Vik Muniz inaugura no Rio a maior mostra de sua carreira, reunindo 223 obras inéditas em 43 séries. A exposição "A olho nu" abre nesta quarta‑feira (20/05/2026) no Centro Cultural Banco do Brasil (CCBB) e promete transformar a cena artística brasileira.

Vik Muniz em frente a uma obra de arte em sua mostra no Rio.
Fonte: oglobo.globo.com | Reprodução

Contexto histórico da obra de Vik Muniz

Do Jardim Panamericano à elite dos museus internacionais, a trajetória de Muniz reflete a democratização da arte contemporânea. Nascido em São Paulo em 1961, o artista ganhou notoriedade nos anos 90 ao usar materiais inusitados – açúcar, chocolate, lixo – para reproduzir obras canônicas.

O destaque da escultura "Ferrari Berlinetta"

Vik Muniz em frente a uma obra de arte em sua mostra no Rio.
Fonte: oglobo.globo.com | Reprodução

Com quatro metros de comprimento e 650 kg, a réplica em fibra de vidro revive a miniatura de infância que o artista perdeu em Turim. Instalada na entrada do CCBB, a peça anuncia a linguagem lúdica que permeia as 11 salas do primeiro andar.

Expansão da retrospectiva: 223 obras em 43 séries

A mostra traz seis séries a mais que a versão inaugural no Recife, ampliando o panorama da produção de Muniz. Entre as obras estão "Crianças de açúcar" (1996), "Earthworks" (2002/2006) e a inédita "Tropeognathus mesembrinus" (2026), escultura de pterossauro feita com cinzas do Museu Nacional.

O legado do incêndio do Museu Nacional

Após o incêndio de 2018, Muniz criou a série "Museu de cinzas", transformando restos em arte para financiar a restauração do acervo. A obra "Tropeognathus mesembrinus" incorpora polímero e cinzas, simbolizando resiliência cultural.

"Verso": revelando o que nunca foi visto

Muniz reproduziu a parte traseira de obras como a "Mona Lisa" e "Noite estrelada", exigindo acesso exclusivo a museus como o Louvre. O processo incluiu escaneamento 3D, medição minuciosa e autorização que levou seis anos para ser concedida.

Renovação da série "Relicário"

Obras como "Herói" (pinos de boliche de mármore) e "O segredo" (sino de feltro silencioso) retornam à luz após décadas de planejamento. Muniz aproveita a infraestrutura do CCBB para materializar projetos que antes eram apenas esboços.

Curadoria e itinerância da mostra

Daniel Rangel, curador do MAC da Bahia, destaca que a exposição se reinventa a cada cidade, criando narrativas diferentes. No Rio, os cofres do CCBB oferecem novas possibilidades de montagem e leitura das obras.

Impacto no mercado e no turismo cultural

Especialistas apontam que exposições de grande porte aumentam o fluxo de visitantes em até 30 % nas áreas circundantes. O CCBB já registra um crescimento de 12 % nas vendas de ingressos desde o anúncio da mostra.

Dados comparativos das séries

SérieAno de inícioObras na mostra
Crianças de açúcar199612
Earthworks200215
Imagens de diamante20049
Relicário19898
Museu de cinzas20195
Verso20087

Análise crítica da proposta estética

Muniz desafia a percepção ao transitar entre escala monumental e materialidade efêmera. Sua capacidade de "quebrar a percepção sedimentada" cria diálogos entre o passado artístico e as crises contemporâneas, como o incêndio do Museu Nacional.

A Visão do Especialista

Para o crítico de arte João Carlos Silva, "A olho nu" marca um ponto de inflexão na prática de Muniz, consolidando sua função de historiador visual. O próximo passo será observar como a itinerância influenciará novas produções, possivelmente ampliando o uso de resíduos culturais como matéria‑prima.

Vik Muniz em frente a uma obra de arte em sua mostra no Rio.
Fonte: oglobo.globo.com | Reprodução

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