"Quando o filho é bonito, todo mundo quer ser pai." Com esta frase, o vereador Randerson Leal (Podemos) sintetizou a disputa de autoria em torno de um dos projetos mais comentados em Salvador: a faixa azul exclusiva para motocicletas na Avenida Bonocô. A declaração foi dada durante entrevista ao Projeto Prisma do Bahia Notícias, em 13 de julho de 2026. A polêmica, que envolve não apenas questões de reconhecimento, mas também impactos no trânsito da capital baiana, reacendeu debates sobre mobilidade urbana e a dinâmica política local.

O projeto da faixa azul: origem e objetivos
A faixa azul na Avenida Bonocô foi oficialmente implementada em março de 2025, com o objetivo de oferecer maior segurança e fluidez para motociclistas em uma das principais vias de Salvador. Segundo Randerson Leal, a medida é fruto da Lei nº 9.841, de sua autoria, aprovada na Câmara Municipal. O projeto visava reduzir acidentes envolvendo motociclistas, que representam uma parcela significativa dos incidentes no trânsito da cidade.
No entanto, apesar de sua autoria constar nos Anais da Câmara Municipal, o vereador afirma que enfrentou dificuldades para ter seu papel reconhecido. Ele não foi oficialmente notificado sobre a data de implementação da faixa e só soube do evento por meio de uma ligação de um repórter. Mesmo assim, fez questão de comparecer ao local para gravar um vídeo explicando o projeto e reafirmando sua participação no processo.
Disputa pela autoria: um reflexo da política local?
A frase emblemática de Randerson, comparando a autoria do projeto a um "filho bonito que todos querem ser pais", ilustra uma disputa política recorrente. Projetos de impacto positivo, como o da faixa azul, frequentemente tornam-se alvos de disputas políticas, em que diferentes atores buscam se apropriar dos méritos. Essa dinâmica não é nova na política brasileira e reflete a busca por capital político em iniciativas bem-sucedidas.
Especialistas em ciência política apontam que a falta de clareza no reconhecimento da autoria de projetos pode minar a confiança da população nos representantes eleitos. "Quando há uma disputa de autoria, o foco desvia do benefício público para questões de vaidade política", explica a cientista política Ana Luiza Moreira. "Isso prejudica a percepção da população sobre a efetividade e seriedade da política local."
Impactos da faixa azul no trânsito de Salvador
Desde a sua implementação, a faixa azul na Bonocô tem gerado debates acalorados. Dados preliminares apontam que a medida resultou em uma redução de 18% nos acidentes envolvendo motocicletas na via em seu primeiro ano de funcionamento. Além disso, a fluidez do trânsito também apresentou melhorias, com registros de redução no tempo médio de deslocamento.
| Indicador | Antes da faixa azul | Depois da faixa azul |
|---|---|---|
| Acidentes envolvendo motocicletas (média anual) | 120 | 98 |
| Tempo médio de deslocamento (em minutos) | 25 | 20 |
Apesar dos resultados positivos, alguns críticos levantam preocupações sobre o impacto da medida em outros usuários da via, como motoristas de automóveis e usuários de transporte público. "A redistribuição do espaço viário é um desafio em cidades com infraestrutura limitada como Salvador, e as soluções precisam ser amplamente debatidas", afirma o engenheiro de trânsito Rafael Martins.
Expansão da faixa azul: planos e desafios
Randerson Leal revelou que há planos para expandir a faixa azul para outras importantes avenidas de Salvador, como a Antônio Carlos Magalhães e a Garibaldi. Em julho de 2025, o vereador se reuniu com Adrualdo de Lima, Secretário Nacional de Trânsito (Senatran), para discutir a viabilidade dessa expansão, tendo já coletado os dados necessários e obtido a aprovação inicial.
No entanto, a execução do projeto enfrenta atrasos. A expansão, inicialmente prevista para abril de 2026, ainda não ocorreu. Randerson afirmou que, caso a situação não seja resolvida após o recesso da Câmara, ele pretende retornar a Brasília para reforçar o pedido. Caso a tentativa fracasse, o vereador cogita apresentar um projeto de lei para retirar a autonomia da Senatran na autorização de faixas exclusivas em Salvador.
Contexto histórico: o desafio da mobilidade urbana em Salvador
Salvador, como outras grandes cidades brasileiras, enfrenta desafios históricos relacionados à mobilidade urbana. Com uma frota crescente de veículos, a capital baiana tem registrado um aumento significativo no número de motociclistas nos últimos anos. Segundo o Departamento Estadual de Trânsito da Bahia (Detran-BA), o número de motocicletas registradas na cidade cresceu 25% nos últimos cinco anos.
Esse crescimento reflete uma tendência nacional, já que as motocicletas são vistas como uma alternativa mais econômica e ágil em meio ao trânsito caótico das grandes cidades. No entanto, também traz um aumento proporcional no número de acidentes envolvendo esse modal, evidenciando a necessidade de políticas públicas voltadas para a segurança e organização do trânsito.
A Visão do Especialista
A disputa pela autoria do projeto da faixa azul na Bonocô é um reflexo de como iniciativas bem-sucedidas podem servir como moeda política em um cenário de intensa competitividade. No entanto, mais importante do que a autoria é o impacto real da medida na vida dos cidadãos. Os dados iniciais demonstram que a ideia tem potencial para transformar a mobilidade e a segurança dos motociclistas em Salvador.
Para os próximos passos, é essencial que o poder público priorize a expansão planejada e garanta a transparência e o reconhecimento devido aos envolvidos. Além disso, é fundamental que as discussões sobre mobilidade urbana sejam ampliadas, incluindo diferentes setores da sociedade, para que soluções integradas e sustentáveis sejam implementadas.
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