Donald Trump não previa que o ataque ao Irã geraria efeitos colaterais tão intensos. A decisão de lançar a ofensiva em 28 de fevereiro de 2024 foi tomada dentro da estratégia de "pressão máxima" contra o programa nuclear iraniano, mas poucos documentos oficiais mencionam a avaliação de riscos econômicos.
Antes da ofensiva, a administração Trump havia ampliado sanções financeiras contra Teerã. Por meio de execuções executivas e da Lei de Sanções Estrangeiras (OFAC), os EUA bloquearam ativos de empresas de energia e limitavam o acesso do Irã ao sistema bancário internacional.
O plano militar incluía ataques a instalações de refino e ao porto de Bandar Abbas. Segundo o Departamento de Defesa, o objetivo era degradar a capacidade de exportação de petróleo iraniano e forçar o retorno ao acordo nuclear.
Qual era a estratégia dos EUA antes do ataque?
O fechamento imediato do Estreito de Ormuz foi um dos primeiros impactos. Autoridades americanas relataram que navios comerciais foram desviados, provocando atrasos nas cadeias de suprimento de energia.
Os preços do barril dispararam, ultrapassando US$ 120, elevando a inflação global. Dados da OPEP mostraram um aumento de 15 % no custo do petróleo bruto nos dois primeiros meses após o ataque.
O dólar perdeu terreno frente ao real, que recuou quase 7 % desde o início do ano. O mercado cambial reagiu à incerteza, refletindo a pressão sobre as reservas internacionais dos países emergentes.
Quais foram as consequências imediatas?
Na arena diplomática, a ONU convocou uma sessão de emergência. O Conselho de Segurança pediu cessar-fogo imediato, mas vetos dos EUA impediram uma resolução vinculante.
Teerã respondeu com lançamentos de mísseis balísticos contra bases americanas na região. O Pentágono registrou 12 interceptações bem‑sucedidas, mas reconheceu danos limitados em infraestruturas estratégicas.
Como evoluiu a crise até 2026?
- 28/02/2024 – Início dos ataques aéreos dos EUA contra alvos iranianos.
- 01/03/2024 – Fechamento do Estreito de Ormuz; preço do petróleo sobe 15 %.
- 15/03/2024 – Primeiro voto de veto dos EUA no Conselho de Segurança da ONU.
- 30/04/2024 – Retomada parcial das navegações no estreito após pressão internacional.
- 10/09/2024 – Início de negociações de trégua mediadas pela União Europeia.
- 08/01/2025 – Assinatura de acordo preliminar de desescalada.
- 03/07/2025 – Reabertura total do Estreito de Ormuz.
- 10/04/2026 – Continuação das conversas sobre o programa nuclear iraniano, sem solução definitiva.
O Congresso dos EUA iniciou audiências para investigar a falta de avaliação de risco. Relatórios do Escritório de Avaliação de Estratégia (OAS) apontam que o Departamento de Estado não considerou suficientemente o impacto no mercado de energia.
Implicações para o Brasil e a economia global
O preço do petróleo influenciou diretamente os subsídios temporários concedidos pelo governo Lula. Com a queda dos preços internacionais, o Ministério da Fazenda revisou o apoio a combustíveis, reduzindo o benefício em 30 %.
A desvalorização do dólar favoreceu a competitividade das exportações brasileiras de soja, milho e café. Dados do Ministério da Agricultura indicam aumento de 8 % nas receitas de exportação nos últimos seis meses.
Entretanto, a volatilidade cambial mantém pressão inflacionária sobre produtos importados. O Banco Central sinaliza que a política de juros poderá permanecer estável até que a cotação do dólar se estabilize.
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