Em uma série de declarações feitas na rede social Truth Social, o ex-presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmou que o acordo com o Irã, voltado para o fim da guerra e questões nucleares, ainda não está "totalmente negociado". Segundo Trump, ninguém viu o texto completo do acordo e que, se fechado, seria "adequado e diferente do pacto firmado por Barack Obama em 2015".

Contexto histórico: O acordo nuclear de 2015

O pacto mencionado por Trump refere-se ao "Plano de Ação Conjunto Global" (JCPOA), assinado em 2015 entre o Irã e países como EUA, Reino Unido, Rússia, China, França e Alemanha. Ele previa limitar o programa nuclear iraniano em troca da retirada de sanções econômicas. Críticos, como Israel e grupos políticos conservadores, alegam que os recursos liberados pelo acordo foram usados para financiar atividades militares na região.

Em 2018, Trump decidiu retirar unilateralmente os EUA do JCPOA, impondo novas sanções ao Irã e iniciando uma escalada de tensões entre os dois países. Desde então, negociações para um novo pacto vêm sendo discutidas, mas sem resultados concretos.

As declarações de Trump e o cenário atual

No último sábado (23 de maio de 2026), Trump afirmou que acreditava que o acordo estava próximo de ser concluído. No entanto, poucas horas depois, ele adotou um tom mais agressivo, ameaçando "explodir [o Irã] em mil infernos" caso as partes não chegassem a um consenso.

Já no domingo (24), o ex-presidente mudou novamente o discurso, indicando que havia orientado seus representantes a não terem pressa nas negociações. Segundo ele, "o tempo está a favor do governo norte-americano" e as conversas estavam progredindo "de forma ordenada e construtiva".

O Estreito de Ormuz: Ponto-chave das negociações

De acordo com o jornal "New York Times", os dois países teriam chegado a um entendimento preliminar. O Irã reabriria o estratégico Estreito de Ormuz em troca da entrega de seu arsenal nuclear. Atualmente, os EUA mantêm um bloqueio aos portos iranianos, iniciado em abril de 2026, após o fechamento do estreito por Teerã.

O Estreito de Ormuz é uma rota essencial para o comércio global de petróleo, responsável por cerca de 20% da produção mundial. Seu fechamento temporário elevou os preços da commodity, impactando economias ao redor do mundo.

Item Impactos
Fechamento do Estreito Aumento nos preços do petróleo
Bloqueio dos EUA Redução do comércio iraniano
Possível reabertura Retorno ao fluxo de petróleo global

O programa nuclear iraniano: A principal exigência dos EUA

Um dos pontos centrais do impasse nas negociações é o programa nuclear do Irã. Desde 2018, Teerã tem avançado em sua capacidade de enriquecimento de urânio, alegando fins pacíficos. No entanto, os EUA exigem o encerramento total do programa, algo que o Irã tem rejeitado repetidamente.

O posicionamento americano reflete preocupações de aliados regionais, como Israel, e do próprio Partido Republicano, que vê o programa nuclear como uma ameaça à segurança global.

Repercussões no mercado e geopolítica

As declarações de Trump e os desdobramentos das negociações com o Irã têm gerado impactos significativos no mercado financeiro e na geopolítica mundial:

  • Mercado de petróleo: Os preços continuam voláteis devido à incerteza sobre o Estreito de Ormuz.
  • Diplomacia internacional: Países como China e Rússia têm criticado a postura americana, enquanto aliados como Israel apoiam uma linha dura contra o Irã.
  • Impacto econômico: Sanções ao Irã afetam diretamente o comércio regional e global.

A visão do especialista

Especialistas em relações internacionais apontam que as negociações entre EUA e Irã enfrentam barreiras substanciais, como desconfiança mútua e pressões internas de ambos os governos. Embora Trump tenha adotado uma postura mais agressiva em suas declarações, o tom "ordenado e construtivo" das negociações indica que há espaço para um possível acordo.

Se o pacto for assinado, ele pode redefinir o cenário geopolítico no Oriente Médio, aliviar tensões comerciais e estabilizar o mercado de petróleo. No entanto, o sucesso dependerá da capacidade das partes de solucionar os pontos críticos, especialmente o programa nuclear iraniano e a reabertura do Estreito de Ormuz.

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