O ex-governador de Minas Gerais e atual pré-candidato à Presidência da República, Romeu Zema (Partido Novo), reafirmou, em 2 de junho de 2026, que continuará realizando críticas ao Supremo Tribunal Federal (STF), mesmo após ser notificado pelo Superior Tribunal de Justiça (STJ) em um processo de suposta calúnia contra o ministro Gilmar Mendes. As declarações foram feitas durante uma coletiva de imprensa realizada na Megaleite, em Belo Horizonte.

Político Zema se manifesta em entrevista jornalística, criticando o STF apesar de notificação do STJ.
Fonte: www.em.com.br | Reprodução

O Contexto das Declarações de Zema

A controvérsia envolvendo Zema e o STF começou com a publicação de vídeos da série "Os Intocáveis", divulgados nas redes sociais do político. A produção, que utiliza fantoches para satirizar ministros do STF, tornou-se o centro de um inquérito por calúnia. Em um dos episódios, os ministros Gilmar Mendes e Dias Toffoli foram retratados de forma irônica, com menções ao caso Master, gerando forte reação na instância judicial.

Essa série foi mencionada na denúncia apresentada pela Procuradoria-Geral da República (PGR) e resultou na notificação emitida pelo STJ. O caso foi encaminhado à corte superior por envolver alegações de possíveis crimes cometidos durante o mandato de Zema como governador de Minas Gerais.

Críticas ao STF e Ao Fórum Jurídico de Lisboa

Durante a coletiva, Zema não poupou críticas ao STF, afirmando que "todo brasileiro questiona" a conduta de alguns ministros e alegando que determinados membros da Suprema Corte utilizam seus cargos para enriquecimento pessoal. Ele defendeu investigações mais rigorosas sobre essas denúncias e mencionou a necessidade de maior fiscalização do Senado sobre o Judiciário.

O ex-governador também criticou o Fórum Jurídico de Lisboa, um evento anual promovido pelo ministro Gilmar Mendes em Portugal. Zema classificou o encontro como um "negócio pessoal" do magistrado, sugerindo que o evento serve para fins privados ao invés de discutir questões de interesse público. A crítica ecoou entre parte dos apoiadores do político, mas também gerou reações de juristas e parlamentares.

A Notificação do STJ e Seus Desdobramentos

A notificação do STJ ocorreu após o ministro Gilmar Mendes protocolar um pedido ao ministro Alexandre de Moraes, relator do inquérito das fake news, para incluir Zema nas investigações sob acusação de calúnia. A PGR, no entanto, entendeu que a competência para apurar o caso caberia ao STJ, uma vez que os supostos atos ocorreram no exercício do cargo de governador.

Mesmo assim, Zema declarou que não pretende recuar. "O Brasil precisa disso e não desses intocáveis em Brasília. E vou continuar criticando aquilo que está errado", afirmou. Desde a notificação, o ex-governador publicou novos episódios da série "Os Intocáveis" em suas redes sociais, reforçando seu discurso crítico.

A Reação do Meio Jurídico e Político

A postura de Zema gerou uma série de reações no meio jurídico e político. Alguns especialistas interpretaram as declarações como parte de uma estratégia política para angariar apoio entre eleitores insatisfeitos com o STF. Outros, no entanto, alertaram que as críticas podem ser enquadradas como ataques às instituições democráticas, o que pode trazer consequências jurídicas e políticas ao pré-candidato.

Parlamentares da oposição também se manifestaram, acusando Zema de "populismo judicial" e de tentar desviar a atenção de questões estaduais não resolvidas durante sua gestão em Minas Gerais. Por outro lado, aliados do ex-governador apoiaram suas declarações e endossaram as críticas ao STF.

O Papel do Senado no Debate Sobre o Judiciário

Zema também fez declarações contundentes sobre o papel do Senado Federal no atual cenário político. Para ele, o Senado precisa assumir uma postura mais firme em relação ao Judiciário. Ele sugeriu que, com a renovação nas eleições legislativas, parlamentares mais "corajosos" poderiam adotar medidas mais rigorosas contra supostos abusos de poder.

Essa linha de argumentação, que busca fortalecer a atuação do Legislativo frente ao Judiciário, reflete uma narrativa comum entre políticos de perfil conservador e liberal, que frequentemente denunciam o que chamam de "ativismo judicial".

Propostas de Punições Mais Severas para Crimes no Serviço Público

Outro ponto abordado por Zema foi a defesa de uma proposta de lei para endurecer as penas aplicadas a agentes públicos e autoridades condenados por crimes de corrupção e irregularidades. Ele chegou a mencionar a criação de uma "lei de traição à pátria", que teria como objetivo punir severamente aqueles que utilizam cargos públicos para benefício próprio.

A proposta, embora ainda embrionária, foi recebida com um misto de apoio e ceticismo. Especialistas jurídicos apontam que a penalização de agentes públicos já está prevista no ordenamento jurídico, mas que o problema reside na efetividade das instituições em aplicar essas normas.

Impactos no Cenário Político

As declarações de Zema ocorrem em um momento de acirramento das tensões entre poderes no Brasil. Desde o início do governo atual, o STF tem sido alvo de críticas de diferentes setores da sociedade, especialmente de políticos que questionam suas decisões em temas polêmicos como reforma eleitoral, liberdade de expressão nas redes sociais e combate à desinformação.

Se, por um lado, Zema tenta posicionar-se como o candidato "anti-establishment" que desafia as instituições, por outro lado, sua postura pode alienar setores mais moderados do eleitorado, que veem tais ataques como uma ameaça à estabilidade democrática.

A Visão do Especialista

O caso envolvendo Romeu Zema e o STF revela um embate mais amplo entre diferentes poderes da República e reflete uma crescente tensão no cenário político brasileiro. Especialistas apontam que a estratégia de Zema de manter uma postura crítica em relação ao STF pode consolidar sua base de apoiadores, mas também o expõe a riscos legais e políticos significativos.

Para o futuro, a evolução desse caso dependerá de dois fatores principais: os desdobramentos do processo no STJ e a resposta das instituições, especialmente do Senado, às críticas feitas ao Judiciário. Independentemente do desfecho, o episódio configura mais um capítulo na complexa relação entre os poderes no Brasil e destaca a importância de preservar o equilíbrio institucional em tempos de polarização.

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