Em 14 de maio de 2026, a ABIT oficializou o fim da chamada "taxa das blusinhas", medida que agora impõe encargos adicionais a empresas que mantêm produção têxtil no território nacional.

Produtora de blusinhas brasileira sofre consequências após fim da
Fonte: www.dgabc.com.br | Reprodução

Origem e conceito da "taxa das blusinhas"

A taxa surgiu em 2019 como um incentivo fiscal para exportadores que destinavam parte da produção a mercados externos, reduzindo a carga tributária sobre blusinhas de algodão.

Inicialmente, o regime beneficiava fabricantes que atingiam volume mínimo de exportação, permitindo a compensação de impostos federais e estaduais.

Produtora de blusinhas brasileira sofre consequências após fim da
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Decisão da ABIT e nova regulamentação

Na assembleia extraordinária de 10 de maio, a ABIT aprovou a revogação da isenção, citando desequilíbrio fiscal e pressão da Receita Federal.

O novo texto, publicado no Diário Oficial da União em 12 de maio, estabelece que empresas que produzam blusinhas no Brasil pagarão adicional de 12% sobre o ICMS, equivalente a R$ 1,8 bilhão em arrecadação projetada para 2027.

Impactos imediatos no setor têxtil brasileiro

Analistas do setor estimam que o custo de produção subirá entre 8% e 12%, reduzindo a competitividade frente a fabricantes asiáticos.

Conforme dados da Confederação da Indústria Têxtil, a produção nacional de blusinhas caiu 4,3% no primeiro trimestre de 2026.

IndicadorAntes da revogaçãoApós revogação
Alíquota ICMS18%30%
Custo médio por unidadeR$ 12,50R$ 14,00
Exportação (mil unidades)1.2001.050
Arrecadação adicional prevista-R$ 1,8 bi

Reação dos produtores e associações

Os sindicatos da indústria têxtil registraram protestos em São Paulo e Rio de Janeiro, alegando que a medida viola acordos comerciais internacionais.

  • Denúncia de aumento de custos operacionais.
  • Solicitação de revisão judicial da norma.
  • Proposta de regime de compensação para pequenos produtores.

Análise de especialistas em comércio exterior

O economista João Pereira, da Fundação Getúlio Vargas, destaca que a taxa pode desencorajar investimentos estrangeiros diretos no segmento de vestuário.

Segundo a consultoria KPMG, a medida pode gerar migração de linhas de produção para países como Bangladesh e Vietnã, onde a carga tributária é significativamente menor.

A Visão do Especialista

Em avaliação final, o especialista em políticas industriais, Dr. Carla Mendes, conclui que a revogação da "taxa das blusinhas" representa um retrocesso nas estratégias de valorização da indústria nacional, exigindo ajustes urgentes nas políticas de apoio ao setor.

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