Anvisa determina o recolhimento voluntário do lote da água mineral Crystal após a detecção da bactéria Pseudomonas aeruginosa em amostras analisadas. A medida foi oficializada na Resolução‑RE nº 2.247/2026, publicada no Diário Oficial da União em 03/06/2026.

O que motivou o recolhimento

O lote LZ1 VAL200127 3 P 200126, produzido em 20 de janeiro de 2026, apresentou contaminação microbiológica que viola as normas sanitárias brasileiras. São 374,4 mil garrafas de 500 ml, com validade até 20 de janeiro 2027, fabricadas pela Mineração Bom Jesus Ltda., em Luziânia (GO).

Como foi identificada a contaminação

A vigilância sanitária do Distrito Federal realizou coleta de rotina e enviou a amostra ao Laboratório Central de Saúde Pública (Lacen‑DF). O exame revelou a presença de Pseudomonas aeruginosa, micro‑organismo oportunista associado a infecções hospitalares.

Após a primeira constatação, foi realizada contraprova conforme o Sistema Nacional de Vigilância Sanitária (SNVS), resultando no Laudo de Análise Fiscal Definitivo nº 76.CP.0/2026.

Impacto no mercado de água mineral

Crystal, marca do Sistema Coca‑Cola, detém cerca de 12 % do mercado nacional de água engarrafada. O recall pode gerar queda temporária nas vendas e afetar a confiança dos consumidores.

Distribuidores e varejistas foram instruídos a suspender a comercialização e a retirar as unidades afetadas das prateleiras.

Distribuição geográfica do lote

EstadoGarrafas (unidades)
Distrito Federal230 443
Goiás66 768
São Paulo (interior)75 750
Tocantins1 439

Recomendações aos consumidores

Quem possui garrafas do lote deve interromper o consumo imediatamente. O contato para devolução ou troca é o telefone 0800 061 5000 ou o e‑mail contato@brasal.com.br.

  • Verifique a marcação do lote e da validade no corpo da garrafa.
  • Guarde o comprovante de compra para facilitar a restituição.
  • Descarte o produto em local adequado, evitando o consumo de água contaminada.

Contexto histórico de recalls de água mineral no Brasil

Incidentes semelhantes já foram registrados, como o caso da água Ypê em 2022, que também envolveu Pseudomonas aeruginosa. Esses episódios reforçam a necessidade de rigorosos controles de qualidade nas etapas de captação e envase.

Desde 2015, a Anvisa intensificou inspeções em unidades de engarrafamento, adotando protocolos de amostragem mais frequentes.

Análise de especialistas

Microbiólogos apontam que a presença de Pseudomonas aeruginosa indica falhas no tratamento de água ou na higienização de linhas de envase. A bactéria forma biofilmes resistentes a desinfetantes comuns.

Especialistas em segurança alimentar recomendam a implementação de sistemas de ozonização ou radiação UV como barreiras adicionais contra contaminações.

A Visão do Especialista

O recall da Crystal evidencia vulnerabilidades ainda presentes na cadeia produtiva de água mineral no país. Para restaurar a confiança, as empresas precisam investir em monitoramento em tempo real, auditorias independentes e transparência nas comunicações de risco.

Além disso, a Anvisa deve ampliar a obrigatoriedade de testes de Pseudomonas em todas as etapas de produção, reduzindo a probabilidade de novos incidentes.

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