A guerra no Irã, iniciada em março de 2026, provocou uma disparada nos preços do gás natural a nível global. O aumento de cerca de 45 % nas cotações de contratos de referência tem pressionado economias da Ásia e da Europa, despertando dúvidas sobre a continuidade da transição energética rumo a fontes limpas.

Conflito Iraque: impacto na produção e distribuição global de energia.
Fonte: redir.folha.com.br | Reprodução

Segundo a Agência Internacional de Energia (AIE), o preço do gás spot atingiu US$ 120 por milhão de unidades térmicas em abril de 2026. Esse salto encareceu a geração termelétrica e levou países dependentes de importação a reconsiderar suas estratégias de abastecimento.

  • Mar 2026 – Início das hostilidades no Irã.
  • Conflito Iraque: impacto na produção e distribuição global de energia.
    Fonte: redir.folha.com.br | Reprodução
  • Abr 2026 – Preço do gás sobe 45 % nos mercados internacionais.
  • Mai 2026 – Tailândia reativa usinas a carvão; Itália adia o fim da geração a carvão para 2038.
  • Jun 2026 – Alemanha registra produção de energia a carvão superior à de gás.

Como a guerra no Irã está influenciando a matriz energética global?

Na Ásia, a Tailândia reativou duas usinas termelétricas a carvão que estavam em repouso desde 2019. Japão e Coreia do Sul suspenderam limites de emissão de CO₂, permitindo maior queima de combustíveis fósseis para garantir segurança de suprimento.

Na Europa, a Itália prorrogou o prazo de fechamento das centrais a carvão para 2038, um atraso de mais de uma década. A decisão foi justificada pela necessidade de estabilizar o mercado diante da escassez de gás.

Especialistas afirmam que o retorno temporário ao carvão pode ser visto como um "cinto de segurança" energético. Contudo, eles ressaltam que o efeito é pontual e não altera as metas de descarbonização estabelecidas pelos acordos climáticos.

O que dizem os especialistas sobre renováveis?

A capacidade instalada de fontes renováveis cresceu 50 % desde o final de 2022, alcançando 5,1 TW mundialmente. Dados da Agência Internacional de Energia Renovável (IRENA) apontam que o ritmo de expansão supera o da energia a carvão.

Em contraste, a capacidade global de carvão aumentou apenas 6 %, totalizando cerca de 2,2 TW, com a maioria dos novos projetos concentrados na China. Relatórios do Global Energy Monitor indicam estabilidade nas propostas de novas usinas a carvão.

O preço dos painéis solares caiu quase 70 % entre 2022 e 2025, impulsionado pela produção chinesa em larga escala. Simultaneamente, os custos das baterias recuaram 36 %, favorecendo a integração de energia intermitente.

Quais são os desafios de investimento em energia limpa?

Os projetos de energia limpa exigem investimentos de capital elevado e dependem de políticas de financiamento estáveis. As expectativas de juros mais altos para conter a inflação podem tornar o custo de capital menos atrativo.

Processos de licenciamento ambiental e acesso às redes de transmissão permanecem obstáculos críticos. Em diversos mercados, atrasos regulatórios aumentam o tempo de implantação de parques eólicos e solares.

Qual o panorama político diante do conflito?

O choque econômico alimenta o discurso de partidos populistas que questionam a agenda verde. Na União Europeia, há pressão para reformular o Sistema de Comércio de Emissões (ETS) e rever limites de preço do gás.

Governos europeus, como a Itália e a Alemanha, consideram medidas emergenciais que incluem a elevação temporária de limites de consumo de carvão. Nenhuma nova licença para construção de usinas a carvão foi concedida desde 2023.

Enquanto isso, agências reguladoras monitoram de perto a volatilidade dos mercados de energia, mantendo reservas estratégicas de gás e avaliando a viabilidade de reativar usinas fósseis. O objetivo declarado é garantir a segurança energética até que a oferta de renováveis se estabilize.

Conflito Iraque: impacto na produção e distribuição global de energia.
Fonte: redir.folha.com.br | Reprodução

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