com a autorização em vigor, o governo deve intensificar os esforços para implementar as campanhas de forma ágil e eficiente. Contudo, será necessário documentar cuidadosamente cada etapa do processo para demonstrar o cumprimento das exigências legais.
A Justiça Eleitoral, por sua vez, terá o papel de monitorar a execução dessas campanhas, verificando se elas permanecem dentro do escopo autorizado e não assumem caráter de autopromoção.
A Visão do Especialista
Essa decisão do TRE-MS reforça a importância do equilíbrio entre comunicação pública e isonomia nas eleições. Segundo especialistas em direito eleitoral, o caso de Mato Grosso do Sul é um exemplo de como o sistema jurídico brasileiro consegue ser flexível para atender demandas urgentes sem comprometer os princípios democráticos.
No entanto, a aplicação rigorosa das regras e a fiscalização contínua são indispensáveis para evitar abusos. À medida que o período eleitoral avança, é esperado que outras unidades da federação enfrentem desafios semelhantes, o que poderá levar a um debate mais amplo sobre os limites da publicidade institucional durante eleições.
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