"Tirar da fome não é o fim, é só o primeiro passo." A frase do ministro do Desenvolvimento e Assistência Social, Família e Combate à Fome, Wellington Dias, sintetiza a abordagem de uma das políticas públicas mais icônicas do Brasil: o Bolsa Família. O programa, que enfrenta críticas recorrentes, é defendido como um mecanismo essencial para a redução da pobreza e a promoção da mobilidade social no país. Mas o que torna essa política tão relevante e quais os desafios que ela ainda enfrenta?

Wellington Dias fala sobre combate à fome em cena de notícia jornalística.
Fonte: www.correiobraziliense.com.br | Reprodução

O contexto histórico do Bolsa Família

Lançado em 2003, durante o primeiro mandato do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, o Bolsa Família surgiu como uma unificação de programas de transferência de renda já existentes. A proposta era simples, mas ambiciosa: aliviar a pobreza extrema enquanto incentivava contrapartidas como frequência escolar e vacinação. Ao longo dos anos, o programa ajudou a tirar milhões de brasileiros da pobreza, tornando-se referência internacional em políticas sociais.

No entanto, a pandemia de Covid-19 e a crise econômica que se seguiu geraram um retrocesso significativo. A insegurança alimentar voltou a assombrar milhões de lares, recolocando o Brasil no Mapa da Fome da Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura (FAO) em 2021. Desde então, esforços têm sido feitos para reverter esse quadro.

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Relatórios recentes: o Brasil fora do Mapa da Fome

De acordo com o relatório da FAO, o Brasil conseguiu, pelo segundo triênio consecutivo (2023-2025), se manter fora do Mapa da Fome. Uma conquista que se torna ainda mais significativa diante de um cenário global desafiador, marcado por guerras, mudanças climáticas e crises econômicas. Segundo Wellington Dias, a insegurança alimentar severa caiu de 9% em 2021-2023 para apenas 0,6% em 2025, um dos índices mais baixos do mundo.

Essa mudança foi possível graças à combinação de políticas públicas focadas em transferência de renda, controle da inflação e geração de empregos. Além disso, a modernização do Cadastro Único (CadÚnico) permitiu maior precisão na identificação de famílias em situação de vulnerabilidade.

O papel do Cadastro Único na transformação social

O CadÚnico é o coração das políticas de assistência social no Brasil. Desde 2023, o sistema foi modernizado para integrar 1,7 petabyte de dados de diversas fontes, identificando fraudes e otimizando a alocação de recursos. Essa atualização ajudou a economizar mais de R$ 40 bilhões ao identificar 4,5 milhões de pagamentos irregulares, segundo o Tribunal de Contas da União.

Além disso, o programa Busca Ativa foi implementado para alcançar populações historicamente invisibilizadas, como indígenas e moradores de áreas remotas. Cerca de 300 mil pessoas que não estavam no CadÚnico foram identificadas e inseridas na rede de proteção social.

Educação e qualificação: o caminho para a ascensão social

Para Wellington Dias, a educação é o principal vetor de transformação social. Famílias que conseguem educar todos os filhos têm maior chance de romper definitivamente o ciclo da pobreza. O programa Acredita, lançado em 2023, consolidou ações de qualificação profissional, empreendedorismo e cooperativismo, financiando R$ 16,5 bilhões em projetos.

Os números são expressivos: desde 2023, mais de 21 milhões de pessoas ascenderam socialmente no Brasil, com 17,4 milhões migrando para as classes B, C ou A, segundo a Fundação Getulio Vargas (FGV). Pequenos empreendedores também foram beneficiados, com o número de micro e pequenas empresas atingindo 28 milhões, das quais 10,4 milhões pertencem a pessoas oriundas do cadastro social.

O impacto econômico das políticas sociais

Além de reduzir a pobreza, as políticas sociais têm um papel fundamental na economia. Segundo o ministro, a renda dos mais pobres vai diretamente para o consumo, o que aquece a economia. Desde 2023, foram gerados 5,5 milhões de empregos formais, sendo 91% ocupados por pessoas cadastradas no CadÚnico.

Adicionalmente, o governo implementou medidas para apoiar pequenos e médios agricultores, garantindo um dos menores custos de alimentação da América Latina. Mesmo com pressões externas, como o aumento global dos preços de fertilizantes devido a conflitos internacionais, o Brasil manteve a estabilidade no custo de vida para as famílias mais vulneráveis.

Desafios e críticas ao programa

Apesar dos avanços, o Bolsa Família é alvo frequente de críticas, principalmente em períodos eleitorais. Críticos questionam a sustentabilidade financeira do programa e alegam que ele pode criar dependência. No entanto, dados do próprio governo mostram que 9 milhões de famílias já deixaram o programa por melhorarem de vida, um indicativo de que a política tem promovido a ascensão social.

Outro desafio é garantir a transparência e evitar o uso político do programa. Para isso, foi criada uma Rede Federal de Fiscalização, que monitora irregularidades, especialmente durante períodos eleitorais.

A Visão do Especialista

O Bolsa Família e as políticas de combate à fome vão além de números: são uma questão humanitária e estratégica para o desenvolvimento do Brasil. Como destacou Wellington Dias, "tirar da fome não é o fim, é só o primeiro passo". A integração das redes de assistência social com programas de qualificação e empreendedorismo é crucial para garantir que as famílias não apenas saiam da pobreza, mas mantenham sua independência econômica.

Ainda assim, o desafio é imenso. O Brasil precisa continuar investindo em educação e infraestrutura, especialmente em áreas rurais e regiões mais isoladas, para alcançar um desenvolvimento equitativo. Com uma abordagem inovadora e dados promissores, o país oferece um modelo que pode inspirar outras nações a enfrentar o desafio global da fome.

Wellington Dias fala sobre combate à fome em cena de notícia jornalística.
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