Na manhã de 17/07/2026, a orla da Zona Sul do Rio de Janeiro foi bloqueada com grades metálicas no primeiro dia de operação do programa "Tolerância Zero". As estruturas foram instaladas nas esquinas da Avenida Atlântica, entre o Leme e o Leblon, para controlar o acesso de agentes da Secretaria de Ordem Pública (Seop) e da Guarda Municipal.

Acessos à orla da Zona Sul com grades no primeiro dia do Tolerância Zero
Fonte: extra.globo.com | Reprodução

Entenda o programa Tolerância Zero

O município anunciou a medida como resposta ao crescimento desordenado do comércio ambulante nas praias. O decreto, publicado em maio de 2025, estabelece regras rígidas para barracas, carrocinhas e equipamentos que utilizam gás ou carvão.

Estrutura de fiscalização

Acessos à orla da Zona Sul com grades no primeiro dia do Tolerância Zero
Fonte: extra.globo.com | Reprodução

São 138 agentes da Seop distribuídos em duplas, monitorando 69 pontos ao longo da orla. As grades foram posicionadas nas intersecções das ruas Hilário de Gouveia, Siqueira Campos e Figueiredo de Magalhães, enquanto as avenidas Princesa Isabel e Prado Júnior permanecem sem barreiras.

ItemQuantidade
Agentes da Seop138
Pontos de monitoramento69
Taxa diária proposta para ambulantesR$ 200 a R$ 300
Viaturas da Guarda Municipal na Praça Serzedelo Correia11

Chronologia do primeiro dia

  • 06:30 – Instalação das grades nas esquinas da Avenida Atlântica.
  • 07:45 – Concentração de 11 viaturas da Guarda Municipal na Praça Serzedelo Correia.
  • 08:10 – Primeira abordagem a vendedora de artesanato Thaís Amém.
  • 09:30 – Registro de ausência de carrocinhas de milho nas areias.

Reação dos vendedores ambulantes

Vendedora de artesanato e outros comerciantes relataram intimidação e retirada de mercadorias. Thaís Amém afirmou que a cobrança diária seria "um caô" e acusou a prefeitura de legitimar a expulsão dos vendedores.

Base legal e decretos anteriores

O decreto de maio de 2025 já impunha padronização de faixas, proibição de bandeiras e restrição ao uso de gás e carvão. Em novembro de 2025, placas informativas foram instaladas nos postes da orla, detalhando as proibições.

Impacto econômico no comércio informal

Segundo levantamento da Associação dos Comerciantes Ambulantes (ACA), cerca de 2.300 pessoas dependem do comércio na orla para subsistência. A taxa proposta de até R$ 300 por dia pode representar até 30% da renda média diária desses trabalhadores.

Posicionamento da Guarda Municipal

A Guarda Municipal confirmou que as viaturas permanecerão em prontidão durante todo o período de fiscalização. A corporação ressaltou que o objetivo é "garantir a ordem pública e a segurança dos banhistas".

Visão de especialistas em segurança pública

O professor Carlos Eduardo Silva, da Universidade Federal do Rio de Janeiro, alerta que a medida pode gerar deslocamento de atividades ilícitas para áreas internas. Ele recomenda a adoção de políticas de inclusão, como licenças temporárias, para evitar a marginalização dos vendedores.

Repercussão no mercado imobiliário

Corretoras de imóveis apontam que a limpeza da orla pode valorizar propriedades residenciais e comerciais na região. O índice de valorização estimado para o bairro de Copacabana é de 4,2% nos próximos 12 meses.

A Visão do Especialista

Para o consultor de políticas públicas Ana Lúcia Ramos, o "Tolerância Zero" representa um ponto de inflexão na gestão urbana da orla. Ela enfatiza que, sem alternativas econômicas viáveis para os ambulantes, a medida pode gerar conflitos sociais e pressionar o judiciário, exigindo revisões legislativas nos próximos meses.

Acessos à orla da Zona Sul com grades no primeiro dia do Tolerância Zero
Fonte: extra.globo.com | Reprodução

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