O prefeito de Feira de Santana, Zé Ronaldo (União Brasil), reacendeu o debate sobre a regulação de vagas na saúde pública da Bahia ao utilizar novamente o termo "fila da morte" em um discurso realizado durante a convenção do partido União Brasil. A fala ocorreu na quarta-feira (22) e foi uma resposta indireta ao governador Jerônimo Rodrigues (PT), que recentemente criticou o uso dessa expressão. O termo, segundo Zé Ronaldo, não é de sua autoria, mas teria sido cunhado pela própria população para descrever a situação enfrentada por pacientes que aguardam atendimento na rede estadual de saúde.
A Polêmica em Torno da "Fila da Morte"
O termo "fila da morte" foi mencionado por Zé Ronaldo pela primeira vez em julho, durante um evento público, quando o prefeito criticou a gestão estadual da saúde e defendeu uma mudança administrativa. Ele afirmou que eliminar a chamada fila da morte seria uma das prioridades de uma nova gestão estadual. A declaração gerou uma resposta direta do governador Jerônimo Rodrigues, que classificou a expressão como inadequada e ressaltou o diálogo institucional mantido com o prefeito ao longo de seu mandato.
De acordo com Jerônimo, a relação com Zé Ronaldo sempre foi marcada por respeito e cooperação mútua, mesmo em um cenário de divergências políticas. O governador também destacou que o prefeito nunca havia utilizado essa linguagem em reuniões ou negociações anteriores. A crítica pública, portanto, foi interpretada como uma mudança de postura com motivações eleitorais.
O Contexto da Regulação na Saúde da Bahia
A regulação de vagas na Bahia é um sistema centralizado que busca organizar os atendimentos de alta complexidade no estado. Apesar de ser um mecanismo essencial para a gestão de recursos limitados, o sistema é frequentemente alvo de críticas devido à demora no atendimento e à alta demanda, que superam a capacidade da rede pública.
A Secretaria de Saúde da Bahia (Sesab) reconhece os desafios, mas argumenta que o sistema é necessário para garantir um atendimento mais equitativo. Em 2025, dados oficiais indicaram que mais de 200 mil pacientes aguardavam na fila por procedimentos médicos, com tempos de espera que, em alguns casos, ultrapassavam meses.
A Reação do Governo Estadual
Em resposta às críticas, Jerônimo Rodrigues destacou os esforços do governo em ampliar a rede de atendimento no estado, incluindo a construção de novos hospitais e policlínicas. Segundo ele, a gestão estadual tem investido em melhorias estruturais e na descentralização dos serviços de saúde para reduzir a sobrecarga nos grandes centros.
O governador também apontou a ausência de um hospital municipal em Feira de Santana como um dos fatores que contribuem para a pressão sobre o sistema estadual. Ele sugeriu que a prefeitura da cidade, a segunda maior da Bahia, deveria assumir uma postura mais proativa na ampliação da infraestrutura local de saúde.
Impacto Político e Eleitoral
A troca de declarações entre Zé Ronaldo e Jerônimo Rodrigues ocorre em um contexto de crescente polarização política na Bahia, especialmente com as eleições estaduais de 2026 se aproximando. A aliança de Zé Ronaldo com ACM Neto, líder do União Brasil e principal opositor político do governador, reforça a percepção de que as críticas à regulação fazem parte de uma estratégia eleitoral.
Em seus discursos, Zé Ronaldo tem enfatizado a necessidade de mudanças na administração estadual, sugerindo que a atual gestão não conseguiu resolver problemas crônicos, como os da saúde pública. Por outro lado, Jerônimo Rodrigues tem buscado defender os avanços realizados durante sua gestão e criticar o que considera ser uma tentativa de politização de questões técnicas e administrativas.
A Saúde Pública em Números
| Ano | Pacientes na fila de regulação | Novos hospitais construídos |
|---|---|---|
| 2024 | 180.000 | 3 |
| 2025 | 200.000 | 2 |
| 2026 | 210.000 (estimativa) | 1 (em construção) |
Especialistas Avaliam a Situação
Especialistas em saúde pública destacam que a regulação é um reflexo de problemas estruturais mais amplos, como o subfinanciamento do Sistema Único de Saúde (SUS) e a concentração de serviços em grandes centros urbanos. Segundo a pesquisadora Mariana Leite, da Universidade Federal da Bahia (UFBA), "a fila de regulação é um sintoma de uma rede que não consegue atender à demanda crescente, especialmente em regiões mais carentes."
Por outro lado, analistas políticos apontam que o uso do termo "fila da morte" pode ter um impacto significativo no debate público, polarizando ainda mais a discussão e dificultando soluções colaborativas. "Trata-se de um termo emocionalmente carregado, que pode mobilizar eleitores, mas também afastar diálogos técnicos entre os gestores", avalia o cientista político João Almeida.
A Visão do Especialista
O embate entre Zé Ronaldo e Jerônimo Rodrigues reflete não apenas as dificuldades enfrentadas pela saúde pública na Bahia, mas também o contexto político-eleitoral que permeia o debate. Enquanto o prefeito de Feira de Santana utiliza a questão como um ponto de ataque à gestão estadual, o governador busca defender sua administração e apontar responsabilidades compartilhadas.
A solução para os problemas da regulação na Bahia dependerá, em última análise, de investimentos robustos e de uma melhor articulação entre os diferentes níveis de governo. Com as eleições de 2026 se aproximando, a saúde pública deve continuar no centro das discussões, mas resta saber se essa visibilidade resultará em ações concretas ou apenas em mais polarização política.
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