Um estudo recente revelou que 27% dos brasileiros desconhecem que o câncer pode ser prevenido, indicando uma lacuna preocupante no conhecimento sobre saúde e prevenção. A pesquisa, intitulada "Mais Dados Mais Saúde - Percepções da população brasileira sobre fatores de risco para o câncer", foi conduzida pela Umane e Vital Strategies, com apoio do Instituto Devive e parceria técnica do Instituto Nacional do Câncer (Inca).

Homem lendo jornal com manchete sobre prevenção de câncer em meio a uma multidão de pessoas em uma praça.
Fonte: www.uol.com.br | Reprodução

Estimativas alarmantes: o impacto do câncer no Brasil

O Brasil deve registrar 781 mil novos casos de câncer por ano entre 2026 e 2028, segundo o Inca. Apesar da gravidade do cenário, especialistas apontam que até 40% dos casos poderiam ser evitados com mudanças de comportamento e exposição ambiental. Essa estatística reforça a importância de informar a população sobre os fatores de risco e as medidas de prevenção.

Fatores de risco: o que a população sabe e ignora

Homem lendo jornal com manchete sobre prevenção de câncer em meio a uma multidão de pessoas em uma praça.
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Entre os fatores de risco mais conhecidos, o tabagismo lidera com 90,5% da população reconhecendo-o como prejudicial. A exposição solar excessiva (88,3%) e a herança genética (89,4%) também aparecem com ampla conscientização, possivelmente devido a campanhas públicas bem divulgadas.

Por outro lado, fatores relacionados ao estilo de vida são menos reconhecidos. Apenas 54,1% associam o excesso de peso ao câncer, enquanto o consumo de ultraprocessados e bebidas adoçadas é visto como arriscado por menos da metade dos entrevistados. A baixa ingestão de frutas e verduras e o sedentarismo, fatores comprovadamente ligados ao câncer, são identificados por 53,3% e 48,3%, respectivamente.

Percepções equivocadas e crenças prejudiciais

Além da falta de informação, o estudo revelou diversas crenças erradas. 61% dos brasileiros acreditam que suplementos de vitaminas e minerais podem prevenir o câncer, uma ideia que carece de respaldo científico. O Inca reforça que a prevenção deve estar baseada em uma alimentação saudável, rica em alimentos in natura e minimamente processados.

Outro dado preocupante é que quatro em cada dez brasileiros não reconhecem o aleitamento materno como fator de proteção contra o câncer de mama, apesar de evidências claras sobre o impacto positivo da amamentação.

Jovens: um grupo vulnerável

Os jovens de até 24 anos apresentaram os indicadores mais baixos de conscientização sobre os fatores de risco. Por exemplo, 32,3% consomem ultraprocessados sem intenção de reduzir, enquanto 49,1% fazem o mesmo com carne vermelha. Esse grupo também é o menos informado sobre os riscos associados ao consumo desses alimentos.

Impactos da renda e desigualdade social

A pesquisa também revelou disparidades significativas entre diferentes faixas de renda. Apenas 45,5% das pessoas com renda de até R$ 2.000 reconhecem o sedentarismo como fator de risco, comparado a 59,6% entre aqueles que ganham acima de R$ 10.000. Além disso, a falta de acesso a espaços públicos seguros e alimentos saudáveis agrava o problema em comunidades menos favorecidas.

O papel das políticas públicas na prevenção

Especialistas defendem que a mudança nos hábitos da população não pode ser atribuída apenas à responsabilidade individual. Políticas públicas estruturadas são fundamentais para criar ambientes que favoreçam escolhas saudáveis. Entre as medidas sugeridas estão a taxação de ultraprocessados, álcool e tabaco, rotulagem clara de alimentos e a ampliação de espaços para atividade física.

Como transformar intenção em ação?

Embora o estudo indique que muitos brasileiros desejam adotar hábitos mais saudáveis, essa intenção frequentemente não se traduz em ação. Cerca de 45% dos entrevistados relataram consumir ultraprocessados e tentar reduzir seu consumo, mas ainda enfrentam dificuldades para mudar seu comportamento.

Para que essas intenções se convertam em práticas reais, é essencial combinar campanhas de conscientização com políticas que facilitem o acesso a alimentos saudáveis e atividades físicas, além de fortalecer os serviços de saúde.

A importância da educação em saúde

A crença de que o câncer é uma condição inevitável e geneticamente predeterminada pode ser uma barreira silenciosa para mudanças comportamentais. Por isso, educação em saúde deve ser uma prioridade. Programas comunitários e escolares podem ajudar a disseminar informações corretas sobre prevenção e promoção da saúde.

Dados comparativos: o que os números revelam

Fator de Risco % Reconhecimento
Tabagismo 90,5%
Exposição Solar Excessiva 88,3%
Excesso de Peso 54,1%
Consumo de Ultraprocessados 45%
Sedentarismo 48,3%
Álcool 71,3%

A Visão do Especialista

Os resultados do estudo deixam claro que a prevenção do câncer no Brasil ainda enfrenta desafios significativos relacionados ao desconhecimento e às percepções equivocadas. Fortalecer a educação em saúde e implementar políticas públicas eficazes são passos indispensáveis para reverter esse cenário.

Investir em campanhas de conscientização sobre fatores de risco menos conhecidos, como alimentação inadequada e sedentarismo, pode ser um divisor de águas. Além disso, é crucial que os sistemas de saúde sejam fortalecidos para garantir o acesso ao diagnóstico precoce e ao tratamento, especialmente para populações vulneráveis.

Homem lendo jornal com manchete sobre prevenção de câncer em meio a uma multidão de pessoas em uma praça.
Fonte: www.uol.com.br | Reprodução

Por fim, cabe a cada indivíduo buscar informação e adotar hábitos saudáveis, mas também é essencial cobrar do poder público ações que promovam um ambiente que facilite essas mudanças. Compartilhe esta reportagem com seus amigos e ajude a disseminar o conhecimento sobre a prevenção do câncer!